MDB põe interesse regional acima do partidário e abre mão de candidatura a federal

• Coordenador Regional do MDB, Leandro Marangoni afirmou que a decisão, tomada em colegiado, visa não fragmentar os votos e aumentar as chances da região eleger um representante. Partido concentrará esforços na eleição de Fifo Parenti para a Assembleia Legislativa

Em uma decisão que coloca o interesse regional acima da ambição partidária, o MDB Regional anunciou que não lançará candidato próprio a deputado federal nas próximas eleições. A estratégia, revelada pelo Coordenador Regional do partido, Leandro Marangoni, tem como objetivo claro não dividir os votos da região e assim aumentar as chances de eleger um representante local para a Câmara Federal.

A declaração foi dada durante entrevista ao programa Estúdio Boa Vista da Rádio Cultura nesta semana, na qual Marangoni fez um balanço do grande evento do partido realizado no dia 02 de outubro no Clube Caixeiral em Erechim. O encontro, que reuniu mais de 500 pessoas incluindo prefeitos, vereadores, secretários municipais, filiados e a cúpula estadual do MDB – com destaque para o vice-governador Gabriel Souza e o ex-senador José Fogaça – serviu como palco para consolidar as estratégias eleitorais.

O nome que poderia ser, mas não será

Marangoni foi categórico ao afirmar que o partido tem um nome com potencial eleitoral comprovado: o prefeito de Erechim, Paulo Polis. “Em 2018, por muito poucos votos ele não assumiu uma cadeira na Câmara Federal”, lembrou o coordenador. “Hoje Paulo Polis seria o grande nome novamente, mas ele tem um compromisso com a cidade de Erechim.”

Segundo Marangoni, o prefeito deixou claro que não renunciaria ao mandato para concorrer a deputado federal. “Ele vem fazendo um belo trabalho e tem um compromisso com a cidade”, justificou.

Decisão colegiada pelo bem da região

A opção por não lançar nenhum candidato a federal foi tomada em reunião da regional do partido em fevereiro. “O MDB toma as decisões em colegiado e vimos que não teríamos capilaridade e tamanho suficiente de um nome para ser o candidato que pudesse concorrer efetivamente”, explicou Marangoni.

O coordenador foi ainda mais direto ao explicar o cálculo eleitoral: “Citou que o MDB teria outros nomes e um deles seria o de Carlinhos Polis que certamente faria uma excelente votação, até 3 vezes mais votos que os 3 candidatos do MDB que terão inserção aqui na região farão, mas isso é atrapalhar um outro nome.”

Compromisso regional acima do partidário

Em declaração que sintetiza a estratégia, Marangoni foi enfático: “O MDB não colocando um nome, embora a pressão do partido a nível de estado, o nosso compromisso com a região é maior do que o partidário. A forma que o MDB possa contribuir com a região nesse momento é não colocar um nome como pré-candidato a Federal.”

E completou: “O MDB tem essa consciência de que nesse momento não teríamos um nome para brigar por uma cadeira dentro do partido e a forma que entendemos de não atrapalhar a viabilidade de a região ter um deputado federal, é não colocando candidato, essa é a nossa forma de ajudar.”

Foco no estadual

Enquanto abre mão da disputa federal, o MDB regional concentra esforços na eleição para a Assembleia Legislativa, onde lançará a candidatura do vereador e presidente do Legislativo de Erechim, Fifo Parenti. O apoio à candidatura foi reforçado durante o evento no Clube Caixeiral, que também serviu para consolidar o vice-governador Gabriel Souza como pré-candidato do MDB ao Palácio Piratini.

O movimento mostra um partido disposto a fazer concessões táticas em uma disputa para fortalecer sua posição em outra, sempre com o argumento de fortalecer a representatividade da região no cenário político estadual e nacional.

Por: Edson Machado da Silva

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