Tradição e Afeto: Semana Farroupilha 2025 encerra com chama de união e celebração familiar

O último dia do evento, neste domingo chuvoso (21), está sendo marcado por competições culturais no CTG Galpão Campeiro, enquanto a imagem de uma mãe amamentando a cavalo durante desfile em Rio Pardo viraliza como símbolo da festa

Sob um céu nublado e chuva típica do final de inverno, encerra-se neste domingo (21) a Semana Farroupilha 2025. Mas a chuva não foi capaz de apagar o calor da tradição que, durante dez dias, aqueceu o coração dos gaúchos em Erechim e pelo estado. A programação, que começou no dia 12 de setembro, foi um verdadeiro tributo à cultura rio-grandense, unindo gerações em torno do chimarrão, da música, da dança e da gastronomia típica.

O palco das despedidas está sendo o CTG Galpão Campeiro, que pela manhã recebe o FESTIART Bota Amarela – Festival Cultural de Danças Tradicionais. O evento concentrou a energia da nova geração, com competições nas modalidades iniciante pré-mirim, mirim e juvenil. O salão ainda ecoou com o som de gaitas, a emoção das declamações, a elegância da dança de salão, a habilidade dos solistas e a destreza da chula, em categorias que incluíram desde as crianças até os adultos.

O encerramento oficial ocorrerá às 17h, no Centro Municipal de Eventos Zulmir José Sotoriva, com a solenidade de extinção da chama crioula, que ardeu como testemunha de mais um ano de celebração da história e dos ideais farroupilhas.

Uma Semana de Fortalecimento de Laços

Desde o dia 12, o Acampamento Farroupilha foi o ponto de convergência da comunidade. Shows, tertúlias, oficinas e festas campeiras animaram os visitantes, enquanto o cheiro irresistível do carreteiro e do churrasco, sempre acompanhado de um bom chimarrão, convidava a todos a partilhar não apenas a comida, mas também histórias e amizades.

A essência familiar, cantada em verso por Gildo de Freitas — “Ô mocidade, associem com a gente / Vá no CTG e leve um documento / Vão ver de perto que dança decente / E que sociedade de bons casamentos” — foi o fio condutor de toda a programação. Em cada canto do acampamento, no CTG e, especialmente, no grande desfile do dia 20, era possível ver a tradição sendo passada adiante, unindo bisavós, avós, pais, filhos e netos sob o mesmo chapéu e o mesmo amor pelo Rio Grande.

O Desfile do Orgulho Gaúcho e um Símbolo de Amor

Neste sábado (20), data maior dos Gaúchos, a Avenida Maurício Cardoso foi tomada por uma onda de orgulho e cor. O desfile alusivo à Semana Farroupilha reuniu centenas de entidades tradicionalistas, instituições, forças de segurança e cavalarianos, em uma demonstração vibrante da cultura gaúcha. Milhares de erechinenses e visitantes se aglomeraram nas calçadas para acompanhar a passagem, que contou com a presença de autoridades municipais e tradicionalistas.

(Foto: Pedro Ferreira)

Enquanto Erechim mostrava sua força, uma cena registrada na cidade de Rio Pardo começava a correr o mundo e a encapsular perfeitamente o espírito da data. A fotografia sensível de Pedro Ferreira capturou um instante puro e poderoso: em pleno desfile, uma mãe, montada a cavalo, amamenta seu filho. A imagem, que rapidamente se tornou um símbolo, transcende o registro e fala sobre a força, a resistência, a ternura e a perpetuação da cultura gaúcha. É a tradição e o amor caminhando, literalmente, lado a lado.

Desfile Farroupilha: A Beleza está na União e na Igualdade de Todos

Evento em Erechim vai além da competição e se consolida como um momento de celebração familiar e confraternização, onde o valor principal é o espírito de comunidade.

Em um cenário onde o mundo frequentemente exalta o individualismo e a competição, o Desfile Farroupilha de Erechim apresentou, no sábado (20), um contraponto tocante e genuíno. Mais do que uma exibição de trajes impecáveis e cavalos adornados, o evento se revelou uma poderosa demonstração de que a verdadeira essência da tradição gaúcha reside na união, na igualdade e na confraternização.

(Foto: Lume Comunicação Erechim)

Enquanto milhares de pessoas se alinhavam na Avenida Maurício Cardoso, não era a busca por um troféu que movia os participantes, mas sim o orgulho de compartilhar um legado. A filosofia que ecoou entre as entidades foi clara: no desfile, não existe um cavalo mais bonito que o outro, nem um peão ou uma prenda melhor que o outro. Existe, sim, um coletivo.

(Foto: Lume Comunicação Erechim)

A imagem que definiu o dia não foi a de um campeão isolado, mas a de famílias inteiras marchando juntas. Casais vestidos a rigor, muitos levando nos braços ou nos cavalos seus filhos pequenos, vestidos com miniaturas perfeitas das pilchas tradicionais. Avós com netos pela mão, jovens integrando seus amigos como se fossem irmãos de sangue. Era a materialização do provérbio gaúcho: “Nós somos pelo mesmo laço da fé e da ideia unidos”.

A confraternização era palpável. Nos momentos que antecediam a passagem pela avenida, grupos se reuniam não para ensaiar últimos detalhes coreográficos, mas para compartilhar um chimarrão, rir de histórias antigas e celebrar a amizade. O desfile era a culminância de meses de convívio nos galpões, das tertúlias, dos ensaios de dança – era a festa da grande família gaúcha.

O evento serviu como um lembrete poderoso de que o verdadeiro valor da Semana Farroupilha não está na perfeição, mas na participação. Não na competição, mas na comunhão. É o momento em que laços são reforçados, novas amizades são feitas e a cultura é passada adiante não como um manual de regras, mas como um abraço acolhedor.

O Desfile Farroupilha de 2025 em Erechim mostrou que, enquanto houver famílias desfilando unidas, amigos compartilhando o mesmo espaço e uma comunidade celebrando suas raízes com igualdade e respeito, a chama do tradicionalismo gaúcho seguirá viva, forte e brilhante para todas as gerações.

(Foto: Lume Comunicação Erechim)

Até o Próximo Ano!

O que resta, após o último braseiro ser apagado, é o sentimento de gratidão e orgulho. Parabenizar a todos os envolvidos — organizadores, patrocinadores, prendas e peões, entidades e comunidade — é o primeiro passo. O segundo é fortalecer os laços para que, no ano que vem, Erechim e todo o Rio Grande do Sul possam mais uma vez demonstrar, com força renovada, o amor incondicional por sua terra e suas tradições. A chama se extingue, mas o fogo no coração de cada gaúcho e gaúcha permanece aceso.

Por: Edson Machado da Silva

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