Por que está faltando mão de obra em Erechim?

Segundo Admar Dornfeld, chefe da agência regional do IBGE em Erechim, o envelhecimento populacional e a escassez de mão de obra são reflexo direto da diminuição da taxa de natalidade e do número de jovens.

O programa Estúdio Boa Vista, da Rádio Cultura, recebeu na manhã desta quarta-feira (15) Admar Dornfeld, chefe da agência regional do IBGE em Erechim. Ele abordou assuntos relacionados ao trabalho do Instituto no município e na região, destacando dados preocupantes sobre a demografia e o mercado de trabalho.

A agência do IBGE em Erechim abrange 29 municípios da região, sendo a de maior cobertura no Rio Grande do Sul. Ela desenvolve trabalhos com todos os segmentos da sociedade. De acordo com Admar, 400 empresas somente em Erechim fornecem informações ao Instituto, sem contar as demais empresas dos municípios atendidos na região.

Embora atue em todos os segmentos da sociedade, Dornfeld destacou o trabalho de pesquisas do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Ele afirmou: “Erechim possui uma demanda reprimida de falta de mão de obra, que gira em torno de 2.500 a 2.600 vagas de emprego que não conseguem ser preenchidas nas empresas, no comércio e na área de serviços”. Com esses números, o município de Erechim lidera em vagas de emprego no Rio Grande do Sul e possui um dos maiores parques industriais do estado.

A afirmação de que a população não quer mais trabalhar é refutada pelos dados do IBGE. Segundo levantamentos do Instituto, não há mão de obra disponível. O Censo de 2022, comparado ao de 2010, demonstrou uma queda no número de jovens na população, que passou de 20% para 17% nesse período. Dornfeld explicou: “Ou seja, temos cada vez menos jovens, a faixa etária de 0 a 19 anos é cada vez menor, a taxa de natalidade é cada vez menor. A população está envelhecendo e encolhendo, com uma desaceleração do crescimento populacional”.

O IBGE projetava inicialmente, com base em dados estatísticos e projeções científicas, que o crescimento vegetativo negativo no Rio Grande do Sul iniciaria a partir de 2030. No entanto, essa projeção foi refeita, e agora o início do declínio populacional é esperado para 2027, três anos antes do previsto.

Conforme Admar, dos 29 municípios abrangidos pela agência regional do IBGE, todos, exceto Erechim, Barão de Cotegipe, Nonoai e Trindade do Sul, registraram diminuição populacional entre 2010 e 2022, atribuída à redução do número de jovens e da taxa de natalidade. Sobre os municípios que cresceram, Dornfeld explicou: “Isso se deve à implantação de grandes indústrias, como é o caso do frigorífico de Trindade do Sul, município que entre 2010 e 2022 cresceu 30% em termos populacionais”.

Em Erechim, o número de nascimentos entre 2000 e 2022 é significativamente menor. O registro civil mostra que, após mais de duas décadas, nascem menos crianças do que no início dos anos 2000. Para repor a população, seriam necessários 2,2 filhos por mulher em idade fértil. No Rio Grande do Sul, a média é de 1,41 filhos por mulher, o que evidencia um déficit de nascimentos e filhos, comprovando o decrescimento populacional e a carência de mão de obra. Essa tendência também é observada nos bairros da cidade, onde o acesso a informações e métodos contracepcionais leva a famílias com cerca de 2 a 3 filhos.

O município de Itatiba do Sul foi o que mais perdeu população na região, com uma redução de quase mil pessoas (20% do total) entre 2010 e 2022. Apesar da ausência de desemprego, há escassez de mão de obra em diversas atividades, resultado da diminuição da taxa de natalidade.

Nacionalmente, o número de famílias beneficiárias do Bolsa Família também tem diminuído ano a ano. Anteriormente, 23 milhões de famílias estavam cadastradas no Programa. Nos últimos três a quatro anos, esse número reduziu para 18 milhões.

A taxa de desemprego também está em queda, registrando 5,4%, a menor de todos os tempos. Outro dado relevante do censo demográfico aponta para a diminuição do número de pessoas por família: em 1990, eram 3,7 pessoas; em 2000, 3,33; em 2010, 2,89; e no último censo, 2,49 pessoas por família. Apesar do crescimento populacional de Erechim, o número de componentes por família diminuiu. Isso é corroborado pelo aumento de domicílios vazios: de 2.221 em 2010 para 5.207 em 2022, uma tendência também observada nacionalmente. Os domicílios de uso ocasional, por exemplo, passaram de 703 em 2010 para 1.702 em 2022.

Todos os processos de pesquisa e censo do IBGE são acompanhados diariamente, com rastreamento online, para garantir a precisão dos resultados e a adesão aos conceitos metodológicos.

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