Número de acidentes com óbito diminui, mas ainda preocupa PRF de Erechim

O programa Estúdio Boa Vista desta quinta-feira (16) recebeu o Chefe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Erechim, Regivaldo Tonon, para discutir temas relacionados à Segurança Pública, com foco especial na segurança viária do município de Erechim.

Durante a entrevista, Tonon apresentou dados preocupantes sobre os acidentes na BR-153, no trecho que compreende Erechim. Em 2025, foram registrados 80 acidentes considerados graves, 16 lesões graves, 63 lesões leves e 4 óbitos no local. Tonon esclareceu a metodologia da PRF para a contabilização: “Para nós, um caso é classificado como lesão grave se a vítima sai do atendimento respirando ou com algum resquício de vida, mesmo que, posteriormente, ela venha a falecer no transporte ou no hospital.”

Já nos primeiros meses de 2026, até a última quarta-feira (15 de abril), a PRF contabilizou 24 acidentes, além de 20 lesões leves e 9 lesões graves, sem registro de óbitos no local até o momento. No entanto, o chefe da PRF ressaltou que, “diferentemente dos registros do SUS, onde os números de fatalidades tendem a ser maiores ao incluir óbitos pós-atendimento no local, para a PRF o registro inicial se mantém como lesão grave.”

A média nacional de acidentes com óbitos constatados no local, considerando levantamentos da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Rodoviária Estadual e do trânsito municipal, varia entre 35 mil e 38 mil casos por ano. Segundo Tonon, a alta incidência de sinistros de trânsito tem raízes culturais. Ele exemplificou: “Diminui-se a velocidade onde se sabe que há um radar, mas, ao sair do radar, volta-se ao ritmo anterior. Há fiscalização por alcoolemia, o indivíduo, por sua vez, não vai parar de beber ou beber menos; ele vai encontrar um desvio, nem que seja por uma estrada de chão, para não correr o risco de ser parado em uma fiscalização mas não vai mudar seu hábito, infelizmente.”

Tonon afirmou que o comportamento da população no trânsito só tende a mudar quando há um impacto financeiro direto, e a legislação se adapta a essa realidade. Ele lembrou que “há alguns anos, uma multa por embriaguez ao volante era de R$ 80,00. Em razão da alta incidência e gravidade desses casos, atualmente essa infração gera uma multa de R$ 3.000,00 e a suspensão do direito de dirigir por um ano em casos de alcoolemia.”

O chefe da PRF enfatizou ainda que, para o Estado, o valor da multa é secundário. O maior custo está nos recursos mobilizados para o atendimento, como o trabalho do policial, da equipe do Samu e do Corpo de Bombeiros, além do sistema hospitalar e das indenizações pagas pelo governo em situações de invalidez ou impossibilidade laboral. Ou seja, para o Estado, vítimas com lesões leves ou graves representam um alto custo. Assim, a intenção é reduzir o número de acidentes, o que consequentemente diminui os casos de lesões leves, graves e óbitos e diminui os custos do estado. A maioria dos acidentes com vítimas fatais, de acordo com Tonon, decorre de colisões frontais.

Ao final da entrevista, Tonon agradeceu a oportunidade e manifestou o desejo de retornar aos estúdios da Rádio Cultura para abordar outros assuntos relevantes e de interesse da comunidade

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