Mais de 100 pessoas participam de entrevistas de emprego no primeiro dia da VII Semana Estadual do Migrante em Erechim

O Programa Estúdio Boa Vista desta terça-feira (16) recebeu a coordenadora do SINE Erechim, Andressa Battisti, e a consultora da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Josiani May, para falar sobre a VII Semana Estadual do Migrante no Rio Grande do Sul, que está sendo realizada em Erechim.

Segundo Andressa Battisti, o município se destaca no cenário estadual pela oferta de vagas de emprego. Durante os dias 15 e 16 de julho, seis empresas erechinenses participaram da programação da Semana Estadual do Migrante, realizando entrevistas de emprego diretamente nas dependências do SINE.

“Na segunda-feira, mais de 100 pessoas passaram pelo SINE para participar das entrevistas. Nesta terça-feira, ainda restam cerca de 200 vagas para quem não conseguiu comparecer no primeiro dia. Estamos sempre buscando promover ações que permitam aos candidatos realizar as entrevistas na própria agência, sem a necessidade de se deslocarem até as empresas”, destacou.

Embora a iniciativa tenha como foco principal a população migrante, toda a comunidade pode participar e se beneficiar das oportunidades oferecidas. De acordo com a coordenadora, o mercado de trabalho local registra uma demanda crescente por mão de obra, ao mesmo tempo em que há grande procura por emprego.

A consultora da OIM, Josiani May, explicou que atua em parceria com o SINE no encaminhamento de migrantes para vagas de trabalho, além de coordenar ações de qualificação profissional por meio do programa Indústria Acolhedora, desenvolvido em parceria com o SENAI, e de colaborar em projetos realizados junto à Prefeitura de Erechim.

Conforme dados apresentados por Josiani, atualmente há 4.028 imigrantes cadastrados no Cadastro Único da Secretaria Municipal de Assistência Social. Já a Secretaria Municipal de Saúde registra aproximadamente 8 mil imigrantes que passaram pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município. A maioria é composta por venezuelanos, seguida por haitianos, senegaleses, peruanos, cubanos, argentinos e pessoas de outras nacionalidades.

No que se refere à empregabilidade, Erechim ocupa a terceira posição entre os municípios gaúchos com maior número de migrantes contratados formalmente, ficando atrás apenas de Canoas e Porto Alegre. Para Josiani, esse resultado reflete a força industrial e o crescimento econômico do município.

A consultora ressaltou ainda que a OIM atende diferentes perfis de migrantes, incluindo pessoas vindas de outros estados brasileiros, estrangeiros de diversas nacionalidades e indivíduos deslocados por tragédias e desastres naturais, como enchentes. “Trabalhamos com pessoas em movimento, independentemente da origem ou do motivo da migração”, explicou.

A parceria entre a OIM, a Prefeitura de Erechim e o SINE tem fortalecido o vínculo com a população migrante, oferecendo suporte para regularização documental, inserção no mercado de trabalho e integração social.

Segundo Josiani, ainda existem desafios relacionados às diferenças culturais, especialmente quanto à permanência dos trabalhadores nos empregos. Por isso, ações de orientação vêm sendo desenvolvidas para conscientizar os migrantes sobre a importância da estabilidade profissional e dos benefícios proporcionados pelo trabalho formal.

“Muitos venezuelanos relatam que, em seu país de origem, as oportunidades de emprego são escassas e grande parte da população atua de forma autônoma, principalmente no comércio ambulante. Ao chegarem ao Brasil, encontram uma realidade diferente, com legislação trabalhista estruturada e oportunidades de contratação formal”, afirmou.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de 2025 apontam que 3.349 imigrantes possuem carteira assinada em Erechim. O número representa aproximadamente metade da população migrante registrada no município, sem considerar aqueles que atuam como empreendedores por meio de empresas formalizadas.

A presença dos migrantes no mercado de trabalho também chama atenção pelo elevado nível de qualificação profissional. Muitos possuem ensino superior, especializações e até mestrado. Um dos destaques citados durante a entrevista foi a aprovação da primeira professora migrante em concurso público no Rio Grande do Sul, em Erechim.

Apesar da qualificação, muitos profissionais estrangeiros enfrentam dificuldades para atuar em suas áreas de formação. Isso ocorre porque os diplomas obtidos no exterior precisam passar por processos de revalidação para atender à legislação brasileira.

De acordo com Josiani, o procedimento costuma ser complexo e oneroso. Além dos custos envolvidos na validação dos diplomas, muitos profissionais ainda precisam obter registros em conselhos de classe específicos para exercer suas profissões no Brasil.

Mesmo diante desses desafios, a expectativa é que as ações desenvolvidas durante a VII Semana Estadual do Migrante contribuam para ampliar as oportunidades de emprego, qualificação e integração social da população migrante em Erechim.

 

A Entrevista completa você pode conferir através do LINK

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