Além dos transtornos e prejuízos nas residências e empresas, o interior de Erechim também foi bastante castigado, comprometendo safras inteiras e, em alguns casos, a situação é de muita tristeza, vendo todo o trabalho e dedicação de uma família, se cair por terra.
Mas a grande maioria dos produtores rurais, independente se agricultura familiar ou agronegócio, hortifruti ou cereais, gado de leite ou corte, não há tempo para lamentações. É preciso reagrupar as forças e ir ao trabalho novamente, como no relato de Andréia Bianchi.
“Hoje, as parreiras silenciam.
Em poucos minutos, a natureza levou embora meses de cuidado, de esperança, de mãos calejadas que sonhavam com uma colheita farta.
Mas, mesmo diante do estrago, existe algo que o granizo não pode destruir: a força que nasce no coração de quem produz. Porque só quem vive da terra sabe se levantar todas as vezes, mesmo quando ela parece negar o retorno. Só quem olha para uma videira podada entende que o recomeço faz parte da vida.
Hoje é dia de sentir, de chorar se for preciso, porque a frustração pesa e o medo também. Mas a história continua intacta. A dedicação colocada em cada broto, o amor pela terra, o orgulho de produzir algo tão precioso — isso tudo permanece.
As uvas virão novamente. E quando vierem, serão ainda mais valiosas — porque nascerão de um coração que não desistiu”.

