“Cheque especial, um pesadelo da população”, afirma Tulio Lichtenstein

Cheque especial, vilão ou mocinho? Esse foi o tema central do TL News desta quarta-feira, 1º de junho, com o empresário e diretor da Express Soluções Financeiras, Tulio Lichtenstein.

Nos últimos programas ficamos sabendo que o cartão de crédito sempre foi um grande vilão da população, “mas o cheque especial continua amedrontando e sendo um pesadelo da população”, disse Lichtenstein. O empresário realizou um levantamento tendo como fonte o Banco Central, dados publicados no mês de maio. “Realizei a pesquisa em quatro instituições, duas delas privadas e duas estatais, nenhuma cooperativa de crédito encontra-se nesta pesquisa. A menor taxa de juros do cheque especial é de 8,64% ao mês e a maior, chegou em 15,04%, quase o dobro. A média no ano é 140%, como alguém que utiliza de forma rotineira o cheque especial vai conseguir cobrir seu limite?”, questionou.

O “x” da questão é que muitas pessoas utilizam o cheque especial por ser uma linha de fácil acesso, pré-aprovada que o banco disponibiliza desde a abertura da conta corrente, mesmo sem ter solicitado. “Na cesta de produtos já tem cheque especial, seja ele de R$500, R$1000 ou R$5000. Para a pessoa física o limite está em R$3000. Um assalariado que tem um limite de R$3000 ao mês, paga 8 a 9% de juros, quanto isso já sai refletindo no seu orçamento mensal? Muito!”, afirmou.

Tulio Lichtenstein tem mais de 22 anos de experiência no mercado financeiro e já presenciou diversas situações de uso indevido do cheque especial. “Alguns casos são de assustar. Quando o trabalhador ou aposentado, se deslocava até o banco para sacar o seu salário e já não tinha mais nada, somente o limite do cheque especial coberto. Automaticamente obrigava a pessoa sacar novamente o seu limite para poder dar o giro e seguir a mesma roda gigante. Além do juro mensal, há também os encargos e aí, fica difícil pagar luz, água, aluguel, fazer as compras do mês e honrar outros compromissos”, relatou.

Para Lichtenstein o cheque especial tem que ser usado de forma racional, não como renda. “O cheque especial bem utilizado é excelente, exemplo, se você recebe no dia cinco mas tem uma conta para pagar no dia primeiro, pode utilizar o cheque especial nessa fração de dias e regularizar sua situação”, disse.

IPTU e IPVA

Atualmente, existem muitas linhas que podem ser a saída do “sufoco” antes do cheque especial para pagar IPTU, IPVA e compromissos mensais. Mas, conforme Lichtenstein boa parte da população acaba caindo no limite do cheque especial, pois já está aprovado, não há necessidade de ir até a instituição financeira, falar com o gerente e então, cai na tentação. “Hoje existe crédito pessoal, parcelado, consignado, capital de giro para empresas, crédito rotativo, a própria linha de descontos de cheques e duplicatas em ascensão no mercado, como uma solução. Quando você coloca o cheque especial como parte da sua renda, um mês é bom, mas no mês seguinte você acaba tendo que utilizar todo o seu limite novamente para poder sobreviver mais um mês”, finalizou.

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