Acostumados a conduzir a formação em sala de aula, desta vez foram os professores que ocuparam as carteiras para ouvir e aprender. Mesmo sob forte chuva, cerca de 450 educadores de 16 municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina participaram, nesta terça-feira (21) à noite, da palestra do escritor e psicólogo Ilan Brenman no CTG Sentinela da Querência, em Erechim. O evento integrou o ciclo de formação continuada dos programas A União Faz a Vida e Cooperativas Escolares, desenvolvidos pela Sicredi UniEstados junto às escolas e comunidades da região.
Reconhecido nacionalmente por sua atuação na literatura infantojuvenil, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura Infantil em 2024 com o título Cabo de Guerra, Brenman dirigiu a palestra “O desafio de educar na era digital”. O intuito foi promover reflexões sobre o impacto das tecnologias no desenvolvimento de crianças e adolescentes, a importância da leitura e das narrativas, o fortalecimento das relações humanas e o papel dos educadores em um mundo cada vez mais conectado. O presidente da Sicredi UniEstados, Adelar José Parmeggiani, e o vice-presidente, Luis Carlos Caramori, também participaram do encontro, sinalizando o compromisso da cooperativa com a educação e a formação continuada de educadores.
Ao longo de sua fala, Brenman chamou atenção para os obstáculos impostos pelo uso excessivo de telas e redes sociais, especialmente entre crianças e jovens. Segundo ele, os impactos podem se dar em aspectos fundamentais do desenvolvimento humano, como atenção, autocontrole e capacidade de concentração: “O uso excessivo de celulares e redes sociais tem atrasado o desenvolvimento do autocontrole das crianças e dos jovens. Por isso nunca tivemos tanta dificuldade de concentração e tanta indisciplina nas salas de aula”, afirmou.
O escritor também abordou a importância do repertório cultural e da linguagem na formação das novas gerações. Para ele, a escassez de palavras e de experiências significativas tem reflexos diretos na criatividade, na convivência social e na forma como crianças e adolescentes lidam com adversidades e frustrações: “Quanto mais palavras, mais histórias, mais repertório. A violência que vemos hoje também tem relação com a falta de palavras para expressar sentimentos, conflitos e frustrações”.
A leitura e a contação de histórias, por sua vez, foram apontadas como ferramentas muito ricas para o desenvolvimento humano. Em uma passagem curiosa, Brenman utilizou a metáfora da “carne de língua” – a contação de histórias, a narração – como “alimento da alma e do espírito”: “As histórias fazem muito bem para bebês, crianças, jovens, adultos e idosos. No mundo em que vivemos hoje, elas são uma das ferramentas mais poderosas de transformação”.
Durante entrevista concedida antes do evento, Brenman defendeu o uso consciente da tecnologia e ressaltou que o debate não deve girar em torno de proibir ferramentas digitais, mas de estabelecer limites e preservar experiências essenciais ao desenvolvimento infantil: “A tecnologia bem utilizada é uma coisa muito bacana. A questão é o uso que fazemos dela. O uso excessivo de telas tem trazido impactos reais para o desenvolvimento das crianças e dos jovens”.
Outra mensagem reforçada pelo autor foi a importância do exemplo dos adultos: “Se você quer que seu aluno seja leitor, você precisa ser leitor. Se você quer que seu filho leia, ele precisa ver um livro na sua mão. Somos modelos o tempo inteiro”, ressaltou aos educadores presentes.
A coordenadora pedagógica da Escola Municipal de Ensino Fundamental Paiol Grande, de Erechim, Elisandra Maria Marcon Sbardelotto, destacou o significado da iniciativa do Sicredi para os profissionais da educação: “É um sentimento de valorização, porque é uma pessoa que tem um conhecimento muito vasto, que vem somar e acrescentar às nossas vidas uma oportunidade de novos aprendizados e conhecimentos”.
Já Neiva Mioto, coordenadora local do programa A União faz a Vida em Severiano de Almeida, ressaltou os reflexos das formações na rotina das escolas: “Para nós é muito importante, porque temos novas oportunidades de aprendizado e momentos diferentes também para os alunos, com atividades mais dinâmicas e criativas. Tudo o que vem do programa nos incentiva e contribui para ampliar o aprendizado”.
Os programas A União Faz a Vida e Cooperativas Escolares desenvolvem ações voltadas à formação de educadores e estudantes, tendo como base princípios como cooperação, protagonismo, cidadania e aprendizagem por meio da experiência. A apresentação de Ilan Brenman integrou esse propósito, promovendo uma reflexão sobre os desafios contemporâneos da educação e reforçando a importância da leitura, da escuta, da convivência e das relações humanas em uma era cada vez mais digital.
Por Assessoria de Comunicação

