Fecomércio-RS apresenta os resultados da Sondagem do Segmento de Varejo de Moda

A Fecomércio-RS divulgou os resultados da Sondagem do Segmento de Varejo de Moda, realizada entre os dias 27 de maio e 06 de junho, com 385 estabelecimentos do Rio Grande do Sul optantes pelo Simples Nacional. O perfil das empresas revela um setor composto majoritariamente por negócios consolidados, com 55,6% das empresas atuando há mais de dez anos e apenas 6,0% possuindo menos de um ano de atividade. A operação com equipes reduzidas segue predominando, já que 56,1% dos estabelecimentos contam com até três pessoas trabalhando. O segmento de vestuário feminino representa a maior parcela da amostra, com 56,4% dos respondentes.

Na gestão dos negócios, o uso de ferramentas de controle segue amplamente difundido. Entre os entrevistados, 88,1% afirmaram utilizar sistemas informatizados tanto para vendas quanto para estoques. Além disso, 91,2% acompanham o desempenho dos produtos pelo menos mensalmente, com destaque para os monitoramentos mensais (29,1%), diários (28,3%) e semanais (27,3%). A formação de preços continua fortemente baseada nos custos, com 48,8% adotando margem fixa sobre o custo geral dos produtos e 35,3% utilizando margens diferenciadas por categoria. O ambiente digital também permanece relevante para as estratégias comerciais, uma vez que 85,5% realizam publicações em redes sociais e 49,9% utilizam anúncios pagos em mídias digitais; 72,7% investem em vitrines bem elaboradas.

Em relação à situação financeira, os resultados apontam um cenário de relativa estabilidade. Para 47,0% dos empresários, a situação financeira atual é classificada como boa ou muito boa, enquanto 43,4% a consideram regular. A separação entre as finanças da empresa e dos sócios é uma prática consolidada para 77,1% dos entrevistados. Apenas 7,8% realizam análises financeiras com baixa frequência. Além disso, 58,4% informaram não possuir empréstimos ou financiamentos ativos.

Mesmo após mais de dois anos das enchentes de maio de 2024, os efeitos do evento climático ainda permanecem presentes para parte relevante do setor. Dentre aqueles que relataram impactos (56,4%), apenas 37,3% consideram ter se recuperado totalmente, enquanto 34,6% afirmam ter recuperado apenas parte das perdas e 12,4% dizem não ter conseguido se recuperar. Entre as empresas que ainda enfrentam consequências das enchentes, os principais efeitos remanescentes são a redução do faturamento (61,8%), a perda de clientes (52,2%) e as dificuldades financeiras (31,6%).

Na avaliação do desempenho recente, menos de um terço (31,7%) avaliaram o período como bom ou muito bom, enquanto 68,4% das empresas classificaram as vendas dos últimos seis meses como regulares (40,8%), ruins (17,7%) ou muito ruins (9,9%), frustrando a maior parte dos varejistas de moda. Para 63,1% dos empresários, as vendas ficaram abaixo das expectativas, ao passo que apenas 5,2% afirmaram ter superado o desempenho esperado. Entre os principais desafios internos enfrentados pelos negócios destacam-se a gestão de pessoas (34,8%), o marketing (25,5%) e a fidelização dos clientes (25,2%). Já no ambiente externo, a carga tributária aparece como principal preocupação para 64,2% dos respondentes, seguida pela concorrência com sites e plataformas estrangeiras (37,7%) e pelas mudanças no comportamento do consumidor (19,0%). “As dores apontadas pelos empresários na sondagem estão em linha com o que se esperaria do ambiente macroeconômico desafiador da conjuntura atual, com taxas de juros elevadas e perda de tração da atividade econômica. Além disso, pesam desafios que são particulares ao setor, como o aumento da concorrência internacional, após medidas governamentais recentes que distorceram ainda mais a nossa condição de competitividade interna”, avaliou o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn.

Apesar das dificuldades observadas no desempenho recente, as expectativas para as vendas nos próximos meses permanecem moderadamente positivas, embora isso não reflita na disposição para realizar novas contratações ou investimentos. Em relação aos próximos seis meses, 52,2% acreditam em melhora das vendas e 36,1% esperam manutenção do atual patamar. A maioria pretende manter o quadro de funcionários (66,5%) enquanto 63,5% não planejam investir na empresa nos próximos 6 meses. A avaliação do quadro econômico prevalece a expectativa de estabilidade (45,5%) para a economia gaúcha, enquanto para a economia brasileira há um viés de piora (43,1%). Para o Dia dos Namorados, data anterior à realização da pesquisa, 45,5% das empresas esperavam vendas melhores ou muito melhores do que as registradas na mesma data do ano anterior, enquanto 36,4% projetavam estabilidade, e apenas 18,1%, piores ou muito piores. Veja a Sondagem completa.

Por Assessoria de Comunicação

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