O Programa Panorama Regional recebeu nesta quinta-feira (28) a Princesa da Etnia Alemã da Frinape 2024, Laura Schneider Wermann, e a representante da etnia alemã em Erechim, Marlei Carmem Reginatto Klein. Durante a entrevista, elas compartilharam experiências vividas durante a Frinape 2024 e abordaram a trajetória histórica da imigração alemã no município.
Laura destacou que receber o convite para representar a etnia alemã durante a feira foi motivo de grande orgulho. Segundo ela, a experiência proporcionou não apenas a oportunidade de representar suas origens, mas também de aprofundar seus conhecimentos sobre a cultura e a história de seus antepassados, com o auxílio de Marlei.
“Foi uma honra representar a minha etnia durante a Frinape 2024 e dividir essa trajetória com a Dona Marlei. Ter a oportunidade de aprender com ela foi um presente na minha vida. Eu não tinha noção de todas as portas que se abririam e de quantas experiências agregariam à minha formação pessoal”, afirmou Laura.
A princesa também ressaltou os aprendizados adquiridos ao longo do período, como a convivência com novas pessoas, a organização de compromissos e a responsabilidade de transmitir conhecimentos sobre a cultura alemã à comunidade.
Outro tema abordado foi o traje utilizado pela representante da etnia durante a feira. O vestido foi desenvolvido com o objetivo de unir tradição e inovação, trazendo as cores preto, vermelho e dourado, que remetem à bandeira da Alemanha. Os detalhes bordados conferiram sofisticação à peça, mantendo as referências culturais características da etnia.
Durante a entrevista, Marlei relembrou aspectos da chegada dos imigrantes alemães ao Rio Grande do Sul. Os primeiros colonizadores desembarcaram no estado em 1824 e se estabeleceram inicialmente em São Leopoldo. Eles contribuíram significativamente para o desenvolvimento econômico e social da região, introduzindo atividades artesanais em couro, madeira e fibras, que posteriormente impulsionaram o surgimento de importantes indústrias gaúchas.
Além disso, os imigrantes foram responsáveis pela criação de escolas para suas crianças, espaços que também serviam para encontros comunitários, celebrações religiosas e atividades culturais. Nos finais de semana, eram comuns as festividades com bandinhas, corais e as tradicionais festas de Kerb, evidenciando o forte espírito associativo da comunidade alemã.
Marlei destacou ainda que, em determinados períodos da história de Erechim, cerca de 25% da população era composta por descendentes de alemães. Entre as contribuições deixadas pela comunidade está a participação na criação do Centro Cultural 25 de Julho. Também partiu dos descendentes alemães a iniciativa de formar a atual Orquestra de Concertos de Erechim, já que o aprendizado musical sempre esteve fortemente presente na cultura germânica. No local também eram promovidas aulas de língua alemã e festividades tradicionais.
Em 2024, Laura e Marlei receberam uma homenagem em Erechim pelos 200 anos da imigração alemã no Rio Grande do Sul. A celebração ocorreu no Clube do Comércio e foi idealizada pelo presidente do Sindilojas. Neste mesmo ano, o Governo do Estado instituiu oficialmente o Ano da Cultura Alemã em reconhecimento ao bicentenário da imigração.
A representante da etnia também explicou que a cultura alemã possui três símbolos que representam sua contribuição histórica: a torre, que simboliza as construções; a chaminé, que representa as indústrias; e a flor, que remete ao cuidado e ao apreço dos alemães pela jardinagem e pela preservação da beleza dos ambientes. Esses elementos refletem os valores que nortearam o trabalho dos imigrantes no Rio Grande do Sul.
Ao definir sua experiência como princesa da etnia, Laura resumiu a trajetória em duas palavras: gratidão e conexão.
“Vivemos conexões entre culturas e pessoas. Sou muito grata por tudo o que vivi. Foi um período excepcional”, destacou.
Por fim, Marlei relembrou atividades desenvolvidas pela etnia durante edições anteriores da Frinape.
“Nas salas do Polo da Cultura, mantínhamos restaurantes com gastronomia alemã durante os dias da feira, permitindo que os visitantes conhecessem nossos pratos típicos. Também realizávamos festivais de cuca no município. Lembro de uma edição em que havia uma fila de quase cinco mil pessoas aguardando para adquirir a sua. Com o passar do tempo, porém, a mudança da mestre-cucaqueira e a redução do número de integrantes da etnia no município fizeram com que essas atividades fossem gradualmente encerradas”, recordou.
Ao final da entrevista, Laura e Marlei agradeceram o espaço concedido pela Rádio Cultura e colocaram-se à disposição para futuras participações.
A entrevista foi gravada previamente e reproduzida durante o Programa Panorama Regional, uma vez que as convidadas não puderam participar ao vivo devido a compromissos pessoais.

