O endividamento das famílias brasileiras alcançou um patamar crítico, impulsionado pelo uso massivo de linhas de crédito com taxas de juros exorbitantes. A adesão crescente a modalidades caras, como o cartão de crédito rotativo, é um dos principais fatores.
Nos últimos 12 meses, o estoque de financiamentos em cartão de crédito disparou 16,1%, um ritmo similar ao do crédito pessoal não consignado. O destaque mais alarmante é o crédito rotativo, com juros médios que atingem estratosféricos 424,5% ao ano, registrando uma alta de 31% no período. Cerca de 40 milhões de usuários encontram-se nessa modalidade.
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Outros 37 milhões de consumidores utilizam o parcelamento de fatura, com taxas médias de 194,9% ao ano. O crédito não consignado, por sua vez, impacta aproximadamente 49 milhões de pessoas, com juros que se aproximam de 100% anuais.
Essa realidade pressiona diretamente o orçamento familiar: o comprometimento da renda com dívidas bancárias saltou de 27,5% para 29,2% em apenas um ano. Enquanto isso, linhas de crédito mais acessíveis, como o consignado – que beneficia cerca de 30 milhões de brasileiros com juros entre 22% e 51% ao ano –, têm visto sua demanda estagnar ou diminuir.
O uso intensivo desse crédito de alto custo, frequentemente para consumo imediato, acarreta em um aumento significativo da inadimplência e uma redução gradual da capacidade de consumo das famílias a longo prazo. Esse cenário complexo revela um desafio estrutural no acesso ao crédito, onde uma vasta parcela da população se vê enredada em ciclos de dívidas com custos elevadíssimos.