Inquérito sobre queda de balão que matou 8 em Praia Grande SC é arquivado sem indiciamentos
Polícia Civil conclui que não há provas de ação ou omissão humana que causou o incêndio fatal; tragédia em junho de 2025 vitimou pessoas de várias cidades de SC e do RS
O inquérito policial que apurava as causas do acidente com um balão de ar quente que matou oito pessoas e deixou treze feridas em Praia Grande, no dia 21 de junho de 2025, foi arquivado pela Polícia Civil de Santa Catarina sem que nenhum indiciamento fosse formalizado, incluindo o piloto da aeronave. A conclusão, baseada em laudos periciais, é de que as provas não comprovaram que uma ação ou omissão humana, intencional ou por negligência, tenha causado o incêndio que levou à queda.
A tragédia, que chocou o estado, ocorreu poucos minutos após a decolagem do balão para um passeio turístico. Testemunhas relataram na época que as chamas consumiram a estrutura rapidamente, culminando em uma queda fatal.
A investigação, coordenada pelo delegado Rafael de Chiara, titular da Delegacia de Polícia de Santa Rosa do Sul, contou com o apoio de outras unidades da região e de órgãos periciais. Em entrevista, o delegado explicou a decisão. “O relatório final aponta que as provas técnicas e testemunhais não foram suficientes para caracterizar dolo ou culpa de qualquer pessoa envolvida na operação do balão. O incêndio foi tratado como um evento fortuito, cuja causa específica não pôde ser atribuída a uma falha humana identificável”, afirmou Chiara.
As vítimas da tragédia
O acidente ceifou a vida de pessoas de diferentes regiões, unidas pela fatalidade durante o passeio. Entre os mortos estavam:
- Fábio Luiz Isycki, 42 anos, bancário, natural de Barão de Cotegipe (RS). Ele estava no passeio ao lado da namorada, Juliane Jacinta Sawicki, 36 anos, de Carlos Gomes (RS), que também não resistiu.
- Três moradoras de Concórdia (SC) de uma mesma família: a mãe, Leane Elizabeth Herrmann, e uma de suas filhas, Leise Herrmann Parizotto, faleceram. A outra filha, Leciane Herrmann Parizotto, sobreviveu, mas ficou ferida.
- Andrei Gabriel de Melo, médico oftalmologista de Fraiburgo (SC).
- Leandro Luzzi, técnico de patinação.
- O casal Everaldo da Rocha e Janaina Moreira Soares da Rocha, de Joinville (SC).

Investigação e Conclusão
Com o arquivamento do inquérito, o caso judicialmente chega ao fim na esfera criminal, a menos que o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) recorra da decisão e apresente novas provas. Para as famílias das vítimas, resta o consolo da memória de seus entes queridos e a possibilidade de buscar reparação por meio de ações na esfera cível, onde a responsabilidade civil pode ser analisada sob outros parâmetros, independentemente da existência de culpa criminal.
A tragédia em Praia Grande reacendeu, na época, o debate sobre a regulamentação e a segurança dos passeios de balão no país, um questionamento que permanece após o encerramento das investigações policiais.
Por: Edson Machado da Silva
Fonte: G1

