Em entrevista ao programa TL News, na Rádio Cultura, na manhã desta quarta-feira (01), o comentarista de economia Túlio Liechtenstein fez um balanço do mercado financeiro no encerramento de setembro e traçou perspectivas para o último trimestre de 2025. Com o pano de fundo de um ano que classificou como “muito desafiador em todos os sentidos”, Liechtenstein destacou a resiliência dos negócios e os movimentos recentes das principais cotações.
“O setor da Economia é o que nos move. Decisões financeiras impactam diretamente na nossa vida, economia, custo de vida, custo de produção e faturamento das empresas”, iniciou o Liechtenstein.
O “boom” de outubro e novembro e a calmaria de dezembro
Segundo Liechtenstein, a Express, empresa do grupo, costuma tratar o último trimestre como “3 meses dentro de dois”. “Outubro e novembro é onde as coisas acontecem. Em dezembro, os negócios começam a se acalmar, os investimentos já foram feitos durante o ano, e é um mês de fechamento e ajustes”, explicou, enfatizando que ainda há muita coisa que pode ser feita antes do encerramento do ano.
2025: Um ano de desafios históricos
O comentarista foi enfático ao caracterizar 2025. “Este ano foi mais desafiador em todos os sentidos e em todos os segmentos, como foram os anos pós-pandemia, mas este mais ainda em função de um cenário de alta taxa de juros”, analisou.
Ele fez uma comparação com 2023 e 2024, anos que, embora desafiadores, tiveram uma taxa básica de juros “mais estabilizada, não tão alta, acima dos dois dígitos, mas nunca nos 15%”. “Tínhamos a volatilidade do dólar, fatores externos, mas a inflação era mais controlada. As coisas fluíam com mais facilidade”, ponderou.
Além do custo do crédito, Liechtenstein citou a inflação “acima de 5%, algo que nos últimos 10 anos não se tinha visto”, e os fatores políticos que começam a ganhar espaço nas discussões. Apesar do cenário adverso, ele enalteceu a garra do setor produtivo: “A gente vê a garra do nosso povo de não desanimar, não se frustrar e não deixar de correr atrás. Muitos segmentos estão em ascensão, mostrando a persistência, força e otimismo do nosso povo”.
Os números do fechamento de setembro
O comentarista detalhou como os principais indicadores encerraram o mês:
- Câmbio: O dólar comercial fechou em R$ 5,32, e o turismo, em R$ 5,70. “Já está bastante equilibrado na casa dos R$ 5,30, que deve ser o novo patamar para os próximos meses”, projetou, atribuindo a valorização do real ao corte de juros nos EUA, que atraiu investidores estrangeiros para o Brasil. O Euro segue no mesmo patamar, cotado a R$ 6,24 (comercial) e R$ 6,70 (turismo).
- Bitcoin: Após três semanas negociando abaixo de R$ 600 mil, a criptomoeda apresentou alta. “Ontem subiu 2,20% e hoje já está cotado em torno de R$ 616 mil. É uma correção de mercado, vai existir essa volatilidade. Quem tem apetite para o risco pode aproveitar, lembrando sempre da diversificação de carteira”, recomendou.
- Bolsa de Valores: O índice Bovespa encerrou setembro em 146.200 pontos. “Saímos daquela fase do ano inteiro de 115, 120 ou 130 mil pontos, e ele se mantém acima dos 140 mil. Isso mostra que muitas empresas brasileiras estão começando a chegar ao seu valor real de mercado”, comemorou. Apesar do avanço, ele acredita que o potencial é maior: “Como sempre comentamos, poderia estar aí nos 170, 180, 200 mil pontos, mas está nesse caminho. Acredito que no próximo ano deverá ficar acima do que foi trabalhado em 2025”.
- Juros: A taxa básica de juros (Selic) permanece em 15% ao ano, conforme a última decisão do Copom.
A análise de Túlio Liechtenstein reforça a percepção de um mercado em transição, enfrentando ventos fortes de juros e inflação, mas navegando com base na recuperação de ativos e na perseverança dos investidores e empresários brasileiros.
Por: Edson Machado da Silva

