Temporal de Granizo e Ventos Fortes Atinge o Alto Uruguai no Último Domingo de Inverno

Estrada interditada, casas destelhadas e prejuízos na lavoura de trigo marcam a passagem de uma forte célula de tempestade pela região; não há registro de vítimas

O inverno no Alto Uruguai gaúcho se despediu com violência neste domingo, 21 de setembro. Uma intensa célula de tempestade varreu a região, trazendo chuva torrencial, ventos fortes e granizo de grande porte, causando transtornos e danos materiais em múltiplos municípios.

A tempestade concentrou sua fúria sobre cidades como Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, Sertão, Coxilha, Gaurama, Viadutos, Erval Grande, São João, São Valentin, Erebango, Jacutinga, Ponte Preta, Barão de Cotegipe, Severiano de Almeida e Erechim. Na Linha Auxiliadora, em Aratiba, e na Área Indígena do Votouro, o fenômeno também foi registrado com intensidade.

(Foto: Leandro – Divulgação)

Os ventos foram de tal magnitude que arrancaram árvores pela raiz, que, por sua vez, causaram interdições viárias. Na comunidade Auxiliadora, em Aratiba, a RS-420 precisou ser parcialmente interditada após quedas de árvores bloquearem uma das pistas. Em diversas cidades, houve registros de casas destelhadas pela força do vendaval.

Granizo de Grande Porte Impressiona Moradores

(Foto: Mateus Stieven)

O aspecto que mais chamou a atenção da população foi o tamanho das pedras de granizo. Relatos de moradores de várias localidades indicam que o gelo atingiu proporções incomuns para a região, aumentando os danos a telhados, veículos e plantações.

Prejuízos se Estendem à Agricultura

(Foto: Fecoagro Divulgação Jornal Boa Vista)

Além dos estragos imediatos, técnicos alertam para um prejuízo silencioso e de longo prazo: o impacto na lavoura de trigo. A sequência de instabilidade climática, com chuvas persistentes e sem a incidência de sol, cria um ambiente ideal para o desenvolvimento de doenças fúngicas.

“Essa instabilidade do tempo inspira maiores cuidados com doenças como a giberela e  manchas foliares”, explicou um técnico agrícola Márcio Dal Pizzol. A giberela, em especial, é uma doença grave que pode comprometer severamente a qualidade e a produtividade do grão.

Trabalho Intenso das Equipes de Resgate

(Foto: Ronaldo Manica – Força Voluntária do Alto Uruguai)

As forças de segurança e de emergência tiveram uma noite de trabalho intenso. Bombeiros, Força Voluntária e Defesa Civil atenderam a dezenas de chamados durante a madrugada de domingo para segunda-feira. As equipes continuam nas ruas nesta segunda-feira fazendo o rescaldo dos estragos, auxiliando a população e avaliando os danos totais.

Apesar da magnitude do temporal, a notícia mais aliviadora é que não há registro de vítimas feridas em decorrência da tempestade. Os prejuízos, até o momento, são exclusivamente materiais.

A Defesa Civil municipal e estadual permanecem em alerta e orientam a população a evitar transitar por áreas com risco de queda de árvores ou fiações e a buscar abrigo seguro em caso de novas tempestades.

Primavera chega ao Alto Uruguai com previsão de menos chuva, mas alerta permanece

Estação inicia nesta segunda-feira (22) com a memória dos eventos extremos de 2023; alérgicos já sentem o incômodo típico do período.

A primavera entrou oficialmente nesta segunda-feira, 22 de setembro, trazendo uma previsão meteorológica mais amena para o Alto Uruguai, após um inverno que terminou com um violento temporal no domingo (21). A tendência para os próximos dias é de uma redução no volume e na intensidade das chuvas. No entanto, meteorologistas e a Defesa Civil fazem um alerta: a certeza de que não haverá novas tempestades não existe.

A memória recente da região ainda guarda os estragos da primavera e verão de 2023, quando chuvas torrenciais e enchentes atingiram diversas cidades. Os casos mais graves foram registrados em Barra do Rio Azul e Barão de Cotegipe, onde o transbordamento de rios causou danos significativos à infraestrutura e à agricultura. O evento serve como um lembrete de que a nova estação, conhecida pela transição do clima, pode ainda reservar eventos extremos.

“Com a primavera, temos uma configuração atmosférica diferente, que realmente indica uma diminuição das chuvas generalizadas. No entanto, é uma estação de transição, onde o calor começa a aumentar e pode formar temporais localizados, mesmo sem a frequência do inverno. A população deve manter-se alerta aos avisos oficiais”, explica um meteorologista.

O Incômodo dos Alérgicos é Certo

(Foto: Sirley Ioppi – Jornal Boa Vista)

Se a possibilidade de tempestades é uma incerteza, o incômodo para os alérgicos é a garantia da estação. A primavera é um período particularmente desafiador para quem sofre com rinite alérgica. A polinização das flores e o aumento da circulação de poeira no ar, devido a dias mais secos e ensolarados, “castigam muita gente”, como relatam as UBSs.

(Foto: Sirley Ioppi – Jornal Boa Vista)

Muitos pacientes já começam a chegar com crises de espirro, coriza, coceira no nariz e nos olhos. É um período crítico que se estende até o início do verão. A recomendação é que as pessoas mantenham os ambientes arejados, mas evitem a exposição prolongada em jardins ou locais com muito pólen no início da manhã e no final da tarde, horários de pico.

Enquanto isso, as equipes de Defesa Civil seguem monitorando os rios da região e a previsão do tempo, na expectativa de que a primavera de 2025 seja marcada mais pelas flores e pelo calor ameno do que por novos desastres naturais.

Por: Edson Machado da Silva

Fonte: Defesa Civil – Força Voluntária do Alto Uruguai e Bombeiros

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