Uma em cada três crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos no Brasil tem excesso de peso, de acordo com um levantamento nacional com base nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS) no país. Já no Rio Grande do Sul, segundo o ImpulsoGov, cerca de 40% das crianças estão em situação de sobrepeso. E os dados alarmantes geram preocupação e um alerta da Sociedade Gaúcha de Gastroenterologia (SGG).
De acordo com a entidade, o mês de setembro é extremamente relevante para a conscientização sobre o tema, já que o dia 22 é marcado pelo Dia Nacional da Saúde de Jovens e Crianças. “Estamos em um período do ano em que aumentamos os alertas para o tema. O excesso de peso na juventude traz muitos riscos, podendo se traduzir em doenças crônicas precocemente”, afirma o presidente da Sociedade Gaúcha de Gastroenterologia, Dr. Guilherme Sander.
A obesidade representa um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. De acordo com projeções do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), sua prevalência poderá atingir 30% da população adulta brasileira até 2035, gerando impacto econômico substancial nos sistemas de saúde, especialmente na saúde suplementar. De acordo com o Dr. Guilherme Sander, um dos motivos disso é “o alto consumo de ultraprocessados, de bebidas adoçadas e embutidos”.
Novas regras do Conselho Federal de Medicina ajudam no combate a obesidade
O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em maio, novas normas para a cirurgia bariátrica. A intervenção é usada como tratamento da obesidade e de doenças relacionadas. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), entre 2020 e 2024, o Brasil realizou 291 mil cirurgias.
Dentre as novidades apresentadas pelo CFM, foi divulgada uma técnica menos invasiva que a cirurgia: a endo estrutura gástrica. “Ela é ideal para aqueles pacientes que estão com medo, com receio de fazer a cirurgia bariátrica ou que não têm uma indicação formal para um procedimento agressivo. Temos a opção endoscópica, em que o paciente perderá, em média, de 17% a 20% do seu peso, com uma técnica bem menos agressiva”, informa Sander.
Atualmente, indivíduos com IMC entre 30 e 35 podem ser elegíveis para a cirurgia bariátrica. Anteriormente, o procedimento era restrito a IMCs mais elevados, salvo exceções específicas. É importante lembrar que o IMC é calculado dividindo-se o peso em quilos pela altura ao quadrado. Um IMC entre 25 e 29,9 indica sobrepeso, enquanto acima de 30 é classificado como obesidade grau I.
No caso de adolescentes, com as novas regras, pacientes a partir dos 14 anos de idade podem fazer a cirurgia. Para isso, no entanto, eles precisam se enquadrar em casos graves de obesidade, com IMC acima de 40, que leve a complicações de saúde. Antes, a idade mínima era 16 anos.
Segundo Sander, para o adolescente nessa faixa etária realizar a cirurgia, é essencial apresentar algumas comorbidades. “Para adolescentes entre 14 e 16 anos, a cirurgia é permitida com o consentimento dos pais em casos muito graves de obesidade. A mudança da regra é que, a partir de agora, valem as mesmas indicações do paciente adulto. Portanto, agora, a partir dos 16 anos, as regras são as mesmas dos adultos, e de 14 a 16 anos, em casos extremos, o que antes era vedado”, explica o especialista.
Gastroplastia Endoscópica: procedimento é outra opção
A gastroplastia endoscópica passa a ser um dos principais métodos de tratamento da obesidade no Brasil. Com resolução nº 2.429/2025 do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada em maio deste ano, a inclusão da técnica representa um marco na medicina bariátrica brasileira. Utilizando um dispositivo acoplado ao endoscópio para a realização de uma sutura, o procedimento tem uma eficácia comprovada em redução de peso, além de melhor do controle glicêmico, melhora da hipertensão e do colesterol. Em comparação das cirurgias bariátricas tradicionais apresenta menor risco, menor tempo de recuperação, sem necessidade de internação e não altera a absorção de ferro e vitaminas.
O procedimento utiliza tecnologia de ponta que permite a redução do volume gástrico através de sutura interna, feita exclusivamente por via endoscópica. De forma segura, a gastroplastia emprega o OverStitch®, dispositivo que possibilita a realização de suturas precisas no interior do estômago sem necessidade de incisões externas, utilizando apenas a via natural oral.
“Essa técnica representa um divisor de águas no arsenal terapêutico contra a obesidade, pois assegura a perda na faixa de 20% do peso total sem cortes, em um procedimento ambulatorial, permitindo o retorno do paciente à vida normal e ao trabalho em três dias. Além disso, a gastroplastia é preferível em jovens por ser mais segura e não alterar a absorção de vitaminas e medicamentos, como ocorre em outras técnicas cirúrgicas”, explica o Dr Guilherme Sander, presidente da Sociedade Gaúcha de Gastroenterologia (SGG).
Sobre o Dr. Guilherme Sander
Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1997, o Dr. Guilherme Sander fez residências médicas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e, em 2002, foi aprovado como especialista em gastroenterologia. Com mais de 100 trabalhos publicados e 975 citações em artigos científicos internacionais, Sander é hoje um dos 42 médicos do Brasil que podem realizar a cirurgia de Gastroplastia Endoscópica. Atualmente, ainda é sócio titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia e gestor da Unidade de Saúde Digestiva do Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, além de médico executivo da Comissão de Medicamentos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre desde 2004.
Por: Martha Becker Comunicação Corporativa

