Em sua participação semanal no “TL News”, na Rádio Cultura FM, na manhã desta quarta-feira (17), o empresário e diretor da Express Soluções Financeiras, Tulio Lichtenstein, traçou um panorama do mercado financeiro no último período útil do ano, destacando eventos da véspera que acenderam um “alerta” para 2026. Antes da análise, ele agradeceu ao público pelo acompanhamento do espaço ao longo do ano, que se consolidou como referência no setor.
“O TL News já carrega a sua marca na questão do mercado financeiro. Muita gente tem nos acompanhado e no dia a dia escutamos relatos de amigos que tomam muitas decisões baseadas nas nossas informações”, comentou Lichtenstein.
O diretor pontuou que esta é a última semana de funcionamento pleno do mercado em 2025, já que na próxima começam os feriados e os sistemas financeiros entram em ritmo diferenciado. No entanto, ele chamou a atenção para movimentos recentes que geraram preocupação.
Ata do Copom e pesquisa derrubam bolsa
O principal balanço, segundo Lichtenstein, veio na terça-feira (16), com a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e de uma pesquisa da consultoria Quest.
“Ontem saiu a Ata do Copom com um tom bem duro, bem firme, isso sim impactou muito o mercado”, afirmou. O reflexo foi imediato: o índice Ibovespa caiu 2,5%, fechando o dia em 158 mil pontos.
Lichtenstein reafirmou uma previsão que vem mantendo há mais de 60 dias: o tão esperado corte da Taxa Selic não ocorrerá nem em 2025, nem em janeiro de 2026. Ele criticou a pressão de parte de economistas, bancos e da mídia por um possível início do ciclo de redução já no primeiro mês do ano.
“Fomos bem assertivos com relação à manutenção da Taxa de Juros nesse patamar… informamos há mais de 60 dias que o corte de juros, tão esperado pela população, não iria acontecer neste ano e nem em janeiro de 2026”, disse.
Previsão mantida: corte só a partir de março
Diante do cenário, o diretor da Express Soluções Financeiras manteve sua projeção de que os cortes só devem começar a partir de março de 2026, e de forma moderada.
“O que eu posso afirmar é que lá por março do ano que vem a gente pode ter 0,25% de corte, não acredito que irão postergar isso”, analisou. Ele justificou a estimativa lembrando do contexto eleitoral do próximo ano. “Todos nós sabemos do ano eleitoral que vem pela frente e a pressão vai aumentar ainda mais em 2026.”
Lichtenstein, no entanto, deixou uma “janela em aberto”, ponderando que ainda pode haver alguma alteração nesse cenário. O tom da ata do Copom, considerado rigoroso, reforçou a percepção de que o BC manterá a cautela no início de 2026, adiando a reação aos anseios do mercado por juros mais baixos.
A análise encerra o ciclo de 2025 do “TL News”, deixando um cenário de expectativa e atenção para os primeiros meses do próximo ano, quando as decisões de política monetária voltarão a dominar os holofotes em um ambiente de pressões econômicas e eleitorais.
Por: Edson Machado da Silva

