Prefeito Paulo Polis defende equilíbrio entre oferta de moradia e renda em programa Café com o Prefeito
Sobre o tema habitação, Polis destacou a construção de 4 mil unidades pelo Minha Casa Minha Vida, anunciou novos loteamentos e enfatizou a necessidade de revisão salarial para equilibrar o mercado imobiliário
O prefeito Paulo Polis participou, na manhã desta sexta-feira (10), do programa Café com o Prefeito e fez questão de iniciar falando sobre habitação. Durante a entrevista, fez um balanço das ações dos últimos anos, anunciou novas medidas e abordou um tema que, segundo ele, os empresários evitam: a necessidade de equilíbrio entre a oferta de imóveis e a renda da população.
Polis iniciou destacando a execução do programa Minha Casa Minha Vida no município. “Nos últimos quatro anos, vieram 4 mil novas habitações, somente do Minha Casa Minha Vida. Nenhuma cidade do porte de Erechim conseguiu colocar mais de 4 mil habitações só do programa, no período de 2021 a 2025”, afirmou.
Novos Loteamentos e a Lei da Oferta e Procura
Para atender a outras faixas da população, o prefeito enfatizou que a gestão municipal tem agilizado a aprovação de loteamentos privados. “Somente neste ano nós iremos aprovar e já está em andamento mais de 3 mil novos lotes urbanizados. Isso obviamente vai baixar o preço. Por enquanto ainda não ocorreu essa questão da oferta e da procura”, explicou, reconhecendo que o impacto no valor dos terrenos ainda não foi sentido pelo mercado.
Polis também anunciou uma expansão do perímetro urbano. “É um assunto muito importante e estamos abrindo o perímetro urbano para fazer, mais próximos aos distritos industriais, novos loteamentos.”
O “Tabu” dos Salários e a Distribuição de Lucros
O prefeito então mudou o foco para um tema que considera crucial: a renda do trabalhador. “Polis disse que quer chamar a atenção para um tema que os empresários não falam e eu, como poder público, preciso falar”, começou.
Ele argumentou que, de nada adianta loteamentos mais baratos se a “régua salarial” não for olhada de forma diferenciada. “Não estou defendendo somente o lado do funcionário, estou dizendo que deve haver um equilíbrio”, ponderou.
Polis citou como exemplo empresas que oferecem melhores salários e benefícios. “As empresas que hoje têm um salário melhor e distribuem renda no final do ano, não têm fila de espera para entrar. Será que as pessoas não perceberam isso? A empresa que dividir os lucros com os funcionários vai dar mais eficiência, mais agilidade, força de vontade no trabalho.”
Polis mencionou os programas de PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e PPR (Programa de Participação nos Resultados) como práticas já adotadas por médias e grandes empresas que melhoram a “régua salarial”.
Projeto para Renda Baixa
Anunciando uma medida concreta para a população de baixa renda, o prefeito revelou um projeto em andamento. “Este ano ainda, até o final do ano, vamos anunciar que teremos um loteamento específico, próximo aos distritos industriais, para renda de 1 a 3 salários mínimos, renda familiar até 5 mil reais.”
Segundo ele, a prefeitura entrará com a contrapartida do terreno, e o restante ficará a cargo das famílias, em um projeto que ainda depende de aprovação da Câmara de Vereadores.
Ao final, Polis fez um questionamento. “Por que Concórdia, vizinha de Santa Catarina, não fez? Anunciaram que iriam fazer e não fizeram… Na verdade, nem Chapecó e nem Concórdia fizeram, não estão fazendo, porque não é bem assim para fazer. Nós faremos em Erechim, mas com bastante estudos para que se possa cumprir com o que se promete.”
A fala do prefeito reforça a estratégia da gestão em atacar o déficit habitacional por dois vieses: estimulando a oferta privada de lotes para equilibrar os preços do mercado e intervindo diretamente, com parcerias, para a faixa de renda mais baixa, ao mesmo tempo em que pressiona o setor empresarial por uma melhor distribuição de renda.
Por: Edson Machado da Silva

