Estudantes do RS criam dispositivo portátil com IA para detectar câncer de pele

Alunos do Colégio João Paulo I (JPSul), de Porto Alegre, desenvolveram em sala de aula o SkinScan, que foi premiado na Mostratec (Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia).

Dois jovens de 17 anos desenvolveram em sala de aula um dispositivo portátil para detecção de câncer de pele com auxílio de IA (inteligência artificial) capaz de analisar lesões em segundos. O aparelho, batizado de SkinScan, apresenta 77% de precisão nos testes e rendeu à dupla do ensino médio premiação na Mostratec (Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia), a maior feira do segmento na América Latina.

O projeto nasceu no Colégio João Paulo I (JPSul), de Porto Alegre, quando Fernanda Gib, que estudava câncer de pele, encontrou no colega Arthur Duval o complemento ideal: ele havia desenvolvido um hardware funcional em uma oficina de robótica voltada para olimpíadas estudantis. Ao juntar pesquisa teórica e computação, criaram um equipamento portátil de cerca de 500 gramas materializado em impressora 3D, com lente, bateria, placa computacional e tela sensível ao toque.

Para detectar o câncer de pele, a inteligência artificial foi treinada com mais de 10 mil imagens de lesões benignas e malignas retiradas de bases públicas, como o portal Isic (International Skin Imaging Collaboration), uma parceria entre academia e indústria para usar imagens digitais da pele com o objetivo de ajudar a reduzir o câncer de pele.

Como ainda não têm autorização para ser testado em pessoas reais, o dispositivo escaneia imagens de lesões para analisá-las. O aparelho tira 12 fotos em sequência da lesão, envia ao sistema interno e, em aproximadamente dois segundos, apresenta se a imagem é suspeita ou não. A precisão atual é de 77%.

“O dispositivo não vai substituir o médico, mas pode funcionar como uma forma de triagem. Se houver suspeita de algo maligno, a pessoa segue para o profissional. Se não for nada, já evita preocupação. Esse tipo de tecnologia pode ajudar especialmente em unidades de saúde onde faltam médicos especialistas, preenchendo essa lacuna”, analisa o professor Giovane Irribarem de Mello, que coordena o Laboratório de Robótica do JPSul e coorientou o projeto ao lado da professora Maria Eduarda Dias.

Demonstração pública

O resultado impressionou os orientadores e a comunidade estudantil ao ser premiado com o segundo lugar na Mostratec, em Novo Hamburgo, em outubro. O Rio Grande do Sul é, historicamente, um dos Estados com maior incidência de câncer de pele no Brasil.

O SkinScan já teve demonstração pública e está em diálogo com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre. “Agora queremos entrar na fase de testes reais em pessoas e, quem sabe no futuro, levar o dispositivo para clínicas, para que ele possa ser realmente útil”, afirma Arthur.

O projeto se destaca no Dezembro Laranja, campanha nacional de prevenção ao câncer de pele, o tipo mais comum no Brasil, representando 30% de todos os tumores malignos diagnosticados. Mas, quando identificado no início, as chances de cura ultrapassam 90%, conforme o Ministério da Saúde.

Estímulo à inovação entre jovens

Para os orientadores, iniciativas como essa mostram que é possível incentivar jovens a inovar e encontrar novas soluções para problemas reais. “O projeto teve um impacto profundo na minha trajetória. Ele não apenas ampliou meu entendimento sobre iniciação científica e temas diretamente ligados às atividades desenvolvidas, mas também me trouxe aprendizados importantes sobre resiliência e persistência. Mesmo quando algo não sai como o esperado, é essencial seguir tentando, porque, com dedicação, as coisas acabam funcionando”, analisa a estudante Fernanda.

Como funciona o SkinScan

  1. O usuário posiciona o aparelho sobre a lesão.

  2. A lente interna captura uma sequência de 12 imagens.

  3. O computador processa os padrões em cerca de dois segundos.

  4. A IA compara a lesão com o banco de dados treinado.

  5. A tela exibe se a lesão é suspeita ou não.

  6. O aparelho funciona de forma portátil, com bateria recarregável.

Sobre o Colégio João Paulo I

Instalado no bairro Ipanema em 1993, na propriedade que pertenceu ao artista plástico Vasco Prado, o Colégio João Paulo I (JPSul), de Porto Alegre, é uma das escolas mais premiadas do Rio Grande do Sul com mais de 900 alunos. Nos dois últimos anos, lidera o ranking do Enem em Porto Alegre. Da Educação Infantil ao Ensino Médio, destaca-se por uma proposta pedagógica baseada no conhecimento, no trabalho, na autonomia e no afeto, envolvendo a família como parte fundamental do processo de aprendizagem.

Por Mérito Consultoria em Comunicação

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