Defesa Civil e Força Voluntária relatam operação de emergência após tempestade de granizo em Erechim

Coordenadores destacam trabalho conjunto, logística no GRAU e o uso de tecnologia para agilizar recursos federais em entrevista à Rádio Cultura FM

Na manhã desta segunda-feira (15), os coordenadores da Defesa Civil de Erechim, Vagner Manica, e da Força Voluntária do Alto Uruguai, Ronaldo Manica, participaram do programa Estúdio Boa Vista, da Rádio Cultura FM, para detalhar os esforços de resposta à severa tempestade de granizo que atingiu a cidade no dia 23 de novembro.

Em um relato abrangente, Ronaldo Manica descreveu a ação imediata desencadeada. Ao chegar a sede do GRAU (Grupo de Resposta a Atendimento de Urgência), que serviu como centro de operações, a equipe ativou seu plano de contingência e utilizou um estoque próprio de lonas. Para suprir a demanda massiva, foram acionados rapidamente fornecedores locais (Cassul e Andrevet) e contatado o empresário Boroski, que disponibilizou seu estoque. O material foi direcionado ao GRAU para distribuição.

“A fila começou com 50 pessoas e logo em seguida aumentou para 2 mil”, relatou Ronaldo, destacando a mobilização de numerosos voluntários que trabalharam sem parar, cortando e organizando as lonas. Ele enfatizou a importância crucial do pavilhão do GRAU, recentemente inaugurado, para a logística. “Se a sede da Força Voluntária e Defesa Civil estivesse no endereço anterior, no São Cristóvão, certamente não teríamos condições estruturais de atender”, afirmou. A equipe do SAMU também prestou apoio no local.

A primeira etapa da resposta, conforme explicado, foi a distribuição emergencial de lonas para proteção dos imóveis danificados. “Na primeira noite, ninguém dormiu, tocamos direto até o final do outro dia”, disse Ronaldo. Foram distribuídos 2.690 rolos de lona, volume que ele classifica como inédito no Rio Grande do Sul para uma operação desse tipo.

Posteriormente, iniciou-se a fase de entrega de telhas. A prioridade foram hospitais, escolas e Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Para a população, foi implementado um sistema de vouchers, com um teto máximo de 28 telhas por família. “Não passou nada fora do padrão”, garantiu Ronaldo, sobre o protocolo seguido.

Os coordenadores destacaram o trabalho conjunto e complementar das duas entidades. “Defesa Civil faz o trabalho burocrático enquanto que a Força Voluntária é quem vai a campo, é a parte operacional”, explicaram, ressaltando a força do voluntariado como essencial para a operação.

Um ponto crucial para a agilidade na obtenção de recursos foi o uso de tecnologia. Vagner Manica detalhou que a Defesa Civil Nacional foi acionada e realizou um levantamento minucioso dos danos. “Com um drone especial que gerou um mapa novo da cidade, com fotos automáticas”, explicou. Este mapeamento preciso foi fundamental para justificar e liberar recursos federais, permitindo a rápida aquisição das telhas de fibrocimento.

O trabalho de auxílio à população com a entrega do brasilit segue até quinta-feira. No entanto, ambos os coordenadores lembraram que as secretarias municipais ainda têm “um longo e árduo trabalho” pela frente na recuperação total da cidade. Eles agradeceram o apoio integral da Prefeitura através do Prefeito Paulo Polis e de todas as Secretarias Municipais, reforçando a mensagem de que a superação da crise foi possível graças a um esforço conjunto e organizado.

Por: Edson Machado da Silva

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