Após cinco horas de debates, MP pede réplica e júri será retomado às 10h desta sexta-feira

As defesas de Elissandro Spohr, Mauro Hoffmann, Luciano Bonilha Leão e Marcelo dos Santos se revezaram em 2h30min na fase dos debates orais no julgamento do processo da Boate Kiss.

O primeiro a falar foi o advogado de Kiko. Jader Marques disse aos jurados que pretendia derrubar a acusação de que Elissandro agiu com indiferença e desprezo pela vida. Afirmou que é mentira que a casa tinha lotação maior que 800 pessoas na época da tragédia.

O advogado argumentou que não há dolo eventual no caso do incêndio da boate Kiss. “Elissandro não assumiu o risco de produzir o resultado e não o aceitava”, porque não imaginava que seriam usados fogos de uso externo na boate na noite da tragédia. Ele pediu a desclassificação para outro crime, homicídio culposo, por exemplo.

“Queimou tudo e os amigos dele estavam lá dentro, e ele não conseguia tirar. Será que isso é alguém que olha e diz dane-se?” falou o defensor do empresário.

 

Tatiana Borsa a advogada de Marcelo de Jesus dos Santos, o vocalista da banda Gurizada Fandangueira foi a segunda a falar entre os advogados dos acusados. Ela pediu a absolvição do seu cliente.

Foi uma fatalidade, disse a Advogada, que é de Santa Maria. Ela criticou a inércia dos órgãos públicos. Defensora mostrou a jurados um artefato e disse que Marcelo nunca negou o uso, mas que não sabia o que era, e que confiava no Luciano. Uma mensagem psicografada de jovens que morreram na boate kiss foi apresentada aos jurados. Abraçados advogados ouviram a mensagem transmitida e em sua última frase Tatiana Borsa apelou: “Absolvam o Marcelo”.

Os advogados de Mauro Hoffmann falaram em seguida. Mario Sipriani abriu sua participação falando que os réus tem alguma responsabilidade no caso, mas afirma que estão sendo usados como bois de piranha. “O Mauro confiou nos órgãos públicos, confiou no seu sócio administrador que por sua vez também confiou nos órgãos públicos”, sustenta Sipriani.

Segundo o advogado Mario Sipriani, foi criada ao longo dos anos uma sucessão de inverdades, como a “famosa superlotação”. Ele disse que “Mauro Hoffmann não agia na sorte, agia na confiança”.

A defesa de Luciono Bonilha iniciou por Gustavo Nagelstein que  iniciou sua manifestação contando como conheceu Luciano em 2018. O réu, sem recursos financeiros, pediu que a banca o defendesse após ver repercussão de outro júri feito pelos advogados que o defende atualmente.

Nagelstein disse que Luciano é o boi de piranha. “Os órgãos públicos representados pelo prefeito, pelo promotor de justiça e pelo comandante dos bombeiros são os lobos. E ai me valho da expressão lobo não come lobo”, afirmou o advogado.

Jean Severo iniciou sua fala de forma inusitada como era de se esperar. “Lhe chamo de Orlandão, não só pelo tamanho, mas pelo saber jurídico e pelo ser humano que é. E eu não sou vidente mas eu lhe garanto uma coisa: estou diante do próximo Ministro do STF que vai ser a vossa excelência” disse se dirigindo ao Juiz Orlando Faccini Neto.
O advogado chegou a arrancar uma página do livro escrito por Medina e criticou o promotor. “Tu é um fiasco”.

O MP pediu réplica e júri será retomado nesta sexta-feira às 10h da manhã.

 

 

 

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