SUTRAF-AU participa de formação das FETRAFs sobre SPDH+

Entre os dias 1º e 3 de abril, lideranças participaram de uma formação na cidade de Francisco Beltrão, no Paraná

Lideranças do SUTRAF-AU participaram, entre os dias 1º, 2 e 3 de abril, de uma formação sobre o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças e Grãos (SPDH+), na cidade de Francisco Beltrão, no Paraná. A atividade, promovida pelas três FETRAFs do Sul do Brasil — FETRAF-RS, FETRAF-SC e FETRAF-PR —, integra as ações do Programa de Desenvolvimento de Transição Agroecológica na Agricultura Familiar do Sul do Brasil.

O projeto será desenvolvido nas regiões de atuação da FETRAF-RS no estado. Na região do Alto Uruguai, 50 famílias estarão envolvidas, além de três lavouras de estudo e um técnico agropecuário que acompanhará o trabalho dos agricultores familiares.

De acordo com o coordenador-geral do SUTRAF-AU, Alcemir Bagnara, neste mês será iniciada a coleta de solo para análise. “O SPDH+ é um método que considera a sustentabilidade e busca tornar as atividades da agricultura familiar viáveis financeiramente e ambientalmente. Estamos vivendo um novo tempo, e o modelo produtivo atual tem levado grande parte da agricultura familiar à falência. Por isso, precisamos analisar tudo o que aconteceu no passado e apontar caminhos alternativos para a agricultura familiar. Entre essas alternativas, identificamos o SPDH+, que é um modelo de plantio direto para hortaliças e outros cultivos”, explicou.

Segundo o engenheiro agrônomo Valdemar Arl, que assessora a FETRAF-RS na implementação do projeto, o grande desafio colocado é o modelo atual da agricultura. “Esse modelo se esgotou: produção em escala, grandes volumes, altos custos, alta dependência de insumos e margens baixas. A agricultura familiar está sendo excluída de várias cadeias produtivas. Então, há um grande desafio que o movimento sindical está assumindo: construir um novo projeto estratégico para o campo, adequado à agricultura familiar e ao momento histórico que estamos vivendo, com grandes desafios na produção de alimentos saudáveis”, afirmou.

O agrônomo destacou que um dos principais desafios são as adversidades climáticas e que o novo modelo possibilita uma transição para toda a agricultura familiar. “Alguns agricultores avançarão mais rapidamente, outros menos, mas o projeto traz importantes avanços. Teremos lavouras de estudo, inclusive na região, onde várias famílias serão acompanhadas. Vamos fazer isso na prática, reaprendendo juntos, mas já temos importantes avanços no campo técnico e científico”, disse.

 

A planta como centro

Conforme Valdemar, a planta é o centro de tudo, pois é ela que forma o solo, constrói o clima e o ambiente. “Essa mudança de visão transforma nosso entendimento da agronomia e até mesmo da agroecologia. Aprendemos muito nessa trajetória histórica, e esse processo tem, inicialmente, o objetivo de reduzir custos, promover adequações ambientais e aumentar a autonomia da agricultura familiar, reposicionando-a na produção de alimentos saudáveis”, afirmou.

O engenheiro explicou que já há experiências positivas com esse modelo em lavouras de milho, chuchu, cebola, maracujá e outros cultivos, que registraram redução de custos.

As FETRAFs, com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e da Ceasol, estão impulsionando um projeto inovador para a agricultura familiar, focado na sustentabilidade, na redução de custos e no aumento da produtividade, beneficiando cerca de 600 famílias.

O projeto enfatiza práticas agroecológicas, como biodiversidade, produção de biomassa e melhoria da saúde das plantas, resultando em uma redução de custos de 30% a 40%, sem comprometer a produtividade. “Nos últimos anos, percebemos que os agricultores não estão satisfeitos com o modelo produtivo atual, que tem excluído muitos trabalhadores do campo. Passamos a trabalhar na construção de um modelo mais justo e adequado para a agricultura familiar, permitindo a elevação da renda e a melhoria da qualidade de vida. O método SPDH+ é a ferramenta ideal para fazer essa transição, e a formação dos técnicos e das lideranças é fundamental para a implantação da nossa estratégia”, afirmou o coordenador-geral da FETRAF-RS, Douglas Cenci.

O projeto será desenvolvido pelo SUTRAF-AU e pelas sedes municipais do sindicato, com o acompanhamento de um técnico nos municípios do Alto Uruguai, incluindo Aratiba, Itatiba do Sul, Erval Grande e São Valentim. Diversas culturas, como milho, hortaliças e frutas, serão contempladas. O objetivo é compartilhar experiências entre as regiões e aprimorar o modelo. Além dos benefícios econômicos, o projeto busca fixar carbono no solo, tornando-se uma alternativa ambientalmente sustentável.

A comercialização dos produtos também é um desafio, e estratégias de organização da produção serão discutidas. “Se quiséssemos, poderíamos até discutir a possibilidade de crédito de carbono na produção. Não se trata apenas de uma agricultura de baixo carbono, mas de um modelo que reintroduz carbono no solo, amplia a biodiversidade e melhora a capacidade de produção e de regulação ambiental. Trata-se de uma agricultura que reduz custos, diminui a dependência de insumos e melhora a produtividade. Já temos conhecimento suficiente para afirmar que isso não é apenas uma possibilidade, mas uma realidade concreta que só precisa ser aprimorada”, pontuou.

O projeto busca fortalecer a identidade da agricultura familiar e garantir um futuro mais sustentável para os produtores.

 

 Texto e Fotos: Comunicação/FETRAF-RS