As insatisfações, em especial na base, sobre o projeto de concessão de rodovias do bloco 2 surtiu efeito: o governo gaúcho deve se reunir com deputados da base para discutir os pontos do edital. A promessa é de apresentar as informações e os dados coletados durante o período de consulta pública e ouvir as sugestões dos parlamentares.
Uma reunião entre deputados e o governo era um pleito antigo da deputada Nadine Anflor (PSDB), que na última semana chegou a publicar um vídeo, em suas redes sociais, manifestando sua contrariedade com a concessão da forma proposta pelo Piratini. Nesta terça-feira, antes da sessão plenária, o chefe da Casa Civil, Artur Lemos, almoçou com a bancada do MDB e propôs aos parlamentares o encontro.
Para os deputados do PP, Lemos e o secretário de Reconstrução, Pedro Capeluppi, prometeram apresentar um novo projeto com as sugestões da bancada, em reunião na última quarta. Ao Correio do Povo, Capeluppi afirmou que esse novo edital, que acolhe também propostas da sociedade civil colhidas na consulta pública, vem sendo elaborado e deve ser lançado daqui duas ou três semanas, mas ainda no mês de abril.
É quase unânime, tanto entre deputados da base, quanto entre deputados da oposição, que o descontentamento com o projeto se dá mais na forma em que ele está formulado do que na realização de uma concessão em si.
E, enquanto a base pressiona por dentro, a oposição vem pelas beiradas. Nesta terça-feira, PL e PT se uniram para instalar a Frente Parlamentar Contra Pedágios, com o foco no programa de concessões do bloco 2. A frente foi proposta pelo deputado Paparico Bacchi (PL) e teve adesão integral das bancadas do PT, incluindo PCdoB, que está federado, PL, Novo, PSol, Podemos e alguns nomes do Republicanos – esses dois últimos integram a base do governo. Em sua fala de abertura, Paparico destacou que a frente “quase não saiu” por conta do governo.
Prefeitos e vices, presidentes de associações, vereadores e produtores da região Norte e Vale do Taquari, que integram o bloco 2, participaram do ato de instalação da frente. Entre os principais temores com a concessão estão as de instalação das 24 praças de pedágio e os valores previstos. A tese é de que isso irá reduzir o poder competitivo das mercadorias gaúchas, uma vez que o custo de escoamento da produção aumentará e, consequentemente, o valor final do produto.
Por: Correio do Povo – Flávia Simões