Hospital Santa Terezinha enfrenta desafio constante: equilibrar receitas e despesas

O diretor executivo da Fundação Hospitalar Santa Terezinha, Rafael Martins Ayub, destacou em entrevista ao programa Estúdio Boa Vista, da Rádio Cultura, o desafio de manter o equilíbrio financeiro da instituição. Segundo ele, o prefeito Paulo Polis reforça a necessidade de atenção rigorosa ao cumprimento contratual e à gestão de custos, receitas e despesas.

Captação de receitas e apoio regional
No primeiro trimestre, a estratégia focou na ampliação das receitas, com resultados positivos. Ayub agradeceu aos municípios associados à AMAU (Associação dos Municípios do Alto Uruguai), que reconheceram a importância do hospital para a região e aceitaram reajustes nos contratos de prestação de serviços.

Desafios do contrato com o SUS
O diretor explicou que o hospital é prestador de serviços do SUS, com metas definidas em contrato: 1.100 internações, 4 mil exames de raio-X, 950 cirurgias, entre outros procedimentos. “Precisamos cumprir ao menos 90% das metas para evitar descontos na remuneração. Se excedermos, não há compensação financeira”, disse. A administração monitora mensalmente os dados para ajustar a oferta de serviços.

Exemplo prático:
“Para cirurgia geral, oferecemos 250 consultas, com 30% destinadas a primeiras consultas e 70% a retornos, considerando a demanda por exames e follow-up. Ajustamos conforme a necessidade — em alguns meses, aumentamos as primeiras consultas para 40% se houver menos retornos”, detalhou Ayub. Ele reconheceu as filas, especialmente em ortopedia e traumatologia, áreas críticas no SUS.

Equilíbrio financeiro e redução de dívidas
O hospital controla rigorosamente os contratos para alinhar receitas e despesas. Neste trimestre, alcançou equilíbrio, mas ainda enfrenta um passivo de R$ 11 milhões. “Tivemos o apoio do Executivo, do prefeito Polis, e do Legislativo, com 17 vereadores, que destinaram recursos para reduzir a dívida”, afirmou. O diretor administrativo, Márcio, liderou renegociações com fornecedores, incluindo descontos para quitação de débitos.

Perspectivas futuras
Ayub espera fechar uma renegociação com o governo do estado ainda neste mês. Além disso, uma campanha junto a empresas para doações de parte do ICMS está em planejamento. Outra expectativa é a regulamentação do programa Pró-Hospitais, que permitirá repasses diretos de porcentuais do ICMS aos hospitais. “Assim, poderemos alcançar o equilíbrio definitivo das contas”, concluiu.

Por: Edson Machado da Silva

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