Profissionais do grupo técnico municipal do Setor Materno Infantil da Secretaria Municipal de Saúde de Erechim participaram, nesta semana, da Oficina Primeira Infância Antirracista (PIA), realizada em Porto Alegre. A atividade teve como objetivo instrumentalizar profissionais de saúde do Rio Grande do Sul para o enfrentamento ao racismo em suas diferentes formas e impactos, especialmente no desenvolvimento infantil. Representaram o município a monitora do Programa Primeira Infância Melhor (PIM), Ivandra Gomes, e a chefe do Setor Materno Infantil, Eliana Buss.
A oficina destacou a compreensão do racismo em suas múltiplas dimensões, incluindo o racismo estrutural, presente nas bases políticas, econômicas, jurídicas e culturais da sociedade, e o racismo institucional, que se manifesta em serviços públicos, empresas, escolas e na própria rede de saúde, resultando em desigualdades no acesso a oportunidades e atendimentos.
Também foi abordado o conceito de população negra, que contempla pessoas autodeclaradas pretas e pardas. De acordo com dados apresentados na formação, no Brasil a população negra corresponde a cerca de 56% dos cidadãos. Em Erechim, esse percentual é de 20,32% da população, sendo 17,32% pessoas pardas (18.311 habitantes) e 3,00% pessoas pretas (3.171 habitantes).
Os conteúdos da oficina reforçaram ainda que o racismo impacta diretamente o desenvolvimento infantil, influenciando o acesso a direitos sociais como moradia, saneamento e saúde, além de afetar a construção da identidade, autoconfiança e a saúde física e mental desde a gestação. Estudos citados na capacitação, como os do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), indicam desigualdades persistentes ao longo da vida, incluindo diferenças no tempo de escolarização e renda entre pessoas negras e brancas.
A proposta da Oficina PIA é qualificar profissionais para a adoção de práticas antirracistas, contribuindo para o pleno desenvolvimento das crianças em suas potencialidades desde a primeira infância.
O secretário de Saúde, Vianei Mueller, destacou a importância da capacitação para o fortalecimento das políticas públicas no município. “Qualificar nossas equipes para compreender e enfrentar o racismo em suas diferentes formas é fundamental para garantir um cuidado mais humano, equitativo e qualificado na atenção à primeira infância. Esse conhecimento se reflete diretamente na forma como acolhemos e cuidamos das nossas crianças e famílias”, afirmou.
O serviço de saúde de Erechim vem ampliando ações voltadas à população negra, com destaque para o cuidado às meninas e mulheres negras no programa materno infantil. O Programa Primeira Infância Melhor (PIM) atualmente acompanha cerca de 100 famílias no município, sendo aproximadamente 50% delas de famílias negras, reforçando o compromisso com a equidade no acesso às políticas públicas de saúde.
Por: Assessoria de Comunicação.

