Enquanto a Transnordestina bate recordes, por aqui a ferrovia segue abandonada e a Transbrasiliana no pó e na esperança
Com 1.206 quilômetros de extensão, a Ferrovia Transnordestina ligará Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE), passando por 53 municípios. Considerada a maior obra linear em execução no Brasil, ela tem como objetivo fortalecer a logística do Nordeste e reduzir os custos de transporte de cargas como grãos, fertilizantes, combustíveis e minérios.
Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, mais de 100 quilômetros da ferrovia já foram concluídos. A primeira fase do projeto está com cerca de 81% de execução. Orçada em R$ 15 bilhões, a obra tem previsão de conclusão para 2027 e já recebeu R$ 9,8 bilhões em investimentos.
Enquanto isso, por aqui, a União não consegue sequer cuidar da linha férrea já existente. Sucateada, mas ainda presente, ela é alvo constante de invasões e atos de vandalismo, permanecendo sem cumprir qualquer função de transporte.
Recentemente, a Transnordestina foi motivo de comemoração ao atingir o maior ritmo diário de montagem desde o início das obras, com a conclusão de 1,69 quilômetro de ferrovia em um único dia. Por aqui, entretanto, ainda se alimenta a esperança de que a pavimentação da BR-153, a Transbrasiliana, finalmente deixe o campo das promessas e saia do papel.
Se a diferença de tratamento entre as regiões está na representatividade política, em que as maiores obras recebem investimentos pesados enquanto regiões sem representantes precisam se contentar com “migalhas”, aproxima-se uma grande oportunidade para melhorar essa realidade e transformar o cenário regional. Será que os eleitores e, principalmente os políticos, muitas vezes subordinados às diretrizes de suas siglas partidárias, estão preparados para isso?

