Defesa da Clínica Reviver se manifesta sobre caso que prendeu seis pessoas em Estação
Dra. Cristine Ferreira Melle, detalha a versão da Defesa sobre o fato ocorrido em fevereiro que movimentou a Cidade de Estação no RS.
Na manhã desta segunda-feira, 16 de março, o programa “Estúdio Boa Vista”, da Rádio Cultura, entrevistou a advogada de defesa Dra. Cristine Ferreira Melle sobre o caso da Clínica Reviver. Localizada na cidade de Estação, a clínica foi fechada em fevereiro deste ano após denúncias de maus-tratos e o óbito de um interno, um caso que gerou grande repercussão na região.
De acordo com as informações concedidas pela advogada, atualmente, seis pessoas estão presas preventivamente e são indiciadas por dez crimes atribuídos, entre eles tortura, organização e associação criminosa. Contudo, a defesa ainda não teve acesso integral a todos os documentos apreendidos pela Polícia.
Segundo Cristine, o incidente que levou à morte ocorreu após um dos internos, menor de idade, relatar à psicóloga da instituição, durante uma consulta, ter sofrido abuso por parte de outro interno. Ao tomarem conhecimento do fato, monitores (ex-internos) teriam agredido o agressor do menor. A advogada enfatizou: “O interno (agredido) foi vítima de agressão após os demais tomarem conhecimento de que ele havia abusado de um menino, também menor de idade e internado na clínica. No entanto, logo que a confusão começou, tanto a proprietária quanto os monitores iniciaram as medidas necessárias para apartar a briga e providenciar a transferência do agressor para outra instituição”.
Após a briga ser contida, o interno agredido foi levado para o quarto, apresentando sinais de agressão que, a princípio, não pareciam graves. Ele recebeu alimentação e, no dia seguinte, durante sua transferência para outra instituição, foi que se percebeu a real gravidade dos ferimentos, sendo acionado o socorro para atendimento. Todo o processo ocorreu em menos de 24 horas.
A advogada acrescentou que familiares realizavam visitas frequentes aos internos e nunca houve relatos de agressões, torturas ou outras irregularidades que pudessem comprometer o bem-estar dos pacientes. Pelo contrário, a clínica cumpria todas as exigências legais para seu funcionamento. Cristine se mostra intrigada com o fato de a Polícia ter aceito a denúncia e ordenado prisões preventivas baseadas em depoimentos de internos e ex-internos dependentes químicos. Ela argumenta que a abstinência e a dependência prolongada causam sérios problemas cerebrais nos pacientes, algo que, segundo ela, já foi contestado judicialmente.
Caso sejam condenados em júri popular, os réus podem enfrentar penas de até 40 anos de prisão. Os próximos passos da defesa incluem a solicitação de liberdade para três dos seis detentos, que são clientes de seu escritório.
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