Desde o fim da ditadura militar de 1964, que tivemos a redemocratização e a primeira eleição direta para presidente em 1989, o Brasil tem sido marcado por uma notável instabilidade política na esfera presidencial. Em um período de 43 anos, o país teve oito presidentes, sendo que cinco deles enfrentaram sérios problemas com a justiça, incluindo quatro que chegaram a ser presos.
A transição democrática iniciou com a eleição indireta de Tancredo Neves em 1982. No entanto, devido a problemas de saúde que o levaram à morte antes de assumir, o vice José Sarney foi quem efetivamente deu início a este período presidencial. Ao longo dessas quase cinco décadas, o Brasil viu a ascensão e queda de diversos líderes: José Sarney, Fernando Collor de Mello (que sofreu impeachment e foi substituído pelo vice Itamar Franco), Fernando Henrique Cardoso (com dois mandatos), Luiz Inácio Lula da Silva (com três mandatos), Dilma Rousseff (cujo segundo mandato foi interrompido por impeachment, assumindo o vice Michel Temer) e Jair Bolsonaro.
É importante notar que três desses oito presidentes assumiram o cargo por sucessão (dois por impeachment e um por falecimento do eleito). Dentre os oito presidentes que ocuparam o Palácio do Planalto, apenas Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco não enfrentaram investigações ou processos judiciais relevantes durante ou após seu mandato. Os demais, incluindo Sarney, Collor, Lula, Temer e Bolsonaro, tiveram envolvimentos com a justiça. Os presidentes que chegaram a ser presos foram Collor, Lula, Temer e Bolsonaro.
O cenário é agravado por dois processos de impeachment e um congresso frequentemente criticado por priorizar interesses particulares em detrimento do bem-estar nacional. Essa sucessão de crises e instabilidades levanta questionamentos sobre a capacidade do país de prosperar diante de um quadro político tão conturbado.

