Sobrevivente da enchente de 2023, boi Valente abriu desfile de animais na abertura oficial da 48ª Expointer

Participação do animal, que possui prótese em uma das patas dianteiras, serviu para destacar a inovação e a tecnologia em prol da saúde dos animais

Se na abertura da Expointer 2024 o cavalo Caramelo, símbolo da resistência gaúcha após a enchente histórica do ano passado, marcou a abertura oficial da feira, neste ano coube ao boi Valente a tarefa de dar início ao desfile de animais na abertura oficial da 48ª Expointer. Mesmo sem a manta de grande campeão, o boi Nelore é um vencedor: sobreviveu à enchente de setembro de 2023 no Vale do Taquari, apesar da pata quebrada, e tornou-se ícone de inovação e tecnologia em prol da saúde dos animais.

Isso porque ele foi doado para a Universidade de Caxias do Sul (UCS) para passar por um tratamento experimental, através do curso de Medicina Veterinária, para implantação de uma prótese na pata amputada. De acordo com o coordenador do curso na UCS, o professor Leandro do Monte Ribas, a prática não é muito comum em bovinos, mas a solução encontrada para Valente serve de inspiração para futuros casos.

“Em pets e até em cavalos é mais frequente. Com bovinos, culturalmente não se tem essa visão. Normalmente, o comportamento é difícil de adaptar e o peso também é um empecilho. Mas conseguimos, ao longo do tempo, adaptar o Valente. Ele ajuda muito. Parece até que é um cachorro. Esse trabalho não é inédito, mas acredito que, no RS, é pioneiro”, explicou Ribas.

O professor lembrou da participação do cavalo Caramelo na abertura oficial da feira em 2024, mas citou que o objetivo do boi Valente nesta edição é mostrar que o tratamento com próteses é também uma opção para esses animais. “É a inovação e a tecnologia em prol de animais, principalmente de animais de produção. Quantos animais de alto valor e de alto padrão zootécnico passam por aqui? E se eles se quebrarem por algum motivo? Já sabemos que existe uma solução”, reforçou.

 

Sobrevivente da enchente

Na enchente de setembro de 2023, que devastou cidades do Vale do Taquari, Valente era um dos animais do rebanho de um pecuarista de Muçum, sendo o único que foi encontrado com vida. O professor conta que o animal foi localizado dias depois no alto de um morro, deitado e já com a pata dianteira apresentando sinais de quebradura.

Com a ajuda do Governo do Estado, ele foi doado para a universidade para a tentativa de aplicação de uma prótese que permitisse o animal voltar a andar. Ribas explica ainda que a prótese utilizada precisou ser encomendada com uma empresa canadense que atua no RS.

“Foi um trabalho conjunto de medicina veterinária, fisioterapia e engenharia. Produzimos alguns modelos e esse foi o final. Faz seis meses que o Valente está utilizando esse. E hoje ele vive lá, com um cuidado especial, mas passa o dia na universidade. Tem a cocheira dele, anda na rua e tudo mais. Quando ele chegou aqui (na feira) ficou muito feliz por ver outros animais. É a primeira vez dele numa exposição, com barulhos e pessoas. O último barulho que ele tinha ouvido tinha sido o rio Taquari levando tudo”, finalizou.

 

Por Correio do Povo

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