Erechim 100 anos – como tudo começou

Vários elementos foram decisivos para a formação da centenária Erechim – com destaque para a estrada de ferro. Em reportagem especial, o BV conta um pouco desta história

Para a vida de uma cidade, alcançar os 100 anos (em termos de Brasil, pelo menos) é a representação de um passo importante – que marca a chegada à maturidade; estimulando o trabalho permanente e planejado com foco na construção de um futuro melhor. Seria, pois, uma espécie de ‘maturidade jovem’ e desafiadora, ao abrir caminho para novos e mais altos voos.

Eis a empreitada da centenária Erechim neste 30 de abril – data alçada pelo poder legislativo a feriado municipal.

Ser atual; sem esquecer do passado; ser contemporânea, aberta e preparada para o que está por vir; sem permitir fechar-se em copas, deixando a ampulheta do tempo escorrer pelos dedos.

A comunidade orgulhosa de seus feitos – a partir de diferentes lideranças em diferentes momentos, com razão clama pela retomada de espaços e oportunidades perdidas nas esquinas de décadas que não voltam mais. Que os 100 anos sirvam de inspiração!

Nesta reportagem especial, sustentada em diversas fontes, tais quais, o livro ‘Grande Erechim e sua história’, de Antônio Ducatti Neto; site da prefeitura municipal; textos da professora da UFFS e Doutora em História do Brasil, Isabel Gritti; professor Ernesto Cassol; IBGE e outros, o BV faz um rescaldo histórico elencando momentos marcantes dos primórdios da ‘Capital da Amizade’, alcunha criada por Rubem Safro, então relações públicas da prefeitura, quando das celebrações dos 50 anos do município, em 1968.

 

Castelhanos

Houve um tempo em que os castelhanos, súditos do Rei da Espanha, dominavam toda esta vasta região, ensina Antônio Ducatti Neto, em seu livro ‘Grande Erechim e sua história’. Isto foi antes do Tratado de Madri, de 1750, pelo qual a Espanha cedia a Portugal os 7 Povos das Missões da margem esquerda do Rio Uruguai em troca da Colônia de Sacramento (hoje Uruguai).

Erechim, pois, foi castelhana também. Ainda persistem os nomes históricos de Mato Português e Mato Castelhano, nas proximidades de Passo Fundo, a lembrar os limites das duas soberanias.

De lá para cá, muito se passou – e diversos personagens por aqui se instalaram; lembrando que notadamente no século XIX eram os índios Coroados (Caigangues) os habitantes deste chão – que andavam nus até o contato com os jesuítas, chamados pelos Guaranis dos Sete Povos das Missões Orientais chamavam de “bugres” por considerá-los ferozes, nômades, hostis e irredutíveis à civilização jesuítica.

O “Grande Erechim”, tempos depois, nasce a partir dos territórios dos municípios de Erechim, Getúlio Vargas, Marcelino Ramos, Gaurama, Aratiba, Viadutos, Campinas do Sul, São Valentim, Erval Grande Severiano de Almeida, Jacutinga, Barão de Cotegipe, Itatiba do Sul e Mariano Moro.

A extensa gleba integrou, sucessivamente, os municípios de Rio Pardo, São Borja, Cruz Alta e Passo Fundo – de quem para alguns, ainda somos uma espécie de ‘distrito’. Pura maldade.

 

Paulistas x Coroados

Os primeiros povoadores ‘brancos’ de Erechim teriam sido os paulistas, descendentes de bandeirantes (embora, registre-se que os jesuítas, quando o RS ainda se chamava ‘Terra de Tapes’, já haviam passado por aqui). Os paulistas, no entanto, foram de fato aqueles que se instalaram dispersivamente no território, obtendo a concessão de terras, requeridas ao Governo do Estado.

Não foi pacífica, inicialmente, a posse das áreas por esses primeiros povoadores, que tiveram de sustentar, durante muito tempo, luta tenaz contra os primitivos habitantes, os Coroados.

Firmaram-se, porém, os poucos posseiros que povoaram o território inculto, de natureza exuberante, clima temperado e pleno de riquezas naturais, encobertas pela floresta imensa e apreciáveis faixas de campo, sulcadas pela abundante rede da bacia hidrográfica ocidental dos rios Pelotas-Uruguai. Importante observar que as terras do Alto Uruguai receberam, também, de tempos em tempos – e antes da chegada dos imigrantes europeus e, ou das Terras Velhas, grande número de aventureiros, foragidos da política ou fugitivos de revoluções, como a de 1893.

 

Colônia Erechim – 1908

Em fins de 1887, Augusto de Oliveira Penteado conhecido por Augusto César, tendo como companheiros João Placidino Machado e Antônio Ferreira de Albuquerque, empreenderam ousada exploração fluvial, da qual elaboraram circunstanciado relatório, que foi enviado à Câmara Municipal de Passo Fundo, em fins de 1888, contendo as denominações dadas por eles a vários acidentes geográficos. Augusto César foi o descobridor do famoso estreito do Uruguai. Com a chegada do primeiro trem a Passo Fundo em 2 de fevereiro de 1898, o município, cujo território se estendia desde Cruz Alta ao Pelotas-Uruguai, ganhou novo impulso no progresso geral. Por proposta do engenheiro Torres Gonçalves, diretor-chefe da Diretoria de Terras e Colonização, o presidente do Estado, Carlos Barbosa Gonçalves criou a 6 de outubro de 1908 a Colônia Erechim, cujo topônimo, no dialeto Caigangue (Coroado), quer dizer “Campo Pequeno”.

 

Na origem, a estrada de ferro

Foi o engenheiro Severiano de Souza Almeida o chefe da delegação encarregada de efetuar a divisão em lotes coloniais da grande gleba devoluta e de dirigir os trabalhos de instalação da Colônia. Em fevereiro de 1910 teve início a construção de casas da sede provisória denominada Povoado Erechim, hoje Getúlio Vargas. Aportaram à sede da Colônia a primeira leva de imigrantes, composta de quatro famílias, com 28 pessoas, e mais oito imigrantes isolados, totalizando 36 almas. Em 1910, a sede da Colônia oferecia aspecto urbano com abertura de ruas e edificação de 50 casas e mais 22 em construção, todas de madeira, inclusive o chalé do escritório da Comissão, dois barracões para hospedagem dos imigrantes, enfermaria e depósito de materiais, nove casas comerciais, uma barbearia, uma alfaiataria, três sapatarias e um açougue. O desenvolvimento da zona rural também se fez rapidamente. Até 1914, a sede inicial da Colônia Erechim foi o povoado que mais prosperou.

Em 20 de abril de 1916, o escritório da Comissão de Terras e Colonização foi transferido do Povoado Erechim para o de Paiol Grande, sede geral da Colônia anteriormente escolhida. O desenvolvimento da Colônia Erechim fez-se rápido, pela contribuição dos seguintes fatores: construção da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande do Sul; atuação da Jewish Colonisation Association (ICA); e atividade da Empresa Colonizadora Luce, Rosa & Cia. Ltda.

 

Colonização

Erechim constitui-se no primeiro exemplo no Rio Grande do Sul em que houve planejamento para a ocupação da terra. A criação da Colônia Erechim deu-se a partir de argumentos apresentados pelo Diretor de Terras e Colonização, Carlos Torres Gonçalves, de que as terras disponíveis nas Colônias Ijuí e Guarani eram insuficientes para a colonização. Além disso, fundamentava sua proposta na fertilidade do solo e na grande procura de terras por particulares que aí estavam se estabelecendo de forma tumultuosa e cuja instalação necessitava ser regularizada. Uma das características marcantes da região hoje polarizada por Erechim é a diversidade étnica e cultural de sua população. Isso se evidencia desde a sua fundação.

Nos livros de registros de entrada de imigrantes correspondente aos anos de 1911 a 1914 encontramos o registro de imigrantes de nacionalidade alemã, austríaca, polaca, russa, italiana, portuguesa, sueca, holandesa e até dois japoneses. A diversidade étnica não foi problema para a administração da Colônia. As reclamações e queixas apresentadas pelos imigrantes são consideradas normais por Severiano de Souza e Almeida.

Salienta o Chefe da Comissão que, apesar de um grande número de imigrantes terem vindo sem família e, portanto, com direito apenas à concessão de terras a prazo e algum trabalho, foram por benevolência desta chefia, contemplados com vales por adiantamento, o que comprova a atenção dispensada aos que se dirigiam a esta Colônia.

O rápido desenvolvimento da Colônia Erechim é destacado por Jean Roche, que afirma que a mesma bateu todos os recordes da rapidez do desenvolvimento. Erechim “ficará, pelo menos, como um dos exemplos mais significativos de impulso demográfico que se deve à colonização. É verdade que esta se realizou ao longo da via férrea Santa Maria – São Paulo, o que lhe permitiu escoar imediatamente os produtos agrícolas com facilidade excepcional na história das Colônias rio-grandenses”.

Quando da autorização e do consequente funcionamento da Jewish Colonization Association (ICA) no Brasil e mais particularmente no RS, o Estado era governado pelo Partido Republicano Riograndense, inspirado nos princípios positivistas de Augusto Comte, e defensor da ocupação das áreas despovoadas, da valorização do preço da terra, da diversificação da produção e da acumulação baseada no trabalho assalariado.

Assim, a Jewish começa o assentamento dos imigrantes israelitas na Fazenda Quatro Irmãos em 1911, e lá permanece até 1965, quando oficialmente se retira da mesma. Em 1965 a exploração florestal está esgotada e os terrenos todos vendidos, uns poucos a israelitas e a quase totalidade a não israelitas. Além dos problemas enfrentados pela Companhia no assentamento dos imigrantes israelitas e no consequente e constante êxodo dos mesmos, como demonstramos acima, sofre a ICA outro problema: a intrusão de suas terras.

 

A emancipação – 1918

Poucos anos após a instalação, a Colônia Erechim estava em condições de aspirar à emancipação política e administrativa, desmembrando-se do território e do governo de Passo Fundo. Com o crescimento do povoado e de sua economia – agricultura, pecuária, comércio e serviços – Erechim foi elevado à categoria de município com a denominação de Erechim, pelo decreto estadual nº 2342, de 30 de abril de 1918, assinado por Borges de Medeiros.

Ao longo dos anos o município foi ganhando novos distritos. Nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1 de setembro de 1920, o município estava constituído de cinco distritos: Boa Vista do Erechim (sede), Erechim, Barro, Erebango e Marcelino Ramos. Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1937, o município apareceu constituído de onze distritos: Erechim, Barro, Marcelino Ramos, Nova Itália, Nova Polônia, Paulo Bento, Quatro Irmãos, Rio Novo, São Valentim, Treze de Maio e Viadutos. No quadro fixado em 1943, o município era constituído de doze distritos: José Bonifácio (ex-Erechim), Barro, Carlos Gomes (ex-Ribeirão do Torto, ex-Nova Polônia), Cotegipe, Marcelino Ramos, Nova Itália, Paulo Bento, Princesa Isabel (ex-Treze de Maio), Quatro Irmãos, Rio Novo, São Valentim, Severiano Almeida (ex-Nova Itália) e Viadutos. Em divisão datada de 1 de dezembro de 1960, o município era constituído de nove distritos: Erechim, Barão de Cotegipe, Capo-Erê, Itatiba, Mariano Moro, Nova Itália (ex-Severiano de Almeida), Paulo Bento, Quatro Irmãos e Três Arroios; em última modificação feita, em lei estadual nº 10762, de 16 de abril de 1996, desmembraram-se de Erechim os distritos de Paulo Bento e Quatro irmãos, elevados a categoria de municípios. Erechim passou a constituir-se de três distritos: Capo-Êre, Jaguaretê e a Sede.

 

Gentílico: erechinense

Formação Administrativa: Elevado à categoria de município com a denominação de Erechim, pelo decreto estadual nº 2342, de 30-04-1918, desmembrado do município de Passo Fundo.

 

 

Você sabia?

 

Traçado viário, Paris que nos perdoe

Erechim é uma das poucas cidades brasileiras que tiveram suas plantas urbanas planejadas, antes de serem implantadas. Projetada para ser o centro urbano da Colônia de Erechim, embalada pelos ideais positivistas do francês Augusto Comte, a cidade é generosa em espaços públicos, o que permitiria, na teoria, convivência em harmonia das pessoas com os veículos.

O traçado urbano segue o modelo das capitais como Paris e Washington – na forma de um círculo, cortado por duas diagonais. Evidencia o conceito urbanístico “xadrez com diagonais”, que lhe confere a mística de urbe diferenciada, pensada por urbanista seguidor da doutrina positivista, que vê o homem no centro de tudo, notadamente do meio onde ele vive.

Da rótula central nascem dez grandes avenidas que se estendem aos bairros mais distantes. Os poderes constituídos – Executivo, Legislativo, Judiciário – estavam no coração da cidade em volta da Praça da Bandeira. Hoje, porém, o Judiciário, em nova sede, faz morada no bairro Bela Vista.

Com várias microrregiões, onde as diagonais protagonizam seis entradas e seis saídas, um programa de controle do fluxo de veículos teve que ser aplicado para desafogar as zonas de alto risco de acidentes. Primeiro foram desenvolvidos embriões de rótulas e, mais tarde, devido à pressão dos usuários, foram colocados semáforos. O trânsito passou a ser orientado por sistema misto, semáforos/rótulas.

 

 

Crescimento vertiginoso

A partir da instalação da Colônia Erechim, houve um crescimento demográfico acelerado. Em 1911, a população era estimada em 14.400 pessoas. Em 1915, já havia aproximadamente 27.359 habitantes, dos quais 7.114 brasileiros, 5.721 polacos, 246 suecos, 3.652 alemães, 1.827 italianos, 722 austríacos, 106 espanhóis, 74 franceses, 734 portugueses e 7.863 de diversas nacionalidades. A diversidade étnica em parte é resultante de uma intencionalidade do Estado em imprimir um caráter pluralista (diversas nacionalidades) para acelerar a integração. Ao aumento demográfico na Colônia Erechim, acompanhou um crescimento econômico.

 

Curiosidades

# Erechim já foi conhecida como a Capital Nacional do Trigo devido ao alto volume de grãos produzidos na agricultura;

# Com clima sub-tropical, a cidade apresenta, em regra, as quatro estações bem definidas (primavera, verão, outono e inverno). A temperatura média anual é de 15,9°C. Máxima 35°C. Mínima – 6°C. As chuvas são irregulares, chegando a precipitação pluviométrica de 1618 mm/ano.

# Erechim está situada a 793m acima do nível do mar, latitude 27º37’54” e longitude 57º16’52”. No fortíssimo inverno de 1975 a mínima na cidade foi de -11°C, durante 5 dias consecutivos a máxima não foi superior a 3°C na cidade. Segundo dados históricos (INMET), Erechim está entre as 20 cidades mais frias do sul do Brasil.

# O acesso à cidade dá-se via aérea por via rodoviária, pelas RS-135, RS-331, RS-419, RS-420, RST-480, BR-153 e BR-480, ligando os vários municípios da região e a distância da capital do Estado, Porto Alegre, é de 360 km.

 

Etnias e grupos com maior presença

Poloneses

A ocupação da Polônia pelos países vizinhos, Rússia, Prússia e Áustria, desde o final do século XVIII até 1918, a miséria e a superpopulação das aldeias, provocaram um verdadeiro êxodo, em que durante os 50 anos antes da Primeira Guerra Mundial, cerca de 3,6 milhões de pessoas deixaram a Polônia e aproximadamente 100 mil chegaram ao Brasil. A imigração de poloneses tem dois grandes momentos. O primeiro é de 1907 a 1911 com a chegada de várias famílias vindas tanto das colônias velhas como da própria Polônia, e posteriormente no final da I Guerra Mundial, quando mais imigrantes chegaram em massa ao Brasil, desta vez uma imigração organizada e dirigida pelas instituições do Estado Polonês. O imigrante trouxe da Polônia a determinação para desbravar novas terras na tentativa de uma vida mais digna e alegre.Hoje seus descendentes comemoram através de danças, cantos, da culinárias e do resgate do idioma. Existem em Erechim grupos e sociedades empenhados em promover a cultura polonesa, não apenas aos descendentes de poloneses, mas a todos aqueles que reconhecem o valor daqueles que transformam Erechim “na terra de todos”, como é conhecida. Destaque para a Associação Rui Barbosa.

 

Italianos

Em 1926 Erechim tinha, conforme o site da prefeitura municipal, cerca de 90% de seus habitantes descendentes de italianos, tanto na cidade como no interior. Muitos vieram diretamente da Itália, especialmente da Região de Vêneto. As Terras Velhas, hoje municípios de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Antônio Prado contribuíram grandemente na imigração italiana em solo local.

As primeiras famílias chegaram por volta de 1910 através da Ferrovia. Entre os pioneiros, nomes como Antenor Pedrollo, Paulo e Elisa Vacchi, Eugênio Isoton, Pedro Longo, José Bonaldo, Bortolo Balvedi, João Massignan, Júlio Trombini, João Carlone e Attilio Assoni – que instalou o primeiro engenho de serra e a primeira casa de alvenaria. Os imigrantes italianos, ao longo de várias décadas foram modificando a fisionomia social da região com seus valores espirituais, culturais e materiais. É importante ressaltar que a maioria dos imigrantes vinha em busca de uma vida melhor para si e para seus filhos. A marca da etnia italiana é muito forte na cidade e no interior nas áreas econômica, política, social, cultural, religiosa e artística.

 

Alemães

Em 1912, chegavam à colônia de Erechim os primeiros imigrantes alemães. Alguns se estabeleceram em Paiol Grande, entre eles, Henrique Hagers – que trabalhou na estrada de ferro, e Augusto Stefanus, o primeiro alfaiate de Erechim. O maior núcleo de colonização alemã na Região do Alto Uruguai encontra-se em Aratiba e Três Arroios. Os alemães tiveram grande destaque no comércio, através dos chamados caixeiros viajantes – hoje, os representantes comerciais – que vendiam mercadorias no interior. Na área cultural, os alemães legaram o primeiro Cinema Mudo de Erechim e o Centro Cultural 25 de Julho. Foram pioneiros na música, sendo nomes de destaque Ricardo Kreische, Oswaldo Engel e o maestro Frederico Schubert.

 

Israelitas

Os primeiros colonos judeus vieram instalar-se em Quatro Irmãos através da empresa Jewish Colonization Association (ICA) – entidade filantrópica com o objetivo de auxiliar os judeus que quisessem emigrar de países onde foram perseguidos ou economicamente oprimidos. Cada família recebia, além da colônia, casa de moradia e galpão, 4 mil metros de arame farpado, 14 vacas, 4 bois, um touro, 2 cavalos, uma carroça e instrumentos de cultivo de terra.

Os colonizadores dedicaram-se principalmente ao cultivo de trigo, milho, mandioca, à criação de gado bovino e à produção de laticínios. Instalaram aos poucos uma sinagoga, escola, matadouro e um hospital.

Desde 1920, reuniam-se para comemorar as festas religiosas. Em 1934 fundaram a Sociedade Cultural Beneficente Israelita. Atualmente, Erechim conta com aproximadamente sessenta famílias israelitas, constituindo-se em uma das maiores comunidades israelitas do RS.

 

Os nativos

Segundo estudos realizados pela Eletrosul, o território que constitui hoje a vasta região do Alto Uruguai já era habitada pelo homem há pelo menos 10 mil anos. Nos últimos três séculos, a região foi habitada pelo grupo Caigangue que, inicialmente, vivia em estado de isolamento e contato intermitente com o bandeirante português.No Século XIX, a ação missionária atuava no trabalho de catequese nos aldeamentos. No Século XX, os índios já estavam bastante aculturados pela ação dos colonizadores do século anterior.A base econômica do índio Caigangue até o Século XX foi a colheita de vegetais espontâneos, especialmente o fruto da araucária, completada pela caça e pesca. O artesanato também é um belo trabalho realizado por este povo. Atualmente, encontram-se índios Caigangues nas regiões de Nonoai, Votouro, Charrua, Ventarra e Cacique Doble.

 

Negros

Erechim é um município com forte caldeamento de raças. Importante lembrar que a região de Erechim (antiga Colônia Erechim) pertencia a Passo Fundo até o início do século XX. A história mostra que houveram escravos em Passo Fundo e muitos destes e seus descendentes fugiram para o Alto Uruguai.Quando chegaram os primeiros imigrantes brancos, por volta de 1910, os mesmos relataram que avistaram a presença de várias famílias negras na localidade de Dourado, município de Erechim. Portanto, a presença de negros em Erechim é ainda anterior à vinda dos imigrantes europeus, ou mesmo dos imigrantes das Terras Velhas. A Sociedade 13 de Maio, no início, foi uma entidade exclusiva para negros. Os bailes eram mensais ou quinzenais, com pessoas elegantemente vestidas, e muita música ao vivo para animar os participantes. O conjunto Moron foi um dos que mais vezes abrilhantou as danças, assim como a Bandinha do Caneco, Estrelas, Águias Negras e Os Ipanemas. Não existem dados referentes ao número de negros que teriam vindo antes ou depois da colonização oficial. Apesar disso, é interessante perceber que o fato de terem um clube próprio (até a década de 80) atesta a participação, a organização e a presença marcante em Erechim.

 

Por Salus Loch

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