Centenário sem museu

Eduardo Galeano já disse: “A memória é o melhor ponto de partida para navegantes com desejo de vento e profundidade”

O município de Erechim completa 100 anos em 30 de abril. Todavia, apesar da data emblemática, a cidade, salvo raras exceções, parece não estar atenta e nem preocupada em preservar sua memória e marcos históricos – vide o prédio da prefeitura, que segue em estado deplorável; as edificações em art decô, ‘escondidas’ sob fachadas publicitárias; e o próprio Castelinho, agora sem tapume (e sem nada mais). De quebra, chegamos ao centenário órfãos de um museu (apesar do esforço e valor de nosso Arquivo Histórico) e com a Estação Ferroviária flertando com o abandono.
Num corte geral, o município não sabe valorizar o passado. Talvez por isso, também, tenha dificuldades em visualizar o futuro.
A pouco mais de 20 quilômetros daqui, em Gaurama, cidade com cerca de 6 mil habitantes, a realidade em termos de apreciação do patrimônio cultural é outra. Por lá existe desde 1987 lei municipal de número 1.417 responsável por instituir o Museu Irmã Celina Schardong.
Instalado na antiga Estação Ferroviária – edificação que data de 1910 e foi a responsável por centralizar a ocupação do espaço que formou a vila Barro, depois Gaurama -, o museu Irmã Celina Schardon recolhe, classifica, pesquisa, conserva e expõe elementos característicos da história local.
Adotando como tema ‘Histórias só existem quando lembradas’, o Museu tem a percepção de que cada objeto, fotografia e documento traduz momentos histórico-culturais capazes de aproximar o passado das gerações presentes. Mais do que isso, explica a mestre em história regional, professora e diretora de Cultura da secretaria de Educação, Gladis Wolff, o Museu é um espaço vivo – que interage com a comunidade, especialmente, jovens e crianças.
Há quase uma década, o Museu Municipal de Gaurama integra o Catálogo Nacional de Museus – participando da Semana Nacional de Museus.
Que do ‘barro’ venha o exemplo, de preferência, ainda neste século.

 

Saiba mais

Em junho de 2016 o Museu, após reforma geral custeada com recursos do Projeto Pró-Cultura FAC da secretaria estadual de Cultura, foi reinaugurado. Desde então, além da digitalização de documentos, a exposição permanente foi setorizada em agricultura, educação, comércio, artesanato, indústria, ambiente doméstico e ferrovia.

# Numismática: 2.388 moedas e papel-moeda devidamente classificados estão em exposição no Museu Irmã Celina Shardong. Há moedas do Período Imperial e também da Era Vargas.

 

Por Salus Loch

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