Após perder o filho, pai visita a cada dois meses crianças com câncer

A busca é por voluntários e doação de brinquedos

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Por Carla Emanuele 

Não tem tempo ruim para o erechinense Amadeu Rosalino Brito, que semanalmente guarda um pouco das economias salariais no compromisso que assumiu a 11 anos em Santa Maria, em prol das crianças com câncer. Brito viveu o drama de ter um caso de câncer na família. O seu filho, num amanhecer como qualquer outro não quis tomar café da manhã, como era costumeiro. “Naquela manhã minha esposa me contou ele não quis comer. Era estranho, pois não saía de casa sem realizar a primeira refeição do dia. Ainda, reclamou de dor no abdômen e tão logo, tivemos que marcar uma consulta”, contou.

“O médico falou que meu filho tinha câncer e oito meses de vida”Não demorou muito para a família receber o diagnóstico. “Foi o pior dia da minha vida. O médico falou que meu filho tinha câncer e oito meses de vida. Não queria acreditar, desesperadamente fui à busca de tratamento e, em Santa Maria tinha certeza que encontraria a cura. Como fazem muitos pais de Erechim e Alto Uruguai, Brito mudou para a cidade  chamada de ‘salvadora’, mas o câncer era dos mais agressivos. Meu filho único olhava pra mim e dizia, ‘pai estou com medo’ e eu, falava que ia dar tudo certo. Ele sequer sabia que eu dormia no relento e que por vezes, o hospital me emprestava um cobertor”, relatou.
Pais e mães fazem do hospital a sua morada Com o passar dos meses, Brito alugou um quarto. O local foi sua moradia e da esposa por seis meses, tempo suficiente para a doença vencer a batalha. Deveria ser ao contrário, mas a missão do pai fragilizado precisava ser consolidada, conforme havia combinado com o filho em vida. Há 11 anos, a cada dois meses, Brito enche o carro de brinquedos com destino certo, Santa Maria. Às vezes viaja sozinho, às vezes  acompanhado da esposa e filha, que considera um presente de Deus após o falecimento do jovem, e às vezes alguns amigos e o cunhado o acompanham, mas não frequentemente. “Na maioria das vezes cumpro a missão sozinho e ajudo como posso, comprando alimentos ou, auxiliando as famílias. Não vou lá para falar do meu filho, mas para levar uma palavra de consolo, um agrado para os pequenos e muitos abraços. Busco distrair pais e mães que fazem do hospital a sua morada”, explicou.
Bonecas e carrinhos Entretanto, Brito busca companhias, pessoas que desejem contribuir com brinquedos ou se deslocar com ele neste ato de amor e carinho, para que a caminhada não seja solitária. “Se alguém quiser ajudar com uma boneca, carrinho ou, quiser ir visitar as crianças, será maravilhoso. Com o tempo, podemos formar um grupo maior”, finalizou. Quem desejar fazer parte desta história pode entrar em contato com a Rádio Cultura FM e Jornal Boa Vista, pelo 3321-0017.

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