Voluntários de Erechim transformam caixas de leite em revestimento para moradias

“Fazer o bem, sem olhar a quem”, essa é a frase que Carla Alba, futura assistente social, utiliza toda a vez que o assunto é o voluntariado, em especial o Projeto Brasil Sem Frestas, no qual coordena em Erechim. Carla juntamente com o marido Nelson, e os voluntários Dagner Dal Vesco e Daniela Prior, deram vida ao projeto na cidade.

A ideia nasceu em Passo Fundo, em setembro de 2009, a partir de uma preocupação da química Maria Luisa Camozzato. Em uma noite chuvosa e de muita tempestade, Maria Luisa preocupou-se com a situação das famílias em vulnerabilidade social. Em Passo Fundo, assim como em diversas outras cidades, inúmeras famílias não possuem condições nem mesmo de comprar a cesta básica para se alimentarem, que dirá comprar material para reformarem suas casas. Até então, essas famílias dependiam do poder público e de doações da comunidade para tornarem seus lares mais confortáveis, um processo lento.

Maria Luisa Camozzato

Ela encontrou nas embalagens cartonadas o material ideal para promover a vedação de casas de madeira. As caixas de leite são compostas por seis camadas, segundo a Tetra Pak, empresa criadora desse tipo de envase. De fora para dentro, há uma camada de plástico, uma de papelão, outra camada de plástico, uma de alumínio e, por fim, mais duas folhas de plástico. Essas características tornam as caixinhas impermeáveis e fazem delas um ótimo isolante térmico.

Em Erechim

No município a iniciativa nasceu de forma tímida, mas já rendeu muitos frutos. Desde que o projeto passou a ser divulgado, muitas pessoas sensíveis a ideia passaram a colaborar, higienizando e guardando as caixas de leite e suco. As mesmas podem ser entregues nos pontos de coleta: Rádio Cultura, na Igreja Santas Missões ou, na Procad Plotagens.

Inúmeras caixas chegaram até os pontos de arrecadação e no último sábado (24), a iniciativa ganhou vida, juntamente com os voluntários do SESC e da Igreja Santas Missões. A primeira moradia comtemplada foi no Bairro Progresso, que aos poucos foi recebendo a forração. As caixas são cortadas e costuradas, formando placas, que são grampeadas, revestindo assim as paredes e teto das casas.

“Estamos realizados, é indescritível a sensação de poder auxiliar o próximo de alguma maneira, o sentimento é de gratidão. Passar pela vida de alguém e poder fazer algo de diferente é recompensador. Acredito que isso é fazer a obra de Deus e lembrar que não realizamos nada sozinhos. Ver nosso grupo unido, em busca de mais famílias para ajudar me alegra”, disse Carla.

A família atendida também recebeu alimentos, roupas, colchão, fogão a lenha, dentre outros móveis, para suprir as necessidades mais eminentes.

Hoje, a busca incessante é por um espaço físico maior para armazenar mais de mil caixas doadas até o momento e, poder transformá-las em placas, otimizando o serviço para atender com mais rapidez quem tanto precisa.

Por Carla Emanuele

 

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