NASF oferece avaliação psicológica, nutricional e acompanhamento a grupo de moradores do interior de Cruzaltense

A cada quinze dias, um grupo predominantemente de mulheres começa a chegar ao salão comunitário da Linha Campininha logo depois da uma da tarde. A maioria são agricultores e donas de casa, que tiveram a iniciativa de formar o grupo. Quase na mesma hora chega uma fisioterapeuta, uma psicóloga, uma nutricionista, uma agente de saúde e um educador físico. São servidores municipais que integram o Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Enquanto o grupo coloca a conversa em dia, a fisioterapeuta Keli Barbieri verifica a pressão arterial e a nutricionista Rochele Saccon faz a pesagem. A nutricionista avisa: os dados são sigilosos, não é preciso compartilhar se não quiser, mas a maioria comemora a perda de 1 ou 2 quilos ou faz questão de explicar os motivos de ter ganho alguns quilos nos últimos quinze dias. A maioria dos participantes está acima do peso e tem algum problema de saúde. Por isso, avaliação nutricional geralmente é o ponto de partida para uma avaliação do médico ou psicólogo e, ainda, um encaminhamento para o fisioterapeuta, educador físico ou nutricionista.

Num segundo momento a psicóloga entra em ação. Distribui tarjetas e pede que os integrantes descrevam em uma palavra o que consideram mais importante para ter mais saúde.  Foco, determinação, união, força de vontade, emagrecimento vão sendo escritas e retratam o sentimento de quem está em busca de mais saúde.  As tarjetas são trocadas e cada um fala sobre o que escreveu. É um compartilhamento de ideias em que um complementa o outro, onde o encorajamento e a troca de informações ajuda cada um a perceber que os demais têm problemas semelhantes.  As frases tem um tom de desabafo. “Gostaria de ter saúde, de vir aqui por outros motivos” ou “ como fico muito sozinha em casa, não vou desistir de vir aqui”.

A mediação da psicóloga vai dando pistas do que há por trás dos sentimentos e a participação dos demais profissionais vai mostrando os caminhos.  “É preciso olhar para dentro, ver  como reagimos às situações  desagradáveis, o que nos provoca ansiedade e observar se estes sentimentos estão relacionados com o ato de comer”, diz Graziela Rossato, que também faz a avaliação psicológica individual e encaminha quem precisa para a terapia ou ao psiquiatra.  Quando se trata do desafio de perder peso, a nutricionista e o educador físico trazem a sua experiência. “O grupo ajuda, mas o individual é decisivo. Dedicação, foco e persistência dependem de cada um”, ensina Rochele.  O educador físico Leandro Echer encoraja: “É preciso desacomodar, sair da zona de conforto e com o tempo se percebe que a atividade física reduz o nível de estresse”.  Não é preciso muito para elas comprovarem que isso é verdade.  Depois de alguns exercícios de alongamento, o educador físico propõe uma atividade  simples com bola, e logo em seguida elas estão mais animadas, brincando, rindo e participando.

São encontros simples, que terminam à meia tarde, mas que fazem a diferença para quem vive no meio rural, onde os vizinhos estão distantes, os filhos se mudaram para a cidade, as doenças começam a aparecer e a solidão aperta. “A tristeza, a depressão e os problemas emocionais são gatilhos para as doenças, por isso a equipe multidisciplinar do NASF considera estes encontros tão importantes, porque evitando  se fechar no seu mundo, as pessoas conquistam uma maior qualidade de vida”, resume a psicóloga Grasiela.

O NASF é integrado por diversos profissionais da área da saúde: médico, enfermeiro, agente de saúde, psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista, educador físico.  O NASF realiza atendimentos individuais e atividades em grupo com o objetivo de prevenir as doenças e futuros agravos. Alongamento, caminhadas com acompanhamento, treinamento funcional, acompanhamento em processos de emagrecimento, auriculoterapia, dança sênior, terapia psicológica, atividades com o Grupo da Terceira Idade, visitas domiciliares fazem parte dos serviços oferecidos. Os moradores são encaminhados aos serviços a partir das necessidades levantadas pelos profissionais durante os contatos individuais ou os trabalhos em grupo. Os interessados em participar dos atendimentos e serviços, também podem se inscrever na Unidade Básica de Saúde.

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