Memórias da Aldeia – Paraíso Verde

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Paraíso Verde

Os Bota Amarela devem se orgulhar de suas belezas naturais: campos, vales, rios (que devemos cuidar mais), cascatas, montanhas e manchas verdes que enfeitam esse cantinho gaúcho quase centenário… O Vale Dourado proporciona encantos mil para quem o contempla em cada novo amanhecer e entardecer.

Nosso escritor maior, Gladstone O. Mársico, se deleitava deslumbrado com os encantos do Vale, enquanto sua pena castiça escrevia com invulgar sofreguidão, versos satíricos, que ainda nos proporcionam sonoras gargalhadas.

Uma pessoa iluminada pela sua sabedoria, Antônio Pereira de Souza, um belo dia olhou para o “Potreiro da Comissão”, e no alto de sua virtuosidade perguntou: por que esse “Potreiro”, no centro da cidade, não pode se transformar num Parque?

Com sua pena brilhante escreveu uma bela carta endereçada ao prefeito Aldo Arioli, em 25 de março de 1947. No mesmo dia a carta pousou na mesa do prefeito. A ideia aperfeiçoada prosperou e uma nova carta foi endereçada ao governador do Estado Walter Jobim. No dia 8 de agosto de l948, é assinada a lei 267, pelo governador Jobim, transferindo ao município de Erechim a área conhecida pela denominação de “Potreiro da Comissão”.

Essa conquista coletiva é algo que engrandece os erechinenses. Na década de 197O, o prefeito Irany Jaime Farina, contempla o Parque com a denominação de Parque Longines Malinowski, em homenagem aquele que dedicou parte de sua vida cuidando do Parque. Germano Carlos Knapick, foi o primeiro zelador, que muito contribuiu para interromper a retirada de árvores – outrora transformadas em madeiras ou lenha para fogão.

Não devemos esquecer que as ruas de Erechim foram abertas com pá, picareta, carrinho de mão, carretas e animais… Um belo dia da década de 195O, Longines Malinowski foi visto pelo seu filho chorando embaixo de uma frondosa árvore…Perguntou: pai, por que você está chorando? Malinowski, com os olhos marejados, respondeu:

– Eu não sei se meus netos, no futuro, vão ter uma árvore como essa para descansar…

Por Enori Chiaparini

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