As polêmicas na renovação do contrato com a Corsan

I

Diante da demora na renovação do contrato de concessão com a Corsan ou na publicação de um novo edital, começam surgir alguns esclarecimentos, mas ao mesmo tempo, permanecem muitas dúvidas. Na última sexta-feira, 17, no momento em que o prefeito recebia a direção da Corsan para mais uma reunião envolvendo o tema, a Rádio Cultura realizava uma entrevista sobre o assunto com o presidente da Câmara de Vereadores, Rafael Ayub.

Logo após o programa ter encerrado, recebemos a visita do chefe de gabinete do prefeito, Roberto Fabiani, acompanhado da diretora de comunicação do município, e na conversa que tivemos, Fabiani levantou vários questionamentos: “Não consigo entender o porquê muita gente mudou de opinião sobre este tema. Por que quando publicamos o edital muita gente foi contra e agora é favorável? Tinha vereador que desfilava ao lado do grupo que defendia a continuidade da Corsan, e agora é contra? Ou seriam os R$ 30 milhões que a Corsan está acenando repassar ao município para aplicar em outros investimentos? Desde o início, todo mundo sabe minha opinião pessoal sobre a Corsan, tanto é que a direção da companhia não queria mais sentar com o governo se eu estivesse junto, e agora, enfim, estamos conversando normalmente. Mas são estranhas algumas mudanças de opinião”, disse o “primeiro-ministro” Fabiani.

 

II

Fabiani pode até ter razão sobre algumas coisas terem mudado desde que a Rádio Cultura, meses atrás, iniciou uma série de debates sobre o assunto, mas quem mudou primeiro de opinião foi o próprio governo, que antes defendia a publicação do edital e atualmente até admite renovar o contrato com a Corsan. Outra coisa é que agora, todo mundo sabe qual o valor da taxa de água que a companhia cobra em Erechim, uma das mais caras do Brasil, estando em torno de 25% acima do cobrado em outros municípios do estado.

E os questionamentos são muitos. Por exemplo, os R$ 30 milhões que a Corsan diz que tem para pagar a outorga ao município, viriam de onde? Ou seriam os R$ 30 milhões do fundo que já é nosso? Aliás, a estatal já tinha transferido esse dinheiro do caixa único para fechar as contas do ano de 2016 e diante disso o ex-prefeito Paulo Polis teve que entrar na justiça para pedir a devolução dos valores. Haveria forma de a Corsan executar as obras e pagar os R$ 30 milhões da outorga, já que o próprio ex-presidente da mesma, Flávio Presser, disse em entrevista à Rádio Cultura que naquele momento a companhia não teria o dinheiro? Vale lembrar que até hoje a Corsan não cumpriu nenhum dos contratos que fez com o município de Erechim.

 

III

Outras questões. Por que os erechinenses têm que pagar uma conta mais cara do que outras cidades que também são atendidas pela Corsan? Um cidadão de Erechim, que gasta em média de R$ 100,00/mês, anualmente vai ter que pagar R$ 300,00 a mais.  Quem vai pagar os R$ 30 milhões da outorga que o município vai receber não acabará sendo a própria população, com o valor a mais que vem pagando na conta da água?

Se Erechim tiver mais de 30 mil famílias pagando mais de R$ 100,00 por mês pela água, hoje estas já teriam contribuído com R$ 54 milhões para o fundo e atualmente só temos R$ 30 milhões? Todas essas questões, nós da Rádio Cultura e do Jornal Boa Vista temos o dever de questionar antes da renovação do contrato. Não somos contra a estatal, mas queremos que a companhia esclareça todos os pontos para a população, e depois, se necessário, que se publique um novo edital e quem oferecer o melhor preço, melhor qualidade dos serviços, seja declarado vencedor. O que não se pode aceitar calado é esse desprezo que a companhia teve com Erechim nas últimas décadas. Se a Corsan atender todos os requisitos, ótimo, que ela continue. Caso não tiver as garantias, que venha uma parceria público-privada com município. O que não dá é que a população de Erechim continue pagando a conta da estatal e cairmos mais uma vez no conto do “bilhete” só por uma questão ideológica.

 

Por Egidio Lazarotto

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