Enquanto o mercado de ônibus cai 26%, empresa Comil cresce 2%

A Comil Ônibus SA retorna das férias coletivas nesta quarta-feira (27), com expectativa que a retomada econômica chegue a partir do segundo semestre. Com isso, realizamos uma entrevista com o diretor presidente da empresa, Deoclécio Corradi.

Egidio Lazzarotto – Como foi o ano de 2020?

Deoclécio Corradi – Tivemos um ano muito desafiador no nosso mercado. O ano de 2020 iniciou com perspectivas muito boas, com aumento de vendas já no primeiro trimestre e um plano de crescimento para a Comil de 15% no volume de produção. Porém, ainda em março, com a efetiva chegada do Covid-19 no Brasil e as primeiras medidas restritivas para conter a proliferação do vírus, os planos mudaram drasticamente. Foram necessárias diferentes adaptações e adoção de medidas em toda a empresa para enfrentar o momento, dentre elas a adesão à Medida Provisória 936 com redução de jornada de trabalho, que foi essencial para a manutenção dos empregos durante o período mais difícil do ano.

Egidio Lazzarotto – Quanto a Comil cresceu em 2020?

Deoclécio Corradi – De acordo com os dados da FABUS (Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus), a produção brasileira de carrocerias de ônibus caiu 26% em 2020 com relação a 2019. Já a Comil, apresentou um crescimento de pouco mais de 2%, o que reflete uma grande conquista para a Empresa.

Egidio Lazzarotto – Quantos novos postos de trabalho foram gerados no período?

 Deoclécio Corradi – Não geramos novos postos de trabalho em 2020, realizamos todos esforços para manter o quadro de funcionários, o que consideramos um fator positivo diante da crise que atingiu o segmento industrial em grande parte dos negócios no Brasil.

Egidio Lazzarotto – Foram feitos investimentos no ano que passou?

Deoclécio Corradi – No início de 2020 lançamos a nova família de poltronas semi-leito e executiva, que atendem os segmentos de ônibus para fretamento e carros rodoviários, além de vários projetos em melhorias contínuas dos processos produtivos.

Egidio Lazzarotto – Quais as previsões para 2021, crescimento, investimentos, geração de novos postos de trabalho?

Deoclécio Corradi – O ano de 2021 ainda é de muitas incertezas. Devemos ter um primeiro semestre com restrições nas vendas, tanto no Brasil como nos mercados de exportação que atendemos. Contudo, esperamos uma recuperação ao longo do ano, devida a demanda reprimida em 2020. Apesar de ter sido necessário adiar os planos de investimentos de 2020, em nenhum momento paramos com os estudos de novos projetos. Desta forma, em 2021 será possível a rápida retomada dos investimentos. Continuaremos com a melhoria de processos produtivos baseados em Lean Manufacturing com o apoio do Senai de São Leopoldo e de Novo Hamburgo. A geração de novos postos de trabalho depende da retomada da demanda no nosso setor, o que hoje projetamos ocorrer a partir do segundo semestre.

Egidio Lazzarotto – Com a chegada das vacinas, o senhor acredita que o mercado de turismo e transporte coletivo pode aquecer? A partir de que mês?

Deoclécio Corradi – A vacina traz uma grande esperança não só para o mercado de turismo e transporte, mas também para toda a economia mundial que foi duramente afetada ao longo do ano passado. Vemos a vacinação como o principal fator de retomada do nosso segmento. É difícil precisar um mês de retomada efetiva, já que temos muito fatores associados à vacinação da população, com por exemplo: disponibilidade de doses, velocidade da distribuição para a população, diminuição das medidas restritivas de circulação; além de fatores mais comportamentais, como a população se sentir realmente segura para retomar as viagens, principalmente de turismo e lazer.

Por Egidio Lazzarotto