Erechim tem a tarifa de água nas alturas

Município está entre as cidades com o valor mais caro do Estado

Nos últimos dias veio à tona o tema água e esgoto em Erechim. Depois de várias discussões acaloradas nos microfones da Rádio Cultura, o assunto estava em ‘banho-maria’, mas depois de o vereador e presidente da Câmara de Vereadores, Rafael Ayub, participar da audiência pública do Conselho Federal de Administração do Sistema de Governança, Planejamento e Gestão Estratégico de Serviços Municipais de Água e Esgoto em Porto Alegre, muitas informações emergiram.  No Rio Grande do Sul, a Corsan responde pelo serviço de água e esgoto em 307 municípios, sete têm serviço municipal, dois são privados (Uruguaiana e São Gabriel) e o restante não dispõe de estrutura de saneamento básico.

“Problema não é a falta de recursos, é a má gestão”

A ideia da audiência pública foi justamente aumentar a transparência dos dados públicos, além do que é disponibilizado nos espaços institucionais, tornando possível ao cidadão mais controle dos gastos e investimentos públicos. A iniciativa do Conselho Federal de Administração foi apresentada pelo superintendente, Douglas Evangelista Neto, com detalhes sobre a ferramenta que propõe estratégias aos municípios para um sistema de governança e planejamento de serviços públicos de água e esgoto. Ele mostrou os mecanismos de acesso aos indicadores, por meio de informações obtidas através do Ministério das Cidades. “O principal problema do setor de serviços de água e esgoto não é a falta de recursos, é a má gestão”, apontou Evangelista, com dados sobre a dramática situação no país, onde 100 milhões de pessoas não têm serviço nessa área. Na ocasião ele também apontou a situação de cada um dos municípios gaúchos, nos aspectos da coleta de água e tratamento de esgoto.

Tarifa nas alturas

Erechim, conforme os dados gerados pela ferramenta, tem uma das tarifas mais altas do Estado – R$ 7,54 o metro cúbico e índice de tratamento de agosto – 0 .  Já no item de perda de água por ligação, o município, em 2016, teve 409 litros/ligação ao longo de todos os dias do ano. Se compararmos Erechim com outras cidades do Estado, percebemos que os dados são ainda mais assustadores. Pelotas tem uma tarifa de R$ 2,95, Uruguaiana R$ 4,51 e Porto Alegre R$ 4,03 o metro cúbico. Sem contar que as três cidades já contam com tratamento de esgoto. O projeto e os dados podem ser acessados no endereço www.gesae.org.br

“Desde 98 a Corsan assina contratos com Erechim e não cumpre”

Os dados são de 2016, “mas olhando Erechim de lá para cá não mudou nada com relação a água e esgoto. Aliás desde 98 a Corsan assina contratos com Erechim e não cumpre, com alegação que não existem cláusulas punitivas. Se compararmos dados de Erechim com Santo Ângelo e Pelotas, a gente vê que a tarifa do nosso município é muito superior. Chama atenção também o índice de perda por ligação e o esgoto, nem dá para discutir, somos zero”, disse Rafael Ayub. Na verdade, nota-se que a Corsan tem tratado a população em segundo plano e consequentemente com precariedade na qualidade do serviço público.

Licitação

Indiscutivelmente o excesso de burocracia exige mudança no atual modelo gerencial e isso pode ser alcançado segundo Ayub. “A Corsan não é capaz de cumprir contratos, apesar de ter agência reguladora. Se fala muito na questão da privatização da água, mas se sabe que o poder público hoje não tem capacidade para fazer tudo. A melhor saída seria uma licitação, a livre concorrência. A Corsan poderá participar se sentir que é capaz, mas ganhará quem diminuir o preço e oferecer melhor serviço. Se a Corsan tiver a possibilidade de diminuir o preço e ofertar mais serviço, que bom”, finalizou.

Analisando todos os dados, fica o questionamento: porque o custo de operação em Erechim é tão caro? Será que refere-se a estrutura, funcionários e impacta no preço? Enquanto as tentativas por respostas com a Corsan são em vão, a comunidade vai continuar questionando.

Por Carla Emanuele 

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