Em palestra na UFFS, educador português José Pacheco faz críticas à Base Nacional Comum Curricular

Idealizador da Escola da Ponte, de Portugal, palestrou para professores da educação básica que participam, na UFFS, de projeto de formação continuada do PNAIC

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim recebeu, na tarde de quinta-feira (24), o professor português José Pacheco. O educador é idealizador da Escola da Ponte, uma das instituições integrantes do chamado Movimento da Escola Moderna e considerada por muitos a primeira escola a exercer, em um contexto mundial, a educação integral.

Pacheco, apesar de sua nacionalidade europeia, é conhecedor exímio da realidade educacional brasileira, atuando como consultor em diversos projetos em nosso país e trabalhando naquilo que chama de “comunidades de aprendizagem”. Seus trabalhos na comunidade de Paranoá, no Distrito Federal, e no Projeto Âncora, em São Paulo, são exemplos de uma educação inovadora, centrada na relação dos indivíduos. Aliás, nas palavras de Pacheco, a relação é o pilar da educação, diferente do que preconiza outras linhas de pensamento, com foco na figura do aluno e do professor.

Na UFFS, o educador foi convidado a palestrar para uma plateia formada majoritariamente por professores da educação básica, participantes do projeto de formação do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC).

Em sua fala, o educador teceu críticas à Base Nacional Comum Curricular. “É perversa. Diz que é preciso aprender determinado conteúdo em determinado ano. Então, a Base é ilegal, pois fere o artigo 23 da Lei de Diretrizes e Bases”, destaca Pacheco. “As coisas ultrapassam o domínio da compreensão. Essa lei é inútil e pode ser prejudicial”. A palestra teve como tema a autonomia no contexto da educação. “De autonomia, a Base não tem nada. De pedagogia, o que há é uma pedagogia fóssil do século XIX”, disse.

Em entrevista concedida antes da palestra, Pacheco elogiou, em partes, o PNAIC. “É um programa que permite ir além daquilo que já se fez. Porém, penso que a avaliação que se fez trata-se de um relatório muito injusto”, afirma o palestrante. “Devemos valorizar tudo aquilo que os professores fazem e que conduzem a uma melhor aprendizagem. O PNAIC conseguiu isso. Se me perguntarem se eu estou de acordo com a metodologia, eu direi que não. Mas também sei apreciar os efeitos positivos que o programa teve e o que o programa conseguiu fazer com aquilo que as pessoas sabem, para ir além daquilo que eram os objetivos iniciais”, avalia Pacheco. “Tanto o PNAIC como qualquer outro programa de incentivo do Ministério da Educação deve ser aproveitado, mas deve ser revisto e ampliado, e alinhado àquilo que chamo de paradigma educacional do século XXI.”

Pacheco apontou, ainda, que a formação dos professores é justamente onde está o gargalo da profissão. “Creio que esses jovens que estão estudando deverão ter, por parte das universidades, alguma revisão de processos para que realmente a formação seja isomórfica, considerando a pessoa do formando não como objeto mas como sujeito de aprendizagem, e que a teoria faça sentido a partir das necessidades concretas que esses jovens, que vão se tornar professores, encontrarão no contexto de sua profissão”.

A palestra do educador pode ser conferida, na íntegra, na página UFFS Ao Vivo, no Facebook: www.facebook.com/uffsaovivo.

No total, 13 professores da UFFS – Campus Erechim estão atuando no programa de formação do PNAIC, voltado de forma direta para 158 educadores e, de forma indireta, para outros 3.950 educadores da Pré-escola, do 1º ao 3º ano e do Programa Novo Mais Educação (PNME) de 61 municípios da região norte do Rio Grande do Sul. Os 158 educadores irão replicar, em seus municípios, a formação recebida através dos docentes da UFFS.

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