Cidade da Cultura da Frinape 2018 vai resgatar o Café Grazziotin

A história de quem fez, faz e fará nossa Erechim será tema da Estação Bota Amarela

 

Para relembrar, contar, recontar e tornar conhecida a história de Erechim, a Cidade da Cultura, em sua Estação Bota Amarela, reconstrói o Café Grazziotin, espaço que, durante décadas foi o centro social, cultural, político e esportivo da nossa centenária Erechim.

Para momentos de emoção e reencontro de amigos, a coordenação da Estação Bota Amarela e Café Grazziotin da Cidade da Cultura, através dos conselheiros Helena Confortin, Neusa Cidade Garcez, Maria Vanda Groch e Ademar Brum, convidam a população em geral, mas em especial os grazziotineiros, a participarem do “Café Grazziotin na Frinape 2018, que acontece de 9 a 18 de novembro, no 2º piso do Pólo de Cultura, onde está instalada a Cidade da Cultura. Lá, além do encontro e boa música, haverá espaço  para “bate-papo” sobre diversos temas: Vida Social – dia 9, Música – dia 10, Literatura e Artes – dia 11, Esporte – dia 12, Indústria e Comércio – dia 13, Educação e Cultura – dia 14, Moda – dia 15, Política – dia 16, e Comunicações – dia 17.

Por isso, os conselheiros convidam a todos para participar deste local e estender o convite a seus amigos, pois, como dizem, “afinal, um Café que passou por tantas vidas, fez muitas histórias!”. A proposta da Comissão da Cidade da Cultura é tornar realidade o slogan da Frinape 2018 que é “100 anos de sonhos e união, o Erechim que acontece”.

 

            CAFÉ GRAZZIOTIN: ONDE AS HISTÓRIAS ERAM PASSADAS A LIMPO

O Café Grazziotin, localizado na Av. Maurício Cardoso, foi um dos mais democráticos espaços, segundo seus antigos e fiéis frequentadores, que Erechim já teve. Durante 25 anos foi o centro das atenções de toda a vida social de Erechim.

Quando abre suas portas, em 1946, a Guerra Mundial já tinha terminado e soldados brasileiros haviam tombado em defesa da democracia e da liberdade. Getúlio Vargas fora afastado do poder pelos generais Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra. O país ganhava nesse ano sua nova Carta Magna. O baixinho Dutra é o novo presidente do Brasil. Em Erechim, Jerônimo Teixeira, prefeito nomeado pelo Estado novo, que ficou sete anos no poder, está deixando a Prefeitura. No futebol, a rivalidade entre Atlâncio e Ypiranta se acentua com o time atlantino levando ligeira vantagem.

Estes assuntos e muitos outros serão pano de fundo das muitas histórias que rolaram ao longo da existência do Café Grazziotin. Na caixa registradora, a incontestável presença de Ana Gollin Grazziotin, a Dona Anita. As portas do Café abriam pontualmente às 7 horas. O café da manhã no Grazziotin fez fama entre viajantes e caminhoneiros. Os pães quentes derretendo a manteiga e os pastéis fritos na hora ainda aguçam o paladar na mexida das recordações.

Encerrava suas atividades quando soava meia noite, ou quando saía o último cliente. Mas teve ocasiões, como em 1958, ano em que o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo de Futebol, que entrou madrugada adentro, sem fechar suas portas.

O Café Grazziotin foi um lugar onde se travavam as maiores batalhas políticas e esportivas. Muitos romances ali começaram. O Café foi palco do primeiro flerte, do primeiro olhar e onde muitos namoros se concretizaram. É uma recordação que emociona. Não havia arruaça. Só uma vez, um cidadão atirou no outro, mas não houve morte.

O local era tão democrático que as composições das mesas da Câmara de Vereadores saíam prontas dali. Não só as mesas-diretoras, como também as coligações. É claro que havia discussões em altos brados e até asperezas no falar, mas sempre prevaleceu o bom senso. Logo ao entrar no Café era possível identificar os grupos rivais da cidade. À direita a turma do Ypiranga e do PTB, enquanto que à esquerda concentrava o pessoal do Atlântico e do PSD. A frente do Café estava reservada para as observações.

Funcionava de segunda a segunda. Só fechava em duas ocasiões do ano: na Sexta-Feira Santa e no Dia de Finados. Sábados e domingos eram os dias reservados para as apresentações do conjunto do músico Oswaldo Engel. Entre os muitos shows, houve o de Luiz Gonzaga, na marquise do Café.

Os domingos obedeciam a dois rituais que culminavam no Café Grazziotin. O primeiro acontecia pela manhã, já às 8 horas, quando da missa dos alunos do Colégio Medianeira. Às 9 horas, era o horário das alunas do Colégio São José. Entre a saída dos meninos e a entrada das meninas na Igreja Matriz sobrava um tempo para um rápido flerte ou a troca de senha para um encontro no Café.

No final da noite acontecia o segundo ritual, pois a noite era reservada para ir ao cinema. Antes do filme terminar, um dos familiares saía e ia para o Café Grazziotin garantir uma mesa. O doce mais apreciado da época e o carro-chefe da casa era a Taça Rei Alberto, uma composição de gelatina colorida, doce de ovos, ameixas pretas e merengue. O Café Grazziotin fechou suas portas em 15 de agosto de 1971.

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