Centenário de nascimento do primeiro Bispo da Diocese de Erechim

Uma recordação de carinho, reverência e de gratidão

Neste 24 de junho, transcorre o centenário de nascimento Dom João Aloysio Hoffmann, primeiro Bispo da Diocese de Frederico Westphalen e de Erexim.

Dom João nasceu no dia 24 de junho de 1919, na localidade de Joaneta, então Município de São Leopoldo. Dom João, o sétimo de 10 irmãos, é filho de Frederico Hoffmann e Elisabeth Seibel Hoffmann, ambos falecidos.

Cursou o antigo Primário na escola paroquial de Joaneta e de Selbach, para onde seus pais se transferiram; o antigo Ginasial e Colegial, no Seminário em Santa Maria; e a Filosofia e a Teologia, no Seminário Central de São Leopoldo.

Foi ordenado padre no dia 19 de dezembro de 1943, em Selbach. Para o seu ministério presbiteral escolheu o lema: “Ensinai-me, Senhor, a fazer vossa vontade, porque Vós sois o meu Deus”(Sl 142,10).  Como padre, exerceu as seguintes funções:

– Em 1944: Vigário paroquial,  em Carazinho;

– de 1945 a 1957: Pároco de Tapera;

– de 1958 a 1959: Secretário Geral do Bispado, em Passo Fundo;

– de 1960 a 1962: Vigário Geral de Passo Fundo.

No dia 26 de março de 1962, Dom João foi eleito bispo pelo Papa João XXIII; foi ordenado bispo no dia 10 de junho do mesmo ano e, dias depois, 24 de junho,  tomou posse, como primeiro Bispo, da Diocese de Frederico Westphalen. Para o seu ministério episcopal, escolheu o lema: “A messe está na semeadura”.

Dom João participou das 4 sessões do Concílio Vaticano II nos anos de 1962 a 1965.

No dia 27 de maio de 1971 foi transferido para a Diocese de Erechim, da qual tomou posse como primeiro Bispo, no dia 1º de agosto do mesmo ano. Ficou bispo titular da Diocese de Erechim até o dia 26 de janeiro de 1994, sendo sucedido por Dom Girônimo Zanandréa. Dom João passou a ser Bispo Emérito, prestando ainda muitos serviços.

Diariamente, a pé, dirigia-se ao Lar Jacinto Godói, carinhosamente chamado “Lar dos Velhinhos”, para celebrar a Eucaristia. No dia 27 de junho de 1998, ao retornar da missa, pelas 10h30, sofreu infarto. Socorrido imediatamente, foi levado ao Hospital de Caridade, onde médicos tentaram reanimá-lo. Tendo conseguido, ele sofreu outro infarto e faleceu.

O corpo de Dom João foi velado no Santuário de Nossa Senhora de Fátima até às 20h30 de sábado, dia 27, e, a partir deste horário, na Catedral São José. A missa de sepultamento foi celebrada no  domingo, às 16h, na Catedral, com a presença de numeroso povo, vindo das diversas paróquias da Diocese, 66 padres e 5 bispos: Dom Urbano Allgayer (Passo Fundo), Dom Bruno Maldaner (Frederico Westphalen), Dom Orlando Dotti (Vacaria), Dom Sinésio Bohn (Santa Cruz do Sul) e Dom Girônimo Zanandréa (Erechim).

Na homilia da missa de corpo presente, no dia em que a Igreja celebrava a memória dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, entre outros pontos, Dom Girônimo destacou:

“São Pedro e São Paulo organizaram a vida das primeiras comunidades cristãs: Jerusalém, Antioquia, Corinto, Éfeso, Roma e outras…

No Evangelho (Mt 16,13-19) que acabamos de ouvir, Pedro aparece como pedra, sobre a qual Cristo constrói a sua Igreja. Na 2ª leitura(2Tm 4,6-8.17-18), São Paulo diz: ‘aproxima-se o momento da minha partida. Combati o bom combate, completei a minha carreira, guardei a fé’.

Exatamente hoje nós velamos e sepultamos o 1º Bispo da Diocese de Erechim e antes 1º Bispo da Diocese de Frederico Westphalen: Dom João Aloysio Hoffmann. Não tenho dúvidas em dizer que ele pautou a sua vida de Bispo nos exemplos e ensinamentos de São Pedro e São Paulo.

Dom João também organizou a vida das comunidades de Frederico Westphalen e da nossa Diocese de Erexim. Como Pedro,  proclamou a fé e ensinou a doutrina cristã. Como Paulo, proclamou o Evangelho em todas as comunidades, nas visitas pastorais, nas mensagens dominicais, nos MCS e principalmente pelo exemplo de sua vida, simples, humilde e serviçal.

Como Paulo, nas últimas semanas, dizia que se aproximava o momento da partida. E no dia 24 deste mês, data do seu aniversário natalício, ele mesmo promoveu em sua residência, um jantar de confraternização, convidando padres, familiares e amigos mais próximos, dizendo que seria o último aniversário. E ontem, quando voltava do Asilo dos Idosos ‘Jacinto Godoy’, onde celebrou a sua última missa, caindo por terra, por causa de uma parada cardíaca, deve ter rezado no seu íntimo: ‘combati o bom combate, completei a minha carreira, guardei a fé até o fim’.

Bendito seja Deus pela vida de Dom João, cujo histórico ouvimos no início desta celebração.

É difícil falar de uma pessoa como  foi Dom João, que dedicou toda a sua vida aos outros, porque nunca a gente diz tudo o que deveria dizer e nem como deveria dizer. Mas, Dom João, que sempre foi um homem simples e humilde, vai me perdoar por não dizer o ‘que’ e ‘como’ deveria dizer. Destacamos, contudo, alguns aspectos da vida de Dom João, em nossa Diocese:

– Valorização dos seus padres, diáconos, religiosos(as), lideranças e agentes de pastoral das comunidades.

– Organização dos setores diocesanos de pastoral e das comunidades em sua vida espiritual e pastoral. Mais: Assessorado por bons administradores, também organizou as comunidades sob o aspecto legal e de infra-estrutura material.

–  Profundo espírito mariano, difundindo em nossa Diocese, especialmente, a devoção à Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora da Salette. Aí, à nossa frente e ao lado do corpo de Dom João, está a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, abençoada pelo Papa Pio XII e trazida de Portugal por Dom Cláudio Colling, de saudosa memória, imagem esta que sempre acompanhou Dom João nas inúmeras visitas pastorais em nossas paróquias, abrangendo todas as comunidades.

– Promoção vocacional, dando apoio incondicional aos Seminários da Diocese e às Casas de Formação de Vida Consagrada dos nossos religiosos(as). Assim procurou cumprir o seu LEMA de Bispo: ‘Messis in Semine’ (Na semeadura está a colheita. Em outras palavras, quem planta colhe). Como Bispo diocesano de Erechim teve a alegria de colher 59 ordenações sacerdotais, sendo 27 de padres seculares e 32 de padres religiosos de diversas congregações, e 2 bispos.

– Grande amor às pessoas necessitadas. Como presidente do Patronato Agrícola e Profissional São José, dedicou muito carinho e auxílio pessoal a esta Entidade Caritativa.

 – Valorizou muito e usou de todos os MCS, sendo também o presidente da Fundação Cultural de Aratiba – Rádio Aratiba e deu grande apoio no momento da instalação da Rádio Virtual FM

– No campo da Educação formal, muito se preocupou com os Cursos Superiores. Deu o apoio necessário no momento de criar a FAPES, participando a Diocese como Instituidora, juntamente com a Prefeitura Municipal de Erechim.

– Por fim, deixou um belo testamento, repassado deste mesmo espírito de fé, amor a Deus e à Igreja. Peço, pois, aos testamenteiros que executem, fielmente, os seus últimos desejos, claramente expressos no testamento.

Concluindo, aproveito este momento para agradecer a presença dos irmãos bispos, dos sacerdotes, dos religiosos(as), dos diáconos, dos servidores, das autoridades civis e militares, seminaristas, lideranças e agentes de pastoral e a presença de cada um(a) de vocês, sendo isto um testemunho de fé na vida eterna e na ressurreição dos mortos. Igualmente agradecemos a todos quantos nos auxiliaram ontem, no momento do passamento e depois no velório. Aos familiares e parentes, nossas sentidas condolências. E a todos, sem distinção, pelo que têm feito, em nome da Diocese de Erechim, um muito obrigado e Deus os recompense”.

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