Em visita a Novo Hamburgo, Fórum da Água demonstra preocupação com a situação de Erechim

Representantes do Fórum Popular em Defesa da Água estiveram em Novo Hamburgo no dia de ontem, 22 de maio, verificando a situação do município que foi condenado a pagar até o ano de 2024 indenização de aproximadamente R$ 180 milhões pelo patrimônio da CORSAN.

A agenda teve como objetivo conhecer melhor todo processo que levou o tribunal de justiça a condenar o município a indenizar a CORSAN, e o funcionamento e prestação de serviços da empresa municipal se saneamento, a COMUSA. O Fórum tem alertado que se a água for privatizada como pretende o atual prefeito Schimidt, Erechim enfrentará o mesmo problema no futuro.

De acordo com os integrantes do Fórum da Água a situação constatada em Novo Hamburgo é bastante complexa. “Atualmente o município possui 4% de esgoto tratado, precisando de altos investimentos para alcançar a meta de 100%. Com a condenação, além dos investimentos necessários, o município terá de indenizar a Corsan. O relato dado é de que foi criado um grupo de trabalho que busca alternativas para solucionar a dívida do município junto a Corsan. Não está descartada a criação de uma taxa que será paga pela população, ou seja, a o povo trabalhador pagará a conta, ” destaca o integrante do Fórum, Fábio Adamczuk.

Outra ação desenvolvida pelo grupo de trabalho é renegociar a forma de pagamento da dívida com a CORSAN. “Percebemos que não se descarta, inclusive, a possibilidade dos serviços de Saneamento retornarem para a CORSAN, até pela impossibilidade financeira da COMUSA  em arcar com a dívida referente a indenização do Patrimônio à Corsan”, afirma Neori Pavan da coordenação do Fórum.

O vereador Lucas Farina destaca importância da visita. “O Fórum tem buscado sempre agir com responsabilidade e seriedade. Procuramos tomar posições aprofundando o debate com as entidades e com a população, a partir de estudos e analisando outros casos. Voltamos a Erechim mais preocupados e reafirmamos que uma decisão desta envergadura precisa ser bem discutida com toda a população. Lamentamos que a atual administração não compreenda desta maneira. Esta omissão poderá custar caro a Erechim”.

Semelhanças com a situação de Erechim

Ainda no ano de 2016 houve uma tentativa de privatização dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto de Erechim que foram barrados pela organização popular. No final de 2017 a atual administração relançou o edital de concorrência pública 09/2016.  Apesar da posição contraria de grande parte da população, foi somente por uma decisão do Tribunal de Contas do Estado que em janeiro/2018 o edital foi suspenso, as vésperas de serem abertas as propostas das empresas.  Neste período a CORSAN apresentou nova proposta ao município contemplando com vantagens todas as exigências contidas no edital. A partir deste momento a prefeitura não respondeu a CORSAN, bem como, não informou e dialogou com a população.

O Fórum tem denunciado que está “prática” da atual administração, deixa claro que a prefeitura municipal está comprometida com a privatização. “ Reafirmamos que há muitos interesses em jogo. A tentativa de privatização da água em Erechim não é um fato isolado, grandes empresas enxergam na água uma maneira de lucrar, essa investida das empresas privadas é algo orquestrado e vem se espalhando por todo o Brasil, a água não pode servir para satisfazer a sede dos grandes grupos econômicos e os interesses pessoais de alguns políticos”, afirma Neori Pavan.

Participaram da reunião, os integrantes do Fórum Popular em Defesa da Água de Erechim, vereador Lucas Farina (PT), os dirigentes sindicais Fábio Adamczuk do Sindicato dos Metalúrgicos e Neori Pavan do SindiÁgua,  o militante do Movimento dos Atingidos por Barragens, Fernando Fernandes,  o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Novo Hamburgo Lauro Amaral, o vereador de Novo Hamburgo Enio Brizola, a Diretora da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo Raquel Tomazi,   o técnico da empresa de saneamento de Novo Hamburgo Pedro Pimentel, e também os técnicos e engenheiros da SEMAE de São Leopoldo, Anderson Etter e Gardel Melo.

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