É cada vez mais urgente a necessidade de um novo presídio

Nas últimas semanas, o Presídio Estadual de Erechim foi o foco de várias das minhas colunas. Lembrei da fragilidade da antiga construção, das apreensões de explosivos, armas de fogo, armas artesanais e drogas, da falta de efetivo que dificulta a guarda, da superlotação da população carcerária, da morosidade em o governo responder se aceitará a proposta de permuta para a construção de uma nova penitenciária (a resposta é aguardada desde o ano passado) fora do centro, entre outras coisas. Na semana retrasada cheguei escrever que haveria meses de tranquilidade, após uma operação pente-fino e a transferência de detentos problemáticos. Me enganei.

Foragidos

Na parte interna, aparentemente, até que as coisas se acalmaram, mas a fuga de seis detentos em menos de 24 horas reacendeu o alerta na casa prisional. Na tarde de quarta-feira, 14 de março, Sérgio Ferrari de Melo, 36 anos, aproveitou o banho de sol para pular o muro e se embrenhar na mata do Parque Longines Malinowski. Foi montado cerco e realizadas buscas, mas ele não foi localizado. Sérgio cumpria pena por ser autor de diversos assaltos à mão armada.

Já na madrugada de quinta-feira, 15 de março, outros cinco detentos fugiram. Abriram um buraco no teto da cela, acessaram o telhado, pularam o muro e correram para o interior do Longines Malinowski. Novo cerco foi montado, desta vez com reforços e as buscas nas matas resultaram na captura de quatro deles, porém, o considerado mais perigo, Mateus Felipe Silva Moreira, de 18 anos, conseguiu escapar (foi capturado na manhã deste sábado, um dia após a circulação deste texto no jornal impresso). Mateus estava preso preventivamente desde janeiro por ter agredido violentamente uma idosa, 77 anos, quando roubava na casa da vítima, na localidade de Rio Tigre. Como adolescente, ele já havia cumprido medida sócio-educativa por latrocínio (matar para roubar). Na época ele esfaqueou um homem no pescoço para roubar sua bicicleta.

Novo presídio

Em meio a tudo isso, a comissão formada para tentar que um novo presídio seja construído, segue aguardando pela resposta do governo do Estado sobre a “permuta” proposta, feita ainda em 2017.

Terrenos do Estado na cidade seriam oferecidos como pagamento para a empresa que realizaria a obra, na época orçada em aproximadamente R$ 45 milhões. As áreas já teriam sido escolhidas e passadas por avaliação de técnicos do município. A administração municipal doaria o terreno onde seria erguido o presídio.

Diante da demora em obter resposta do governo e sem saber se será positiva, órgãos de Erechim estudam alternativas para minimizar a tensão na casa prisional, uma delas seria a construção de um novo pavilhão, anexo a área do presídio, onde anteriormente funcionava a empresa de reciclagem Cargipel, ideia proposta pelo juiz Antônio Carlos Ribeiro.

Uma ala interditada ainda ano passado na penitenciária, agora deve passar por reformas e voltar a receber detentos, o que também deve amenizar a situação na casa prisional.

A atual penitenciária, inaugurada a 65 anos (1953), possui capacidade para 239 detentos, mas na semana passada estava com mais de 540 apenados dos regimes fechado e semi-aberto. Os números variam dia a dia, devido à soltura de alguns e a novas prisões realizadas, mas já a um bom tempo que não baixa de 500, ou seja, o dobro da capacidade.

Déficit de efetivo

O déficit de efetivo que atinge nossos órgãos de segurança no município não é mais segredo, alguns passando de 50%, mesmo assim, é incontestável o esforço de agentes, policiais militares e outros órgãos para manter a segurança no presídio. Mas cada ocorrência na penitenciária acaba refletindo na segurança de toda a população, inclusive de outras cidades. Por exemplo, na última operação pente-fino, foram mobilizados 50 agentes da Susepe, boa parte do Grupo de Ações Especiais, e 70 policiais militares de Erechim, Passo Fundo e Carazinho, ou seja, para que a revista pudesse ser realizada com total segurança e em todas as celas, foi necessário mexer no policiamento de três cidades. No segundo dia de buscas no Parque Longines Malinowski, foram usados 30 policiais militares, fato que com certeza alterou o esquema de patrulhamento e os manteve por horas em um mesmo local.

Medo

Entre as duas últimas fugas, moradores próximos procuraram a reportagem para reclamar da insegurança com a qual convivem devido às constantes ocorrências na casa prisional. “A gente vive com medo. Nessas fugas, nunca se sabe se um ou mais deles não vai invadir nossa casa”, desabafa um reclamante.

“Vou trabalhar e fico pensando se minha família vai ficar bem, não tem como sossegar. E se fugirem, invadirem uma casa e fizerem reféns? Nunca se sabe o que está passando pela cabeça deles. Não estamos criticando a polícia ou os agentes, mas não é mais possível que um presídio exista no meio do centro da cidade e ainda com uma mata ao lado para que possam se refugiar”, diz outro.

Por Alan Dias 

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