Memórias da Aldeia – Cenas comoventes

Por volta de 1940 o mundo vivia angustiado com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Boa Vista do Erechim, então, bombava.

O trem não parava nunca. A Estação Ferroviária era um movimento constante. Gente que ia, gente que chegava. Estudantes, homens de negócio, mascates, viajantes, comerciantes, industrialistas, médicos, bancários, funcionários públicos, músicos… A Estação Ferroviária, mal comparando, era como se fosse hoje um grande aeroporto.

Em 1940, os Bota Amarelas, viviam o clima da Quarta Festa Estadual do Milho. Os Maristas chegaram em 1935. Em 1941, foi inaugurado o Hospital Santa Terezinha. Em 1942, O hospital de Caridade iniciou suas atividades. De 1938 até 1944, Boa Vista passou a ser chamada de José Bonifácio. O pessoal da Ferrovia, bateu o pé. Não aceitou alegando que as mercadorias acabavam indo para José Bonifácio, na Bahia…

Ficou, porém, José Bonifácio mesmo – e a Ferrovia, Boa Vista do Erechim.

A cidade crescia sem parar. Em 1943, o Prefeito Jerônimo Teixeira de Oliveira iniciou o calçamento na Av. José Bonifácio (atual M. Cardoso), em frente ao Clube do Comércio.

O comércio, agricultura, suinocultura, indústria, ensino, iam de vento em pompa… Mas, tinha um problema sério, que tirava o sono de todos. A Guerra. A Guerra Mundial, era o pesadelo do mundo. Aqui faltou gasolina, querosene e sal. Racionamento sério.

Os médicos deixavam o automóvel em casa e iam de Aranha(charrete) para o hospital. O pior, contudo, foi quando o governo do Presidente Vargas chamou os pracinhas brasileiros para irem combater o nazismo e o fascismo na Europa.

Em José Bonifácio, os meninos Bota Amarela, foram chamados para irem lutar na gelada Itália. Quantas angústias, preocupações, orações, pesadelos…

Essa parte ainda não foi escrita. Na localidade de Balisa, pai e filho, chegaram na Estação. Na hora da despedida o pai se agarrou no filho e não largava mais. Na Estação de Barro (Gaurama), nova tentativa de separar o pai do filho. Nada. Em Marcelino Ramos, houve a intervenção dos comandantes e separaram o pai do filho à força…O Filho foi para a Guerra, e voltou vivo… Tempos depois, junto com seu pai, e sua esposa grávida, foram derrubar uma árvore seca, para fazer lenha… Machado, serrote, quase no final da empreitada, a árvore se mexeu e um galho se desprendeu vindo atingir em cheio na cabeça do ex-pracinha… Acabava aí, numa cena dramática e comovente, a vida do valente erechinense (Balisa pertencia ao município de Erechim), que lutou pela Pátria, pelo sustento de sua família, e partiu sem poder ver seu filho nascer.. Eu Tinha só sete aninhos quando meu pai, me contou esta história…Nunca mais esqueci…

Por Enori Chiaparini

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