Erexim precisa reconhecer que, sozinho, não irá a lugar nenhum

As eleições se aproximam como se fosse um tornado que se levanta a olhos vistos e as pessoas devem tomar as medidas cabíveis para se proteger contra ele, assim como o eleitor deve se precaver, com antecedência, na escolha dos possíveis candidatos que estão colocando seus nomes para concorrer a uma vaga, tanto na Assembleia Legislativa do Estado, como para a Câmara Federal, ao Senado e ao Piratini. Pelo clima político que está se pintando, não vejo possibilidade de elegermos alguém que nos represente tanto aqui como acolá. Eu poderia estar, no alto de minhas nove décadas, em casa, tranquilo, cuidando de minha horta, de meus netos e bisnetos, tomando um bom chimarrão com a esposa, jogando conversa fora e deixando passar o mês por trinta ou trinta e um dias e pronto. No entanto, se assim o fizesse, seria igual àqueles que só pensam em si e o resto que se dane, como me parece encontrar-se nossa juventude de hoje, alienada, amorfa, egoísta e consumista, assim como alguns folgados da vida, com muito dinheiro no bolso, que não se lixam nem para o povo e nem para a cultura, sobretudo a classe conservadora. Essa é a atmosfera que se respira em Erexim e no Brasil de hoje. Precisamos mudar isso, elegendo pessoas comprometidas, em seus diferentes níveis, com a educação, saúde e segurança, essa é a hierarquia dos valores na administração pública, como fez Brizola aqui em nosso Estado e no Rio de Janeiro, e não se atendo a seus “interésses”. Em vista desses objetivos, dirigi-me por escrito , ao Presidente da AMAU, para que reunisse todos os prefeitos e convidasse todos os pré-candidatos da região, indistintamente de partido, e os sabatinassem, oportunidade em que cada um exporia suas razões do porquê que deseja ser o representante do Alto Uruguai. Porém até hoje não recebi qualquer manifestação do Presidente da AMAU com relação à minha sugestão. Também pudera, com tantas preocupações que exigem sua atenção na administração da coisa pública em seu município, que não lhe sobra tempo para se preocupar em dar uma satisfação, logo para quem. Ali cada prefeito faria suas perguntas e tirararia suas conclusões a respeito de cada pretendente.
Após, os prefeitos escolheriam dois candidatos com ficha limpa e sem nenhum problema pendente com a Justiça, para Deputado Estadual e um para Federal e apostariam suas fichas nessas candidaturas, visando ao bem de toda a região, largando mão de apoios a outros candidatos de fora, mesmo que tenham recebido verbas ou esmolas para suas comunas, oriundas de emendas parlamentares que, nem sempre, pelo que se sabe, entram na totalidade nos cofres das prefeituras. Aqui precisaria que o Ministério Público fizesse uma fiscalização e visse se de fato esses auxílios entraram na sua íntegra no cofre das prefeituras ou nas entidades. É por isso que não se elegem candidatos daqui, porque não há uma visão do bem comum da região do Alto Uruguai, nem dos prefeitos, nem de entidades e nem dos partidos. Aliás, o político brasileiro, em geral, não dá satisfação nenhuma a seu eleitor enquanto no cargo, bem diferente do que acontece nos Estados Unidos, onde o político presta toda a atenção ao povo, mesmo quando não aceita sua sugestão. Concluindo com meu pensamento, digo e coloco no papel, que os grandes culpados de não termos representantes daqui, em especial de Erexim, onde se encontra o maior colégio eleitoral da região, são, sem dúvida nenhuma, os prefeitos da AMAU, as entidades em geral, mormente as associações comerciais, universidades e as câmaras municipais.

 

* Guilherme Barp –  Professor e advogado

NOTA: Erexim escrito pelo autor com “x”, baseado no Decreto-Lei Federal nº 5.186, de 13/1/1943 e na recente decisão da Academia Brasileira de Letras, órgão oficial que dita, em última instância, a correta escrita das palavras e dos topônimos.

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