Fator humano é responsável por 97% dos acidentes de trânsito

Acidentes de trânsito sempre geram enormes debates, ou embates, nas redes sociais, principalmente quando o tema definido para a discussão são as causas. Estradas esburacadas, sinalização precária nas rodovias, quase todos encontram um motivo além do fator humano, ou uma desculpa, mas é inquestionável o fato de que a massiva maioria dos acidentes resultam da imprudência do condutor.

O major do 1º Batalhão Rodoviário da Brigada Militar de Passo Fundo, Claudemir Bertoglio, relatou durante Seminário de Trânsito realizado em Erechim no ano passado, que cerca de 97% dos acidentes são gerados pelo fator humano.

“O trânsito é sincronismo. Se todos andarem no limite de velocidade e respeitando a distância entre os veículos, todos chegarão ao destino em tempo proporcional, mas basta um apressadinho para colocar todos em risco”, ponderou o major.

Exemplos de imprudência

Vamos aos exemplos que testemunhei nos últimos dias e por pouco não terminaram em tragédia. Semana retrasada me deslocava para Ipiranga do Sul com a intenção de acompanhar as buscas da Patram pela suposta cobra que estaria vivendo no Rio Teixeira. Na ERS 135, seguia um ônibus na minha frente e dois carros atrás do meu. Em determinado momento, uma caminhonete passou para a contramão, ultrapassou os dois carros que me seguiam, o meu e quando já estava emparelhado com o ônibus, apareceu um caminhão vindo em sentido contrário. Para evitar o pior, o ônibus reduziu a velocidade, fiz o mesmo e fui seguido pelos veículos na traseira. Acredito que o caminhão também reduziu e a caminhonete, por questão de segundos, conseguiu voltar para a pista normal à frente do ônibus. Alguns metros adiante a caminhonete novamente acessou a pista contrária e ultrapassou mais dois veículos, sendo o último deles já em uma curva. Por sorte, não vinha ninguém pelo outro lado.

Na semana passada estava indo a Erebango, o veículo que seguia na minha frente acelerou, foi para o acostamento e sem aguardar mais que pouquíssimos segundos, efetuou manobra de retorno em alta velocidade. Duas situações onde a tragédia não ocorreu por detalhes.

Na cidade

Na cidade não é muito diferente, basta observarmos um pouco as rótulas e cruzamentos. Todos querem ter a preferência, se atravessam na frente de outros condutores, trocam de pista no meio das nossas largas rótulas, realizam manobras de conversão onde as placas nos semáforos indicam ser proibido e o pisca, ah, este nem existe. Sem contar que em alguns casos onde o pisca é acionado, a manobra indicada não é feita, enganando o motorista que aguarda para acessar aquela via

Para alguns, sair do estacionamento é como morar sozinho e ir da sala para a cozinha, simplesmente arrancam, sem pisca, sem observar se outro veículo está vindo. E o mais interessante em tudo isso é que geralmente, o motorista que cometeu a imprudência é o que irá achar tempo para se ofender, xingar e se possível, partir para a briga.

Dicas de Segurança

Segundo o major Claudemir Bertoglio, se as dicas de segurança constantemente divulgadas pelos órgãos de segurança fossem seguidas, seriam suficientes para evitar muitos dos casos registrados. “Tenho certeza que quase todos os condutores conhecem tais dicas, mas como alguns evitam usá-las e cautela nunca fez mal para ninguém, não custa repeti-las: verifique se o veículo está em boas condições; Respeite a velocidade da via e a sinalização; Não dirija se sentir cansaço ou sono; Use o cinto de segurança; Para crianças, utilize a cadeirinha ou o acento de elevação; Não fale ao celular; Saia de casa mais cedo; Mantenha os faróis acesos; Não beba antes de dirigir”.

O 1º sargento do Corpo de Bombeiros Militar de Erechim, Cristiano Zanini Fava, também cita algumas dicas que podem fazer toda diferença no trânsito. “Saia um pouco antes, sempre verifique os equipamentos de segurança, faça revisão do veículo. Você pode estar levando seus filhos, sua esposa”.Pedestres

E nesta perigosa equação do comportamento no trânsito, muitos pedestres se somam de forma negativa. Tem os que atravessam em uma longa e vagarosa diagonal, de costas para o fluxo de veículos, os que saltam na pista mesmo tendo visto um carro se aproximando rápido, os que acessam a rua com os olhos vidrados no celular, e por aí vai.

Ainda temos alguns cruzamentos complicados onde, penso eu, aquelas placas de ‘Dê a Preferência’ já deveriam ter sido substituídas pelas de ‘Pare’, com  estabelecimento de  preferencial.

Multas são necessárias

Policiais Rodoviários Estaduais e Federais são unânimes em afirmar que até o presente momento, as multas de trânsito são a maneira mais eficaz de se obter uma mudança de comportamento nos condutores irresponsáveis. “Pegamos carros a 140, 150, quilômetros por hora, motos a 255, 220 quilômetros por hora, daí nos chamam de insensíveis, arrogantes, porque não queremos entender o motivo daquele excesso de velocidade”, diz o chefe da Polícia Rodoviária Federal em Erechim, Regivaldo Tonon.

E como os motoristas que cruzam a região costumam enfrentar obstáculos extras, como sinalização deficitária, buracos e ondulações, a cautela citada acima precisar ser redobrada.Radares inteligentes

E para aqueles que questionam as autuações e acreditam que tudo não passa de uma indústria para gerar arrecadação, vêm mais más notícias por aí. Já estão sendo testados em alguns estados do país um novo tipo de radar inteligente. Os aparelhos, entre um e outro, irão registrar a velocidade e o tempo levado de um ponto a outro.

“Por exemplo, se o motorista está se deslocando de Erechim a Passo Fundo e sabe que ali em Sertão tem um radar, ele irá diminuir a velocidade, mas mesmo assim o radar irá registrá-lo. Lá em Passo Fundo haverá outro que analisará o tempo percorrido e calculará a velocidade que o veículo manteve, se o motorista fez o percurso em um tempo menor do que teria feito se mantivesse a velocidade permitida, receberá multa”.

Educação começa em casa

O delegado de Polícia Civil, Germano Alves, lembra que a formação educacional dos filhos começa em casa e citou alguns acidentes de trânsito investigados para relatar que em alguns casos, os próprios pais incentivam os filhos a faltar com a verdade. “Chegam a falar para o filho mentir dizendo que pegou o veículo escondido”.

Germano relatou ainda que em alguns casos, os pais ou os próprios adolescentes envolvidos em acidentes se sentem ofendidos.

Procuram as redes sociais para ofender ou denegrir os agentes envolvidos.

“Alguns processos por danos morais estão em andamento na região”.

Por Alan Dias

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