Falece no Rio de Janeiro padre saletino natural de Erechim

Cinco dias depois de completar 90 anos, o missionário saletino Pe. Mário Prigol faleceu na manhã deste sábado, 17, em hospital do Rio de Janeiro, onde estava internado há dez dias em estado terminal com sequelas da doença de Alzheimer. A missa de corpo presente será às 09h30 de domingo, 18, seguida de sepultamento, no Rio de Janeiro.

Dados biográficos do Pe. Mário Prigol

Nasceu no dia 12 de novembro de 1928, em Linha Gramado, Município de Erechim. Seus pais, Ângelo Prigol e Dorothea Menegatti eram naturais do atual município de Nova Pádua. Dos 9 filhos do casal, cinco constituíram família (dois já falecidos), Mário ficou padre e três assumiram a vida religiosa na Congregação das Irmãs Marcelinas (duas já falecidas).

Em 1943, Mário ingressou no Seminário dos missionários saletinos em Marcelino Ramos, onde permaneceu até 1950. Lá, em 1948, fez o Noviciado, uma das etapas da Vida Religiosa. Em 02 de fevereiro de 1049, fez sua primeira Profissão Religiosa. De 1951 a 1957, estudou filosofia e teologia na Universidade Gregoriana em Roma. Naquela cidade, em 28 de outubro de 1956, foi ordenado presbítero.

Retornando ao Brasil, de 1958 a 1960, trabalhou na Paróquia Na. Sra. da Salette, em Alto Santana, região norte da cidade de São Paulo, sendo ao mesmo tempo assistente da Juventude Operária e da Juventude Estudantil Católica (JOC e JEC) e das Equipes de Nossa Senhora, movimento de casais.

No dia 02 de fevereiro de 1961, passou a trabalhar no Rio de Janeiro, integrando a equipe dos Missionários Saletinos na Paróquia da Salette do Bairro Catumbi. Lá também esteve ligado ao trabalho com casais, pelas Equipes de Nossa Senhora e pelo Movimento Familiar Cristão, bem como com os trabalhadores através da Ação Católica Operária (ACO) e da JOC. Segundo ele próprio afirma em livro que publicou, de 1967 a 1974, esteve a serviço de jovens e adultos presos políticos. Em 1970, ele também chegou a ser preso, acusado de subversão.

De 188 a 1996, foi assistente da ACO latino-americana. Mas Pe. Mário continuou trabalhando no Rio de Janeiro desde que para lá foi transferido em 1961, especialmente junto à população das favelas. Em 2002, publicou o livro Mário Prigol Educador da Fé entre Trabalhadores e Militantes Populares – Confrontos históricos no Brasil e no mundo, 1926-1988. Previa um segundo livro para falar do período posterior, de 1989 a 2003.

Padre da causa operária e da coragem profética

Depoimento de dois missionários saletinos e de líderes de movimentos de trabalhadores no início do livro que o Pe. Mário publicou atestam que ele sempre viveu sua consagração religiosa e sacerdotal junto dos pobres e da classe operária. Ainda de acordo com estes depoimentos, para Pe. Mário a Igreja precisa ter uma “ligação umbilical com os trabalhadores em seus movimentos apostólicos e missionários cujos militantes vivenciam seus compromissos em diferenciados movimentos populares, do sindicato à associação de bairro, grupos de saúde e de mulheres, adultos e jovens”. Pe. Mário sabe avaliar e aliar serenidade e ousadia, amizade e compromisso, fé e vida, coragem e criatividade. “Passou por inúmeras provações, perseguições e até prisão. Entretanto, nada o abalou e nada o abala, porque sua confiança se apóia no Deus da Vida e na proteção maternal da Virgem Maria, invocada pelo titulo de Nossa Senhora da Salette” (ver “Mário Prigol Educador da Fé entre Trabalhadores e Militantes Populares – Confrontos históricos no Brasil e no mundo, 1926-1988”, p. 07 a 14).

Numa significativa coincidência, ele, que tanto trabalhou pelos mais necessitados, será sepultado no segundo Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco no final do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, em 2016. (Numa foto maior, ele é o primeiro à esquerda e na outra o terceiro à direita de quem olha).

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