Desafios para a inclusão nas universidades vão dos recursos humanos à formação continuada

Evento internacional na UFFS debateu que a busca de recursos é uma das metas para instituições serem mais inclusivas

Entre os dias 10 e 13 de junho, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Erechim reuniu, em um seminário internacional, diversos pesquisadores para pensar o tema da inclusão nas Instituições de Ensino Superior (IES). O evento é parte de um projeto de pesquisa que conta com diferentes universidades do Brasil e do exterior, coordenado na UFFS pela professora Adriana Loss, e que busca investigar a presença de pessoas com deficiência, indígenas, afrodescendentes, imigrantes e setores populares nas universidades.

Se por um lado o acesso dessas populações aos bancos universitários aumentou, também é preciso analisar se o mesmo público está sendo assistido de forma inclusiva pelas instituições. Investigadores que pesquisam o tema chamam a atenção para aspectos que vão desde a metodologia de estudos, passando pela questão do currículo e incluindo, também, a formação continuada das pessoas ligadas à academia.

Fizemos três perguntas para a professora Adriana Loss. A pesquisadora avalia o seminário ocorrido na UFFS e discorre sobre os desafios para uma real inclusão nas IES. Confira.

Qual a recepção dos participantes em relação ao evento como um todo?

O evento foi um momento significativo de diagnósticos referentes ao tema da inclusão no Ensino Superior. Identificamos muitos desafios a serem enfrentados pelas instituições que objetivam em seus projetos dar voz aos sujeitos que muitas vezes são invisíveis à sociedade. A inclusão no Ensino Superior requer muitas ações afirmativas para a garantia da formação dos sujeitos que a ela acessam.

Quais metas de inclusão foram verificadas para o desenvolvimento das instituições?

As instituições participantes da investigação têm trabalhado muito, principalmente no que tange à sensibilização para o tema e na busca de recursos (sejam de ordem material, pedagógica e de infraestrutura). Mas ainda estão carentes de recursos humanos, de docentes e técnicos preparados para trabalhar com a diversidade, com os diferentes grupos: deficientes, afrodescendentes, indígenas, migrantes, imigrantes, trabalhadores.

Nós propomos, ao final do evento, três desafios. Primeiro com relação aos artigos científicos: precisamos estar atentos ao uso da metodologia de investigação, de modo que as vozes dos sujeitos realmente se façam visíveis.

Segundo, pensar sobre nossas consciências reais e consciências possíveis: em que ponto da consciência nos encontramos nas ações afirmativas de inclusão? Será que estamos trabalhando, em nossas instituições, para nos aproximar da consciência possível, do que queremos como inclusão? E mais: o que entendemos por inclusão em nossas instituições?

O terceiro ponto na verdade são vários. Diz respeito a pensarmos questões que versem sobre o currículo para a inclusão; o trabalho pedagógico nas instituições de Ensino Superior; a formação continuada de todos os segmentos das IES; a saúde dos sujeitos (estudantes, professores, técnicos, gestores), principalmente atentando para a saúde emocional e mental.

Quais os próximos encaminhamentos que a equipe propôs?

Os artigos científicos, após as experiências do evento e da avaliação da professora Ana Maria Gorosito Kramer, da Universidad Nacional de Missiones (UNaM), serão relidos e reconstruídos pelos autores. Esses artigos serão organizados e publicados em um e-book. A publicação está prevista para dezembro de 2019 pela UNaM.

Também constituímos uma comissão de trabalho para a organização do evento que ocorrerá na UNaM em setembro de 2020, com o lançamento do e-book das produções científicas. Além disso, teremos a construção de novos projetos de investigação para a sensibilização e mobilização de ações concretas nas IES frente ao tema inclusão.

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