“Quem escolhe se haverá confronto é o criminoso, não é o PM”, diz comandante da BM sobre confronto em Trindade do Sul

Coronel Mário Ikeda, em entrevista após confronto em Trindade do Sul, defende ações da Brigada Militar que resultaram em 20 mortes — de 19 criminosos e um refém — após assaltos em dezembro

Poucos minutos após saber que mais quatro envolvidos em assalto a banco foram mortos por PMs, em Trindade do Sul, no norte do Estado, o comandante da BM, Mário Ikeda, atendeu a reportagem de GaúchaZH. Ele nega que exista orientação de matar, ao invés de prender criminosos. Nessa entrevista, por telefone, garante que a escolha por viver está na mão dos assaltantes.

Coronel, a gente soube que morreram mais suspeitos de assalto, em confronto, em Trindade do Sul. Como o senhor vê esse episódio?

Eu não tenho detalhes ainda. Nem sei se são quatro ou cinco mortos.

A população não lamenta as mortes de bandidos, está claro. Mas a gente notou um salto no número de mortos em confronto. Somando com os de hoje, são 20 em dezembro. Contando, dentre eles, um refém. Existe uma orientação para atirar?

A orientação é a mesma que sempre foi. Vi teu artigo na Zero Hora e discordo dele (artigo da coluna do Humberto Trezzi, publicado em 05 de dezembro). Não mudou nada.

O que afirmei é que os policiais, talvez influenciados pelo discurso do presidente eleito Jair Bolsonaro, estão sentando o dedo no gatilho. O senhor discorda?

Discordo. A Brigada Militar reage. Ela busca prisão de delinquentes. Nesse caso, estamos em buscas aos delinquentes desde dia 12, com sol e chuva. Felizmente, com o cerco, conseguimos localizá-los. Infelizmente, eles entraram em confronto e acabaram mortos. Acontece que desde o início do ano estamos com ações em relação a este tipo de roubo (com escudo humano formado por reféns). Apertamos a prevenção a esse tipo de crime de outubro para cá, com a Operação Diamante. Tentamos impedir os assaltos e, quando eles acontecem, estamos com uma resposta mais rápida. Que nos dá possibilidade de cercá-los na região da mata e levado aos confrontos. O que digo aos criminosos: se forem cercados, se rendam, que a BM é garantidora de todas as leis que existem. Cumprimos os direitos previstos na Constituição e, se eles se renderem sem esboçar reação, terão toda sua integridade física preservada.

O que questionei no artigo, também, dias atrás, é que tinha um refém no porta-malas,após o assalto em Ibiraiaras. Foi filmada a saída dos bandidos do banco, com reféns no porta-malas. Como o senhor analisa? O senhor não tem críticas?

É um fato lamentável que tenha morrido uma das vítimas. De maneira alguma buscamos isso. Buscamos prisão e rendição de delinquentes. Quem escolhe o resultado, se vai reagir ou se vai ter tiroteio, não é o brigadiano. É conforme a reação na hora da prisão. Lamentamos profundamente a vítima de Ibiraiaras. Está com a investigação, para ver de onde partiu o tiro, de que arma. Independente disso, a ação foi criminosa por parte dos delinquentes. A BM foi até o local. Não sei se os colegas sabiam que tinha uma vítima-refém. Eles vinham fazendo o patrulhamento e não se sabe se tinham conhecimento do refém. Estão orientados a não entrar em confronto, se há reféns. Mas nem sempre isso é possível. Quando a gente se depara com o criminoso atirando, muitas vezes é a vida dele ou do brigadiano que está em jogo. Quem escolhe se haverá confronto é o criminoso, não é o PM. As circunstâncias levam o policial militar a atirar e elas são causadas pelos criminosos.

Fonte e Imagem: GaúchaZH

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