Curso de Psicologia da URI discute repercussões dos conflitos conjugais

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A relação conjugal tem um papel central na vida familiar e social. Diante da relevância deste assunto e com o propósito de disseminar conhecimentos sobre o conflito conjugal e o seu impacto na vida dos filhos, a URI Erechim, por meio do Curso de Psicologia, realizou nesta segunda-feira, 16, duas palestras abordando a temática.

 

A primeira abordagem foi feita pelo psicólogo Crístofer Batista da Costa, professor da Unisinos, que falou sobre as implicações do conflito conjugal para o casal. De acordo com Crístofer, é importante perceber determinadas características que diferenciam um casal que consegue resolver conflitos de um casal que não consegue. “Passamos por um momento em que valores tradicionais entram um pouco em choque com outros aspectos da vida humana – como o investimento em si e a individualidade – que hoje são instigados pela sociedade. Temos um momento em que as pessoas têm valores internalizados, querem viver coisas diferentes e ao mesmo tempo estão mais exigentes”, contextualizou.

 

Neste aspecto, segundo o professor, um questionamento deve ser feito: Se a relação não está legal, porque permanecer em algo que causa mais sofrimento? “Como não existe mais a regra de que é necessário ficar junto a vida inteira, as pessoas buscam relações que sejam boas. Temos de nos reinventar e reavaliar nossa relação. Não apenas ficar por ficar”, destacou.

 

O conflito conjugal, entretanto, não se restringe apenas ao casal. Sua incidência sobre os filhos também deve ser discutida e analisada. Foi o que propôs o professor Iñigo Ochoa de Alda, da Universidad del País Vasco, da Espanha. Ele afirma que as crianças têm a capacidade de entender os conflitos e expressam tudo isso através de sua personalidade. “Eles passam a chamar a atenção e atrair a questão para eles, pois preferem ser o problema a vivenciar o dos pais. Então sacrificam seu bem-estar para atender a necessidade de seus pais e se dedicam a cuidá-los indiretamente”, destacou. Ainda conforme o professor, a grande questão é: como os pais expressam os conflitos que têm? “O conflito que existe como casal não deve existir como pais”, orientou.

 

Outro aspecto abordado pelo professor foi a questão de que as experiências vividas em casa servem de modelos para os relacionamentos futuros dos filhos. “Eles aprendem pelo modelo, por cópia. As primeiras experiências que eles têm são as de suas casas. Por isto, se vivenciam um relacionamento violento e conflituoso, vão acreditar que este é o correto”, explicou.

 

Conforme o professor Felipe Biasus, coordenador do Curso de Psicologia, a relevância da iniciativa está pautada, sobretudo, na possibilidade de oferecer à comunidade, seja acadêmica ou não, um espaço para debater um tema de tamanha relevância social. “Esta é uma grande oportunidade de discutir o exercício da possibilidade da escuta, algo fundamental nos relacionamentos contemporâneos”, enalteceu.

 

 

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