A importância de ser e estar professora e professor

Somos mais de 2,5 milhões de professores(as) no Brasil. A maior parte está na educação básica, desde a educação infantil até o ensino médio. Nas escolas públicas e privadas, todos os dias nos fazemos docentes. Ensinamos, mas também aprendemos. Vivemos as alegrias e tristezas da nossa profissão.

Pelas salas de aulas passa o presente e o futuro do nosso país. Deveria nos preocupar muito que apenas um pouco mais de 3% dos(as) jovens queira ter a profissão que está base de todas as outras. Nossa imagem pública não anda muito bem e, contraditoriamente, nunca se falou tanto em educação para a “sociedade do conhecimento”.

Para além de nossa responsabilidade profissional, temos um compromisso profundamente humano em nosso fazer diário. Lidamos com incertezas, violências, indisciplinas, ao mesmo tempo em que usufruímos de amorosidades, expectativas, descobertas e sonhos. Sim, sonhos movem o mundo. Professores e professoras são jardineiros(as) semeando sonhos e esperanças.

Por isso, é indignante como a educação e a nossa profissão vêm sendo tratadas. Não é possível que uma pessoa idônea e com algum grau de consciência social não se levante contra o descaso dos governos com os sistemas de ensino. Falo de salários e muito além disso. Imagine você que me lê chegar ao final do mês e não ter o seu salário? Ou ele vir parcelado? E ficar sem o décimo terceiro? Já não temos um salário digno aos (às) professores(as) da rede estadual e ainda o descaso do governo (desde Sartori – MDB) com parcelamentos é uma afronta.

Na atualidade, o governo Leite (PSDB) está aprofundando o ataque à carreira dos(as) professores(as), fazendo eco com a política regressiva e de desconstrução levada a cabo pelo governo Bolsonaro (PSL). Aliás, o governo federal elegeu professores(as) como inimigos(as), sendo um retrato de nossas mazelas e do enorme problema que vivemos. É a educação pública como projeto inclusivo que está em jogo. Educação não pode ser tratada como um mero serviço disponível a quem pode pagar, pois é um direito social previsto na Constituição.

Se o descaso governamental é revoltante, igualmente me preocupa o silêncio e a omissão de significativa parcela da sociedade. Precisamos nos convencer que o nosso país está na contramão da história ao sucatear escolas, institutos e universidades, desestimulando a produção científica e tecnológica e sua democratização em benefício do bem comum. Há um futuro sombrio que nos espera se não formos capazes de enfrentar e modificar esse cenário.

Percebam que não é possível falarmos desta data de comemoração do dia dos(as) professores(as) sem tratar seriamente desse quadro político e cultural que construímos. Esse não é um assunto partidário, embora seja seminalmente político no sentido de qual projeto de sociedade queremos para nosso país. Governos de diferentes partidos administraram esferas públicas sem alterar significativamente o quadro de desvalorização do magistério. Tivemos no governo do estado um ex-ministro (Tarso Genro – PT) que criou a Lei do Piso do Magistério e não aplicou na sua própria gestão.

Então, não há o que comemorar na data de hoje? Certamente que sim! Ser e estar professor(a) é ocupar um lugar especial na sociedade. Somos uma profissão indispensável para que as coisas aconteçam nas mais diferentes dimensões. Mesmo em cenário desfavorável, seguimos nosso trabalho diário que contribui sobremaneira para o nosso país. Aprendi que a escola é lugar de projetos, de esperança, não de uma esperança de quem espera, mas uma esperança de quem busca e acredita que o ser humano pode conviver com a diversidade, exercitando sua humanidade.

Às minhas colegas e aos meus colegas docentes um abraço neste dia e em todos os outros. Se sofremos juntos(as), porque não lutarmos juntos e juntas? Da nossa consciência política da importância de nossa profissão vai brotar a própria mudança de nossa imagem perante algumas pessoas que andam desavisadas do problema que vivemos ao desprezar a educação e o nosso trabalho. Nossa luta por reconhecimento deve caminhar ao lado de nossa formação científica permanente, pois, afinal, ser professor(a) é uma forma de estar no e com o mundo.

Por Thiago Ingrassia Pereira

Coordenador do Programa de Pós-Graduação Profissional em Educação (UFFS)

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